Como foi ver Renato Russo do auge até não conseguir mais cantar, segundo Carlos Trilha
Por Gustavo Maiato
Postado em 16 de outubro de 2023
Renato Russo, o icônico líder da banda Legião Urbana, deixou uma marca na música brasileira. Sua jornada artística foi interrompida prematuramente devido à sua batalha contra o vírus HIV, que mais tarde evoluiu para a AIDS. O disco "A Tempestade" testemunhou as dificuldades crescentes que Russo enfrentava para expressar sua voz única.
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O álbum, lançado em 1996, captura um período desafiador na vida de Renato Russo. A doença já começava a afetar sua habilidade de cantar, tornando evidente o fardo físico e emocional que ele carregava. Ainda assim, a intensidade lírica e a profundidade emocional presentes nas músicas continuavam a ecoar a alma do artista.
Durante esse período difícil, o tecladista Carlos Trilha foi um fiel companheiro de Russo. Juntos, enfrentaram os altos e baixos dessa fase, criando música que, por sua vez, se tornou um testemunho da resiliência humana diante da adversidade. Carlos Trilha não apenas contribuiu musicalmente, mas também desempenhou um papel crucial no apoio emocional a Renato Russo.
Em uma entrevista ao "Pitadas do Sal", Carlos Trilha compartilhou insights sobre esse capítulo doloroso da história da Legião Urbana. Suas palavras podem oferecer uma visão única sobre a força interior de Russo e o ambiente criativo que permeava a banda mesmo diante das circunstâncias desafiadoras.
"Ver o Renato Russo gravar ‘A Tempestade’ foi muito sofrido para mim. Lembro-me que em uma das noites, voltei para casa e eu estava com minha namorada, que gostava de Legião Urbana. Já tínhamos apagado a luz para dormir e eu estava lá de olho aberto, não estava bem. Ela me perguntou o que era e eu disse: ‘O Renato não consegue mais cantar’. Ela desmoronou. Comecei a sentir o choro dela.
Fui vendo ele perder a voz até não conseguir mais fisicamente cantar. Isso me destruiu. Quando soube que a Marina perdeu a voz, chorei também. Isso foi nos anos 2000. Nada é mais triste que um cantor perder a voz. Agora ela recuperou. Então, tive esse impacto ao longo do disco até o momento em que não rolava mais. Acompanhei o Renato do auge ao último fio de voz. Ele voltou ao estúdio para tentar cantar de novo e refazer".
Renato Russo, Legião Urbana e Aids
Renato Russo, o emblemático vocalista da Legião Urbana, nos deixou em 1996, vítima das complicações decorrentes do vírus da AIDS. Uma das músicas marcantes desse período é "Via Láctea", presente no álbum "A Tempestade". Nessa composição, Russo aborda temas delicados, incluindo sua batalha contra a AIDS e a esperança de cura.
A história por trás da música é compartilhada pelo apresentador Júlio Ettore em seu canal no YouTube. Segundo ele, "Via Láctea" explora não apenas a dimensão física da AIDS, mas também a luta contra a depressão que Russo enfrentava. A letra revela sinais dessa batalha interna, onde Russo descreve o peso da doença e como as pessoas muitas vezes escondem suas dores.
Ao abordar a febre persistente que acompanhava a AIDS naquela época, Ettore destaca a diferença entre o cenário atual, em que é possível gerenciar melhor a doença, e a realidade da década de 1990, quando o vírus atacava o sistema imunológico de maneira devastadora.
Embora a música tenha um tom de despedida, Júlio Ettore destaca que Russo não se via de maneira pessimista. Pelo contrário, a letra transmite a esperança que Russo nutria, expressa na frase "Sempre existe uma luz". O vocalista acreditava que, apesar das adversidades, ainda havia a possibilidade de uma reviravolta, especialmente diante das constantes notícias sobre novos medicamentos contra o HIV.
Ao escolher "Via Láctea" como o single do álbum, Russo queria que sua mensagem de esperança e resiliência alcançasse um público mais amplo, proporcionando uma reflexão profunda sobre a condição humana e a busca por luz mesmo nas situações mais sombrias.
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