O exagero de John Bonham que Neil Peart não curtia; "Ok, já chega!"
Por Bruce William
Postado em 04 de abril de 2026
Neil Peart nunca escondeu a admiração que tinha por grandes bateristas do rock, e John Bonham sempre esteve nesse grupo. O ponto é que admirar não significa querer seguir pelo mesmo caminho em tudo. Quando o assunto eram os longos solos de bateria de Bonzo ao vivo, especialmente em peças como "Moby Dick", o baterista do Rush via ali uma tendência que não combinava tanto com a sua própria cabeça musical.
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Peart era um baterista que gostava de estrutura. Mesmo quando improvisava, havia sempre uma espécie de freio interno funcionando. Ele podia até sair do traçado em alguns momentos, mas dificilmente se entregava à ideia de ficar batendo sem rumo só porque o palco permitia. Ao falar sobre isso para a Modern Drummer (via Far Out), explicou: "Tenho ficado muito mais improvisador, mas parece que tenho um relógio mental que me desliga antes que eu comece a divagar. [risos] Ok, já chega! Eu vi alguns solos históricos - John Bonham, por exemplo - e, mesmo como baterista e admirador, isso chega a ser avassalador. Então eu valorizo a concisão."
A palavra-chave aí é justamente essa: concisão. Peart não estava dizendo que Bonham era ruim, muito menos colocando em dúvida sua força como músico. O que o incomodava era a sensação de que, em certos momentos, o solo se tornava uma avalanche. Para um cara que pensava até solo de bateria como se fosse composição, aquilo soava menos interessante do que poderia soar para outros ouvintes. Ele completou a ideia dizendo que, no palco, se deixasse a coisa correr demais, começava a sentir que estava "vagando" antes mesmo de realmente estar.
Isso ajuda a entender uma diferença importante entre os dois. Bonham tinha um instinto muito mais bruto, mais físico, mais ligado ao impacto e à explosão do momento. Peart, por outro lado, gostava de construir. Seus solos tinham mais cara de suíte, de peça pensada, quase de clínica de bateria dentro do show. Era outro tipo de prazer. Um vinha muito da força selvagem; o outro, da arquitetura.
Também faz sentido quando se olha para as referências de Neil. Ele sempre teve fascínio por bateristas intensos, mas também por músicos que sabiam organizar essa intensidade com precisão. Por isso, mesmo sendo fã de gente como Keith Moon e do próprio Bonham, ele não queria tocar daquele jeito o tempo todo. O objetivo não era parecer um animal solto atrás do kit, e sim encontrar o momento certo de bater pesado.
No fundo, o que Neil Peart não curtia nessa "mania" de Bonham era justamente o excesso dos solos longos, aquela tendência de deixar a coisa transbordar até ficar avassaladora. Só que isso diz tanto sobre Peart quanto sobre Bonham. Um acreditava na liberdade bruta do impacto. O outro preferia controlar a explosão antes que ela virasse dilúvio. E, convenhamos, o rock ficou muito bem servido com os dois caminhos.
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