A música do Genesis que para Phil Collins lembra o Led Zeppelin
Por Bruce William
Postado em 04 de maio de 2026
O Genesis nunca foi a primeira banda que vinha à cabeça de alguém quando o assunto era peso. Durante a fase com Peter Gabriel, o grupo ficou mais associado a suítes longas, passagens acústicas, teclados, mudanças constantes e aquele jeito muito próprio de contar histórias dentro do rock progressivo. Só que, depois da saída de Gabriel, a banda também começou a mostrar outro tipo de musculatura, sem deixar de soar como ela mesma.
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Isso já aparece em "A Trick of the Tail", de 1976, o primeiro álbum gravado após a saída do vocalista. Em vez de recuar ou tentar imitar o passado, o Genesis preferiu seguir em frente. Phil Collins assumiu os vocais, a banda apertou um pouco mais o som e o disco acabou mostrando que havia vida forte ali sem precisar fingir que nada tinha mudado. "Dance on a Volcano" já dava esse recado, mas "Squonk" levava a coisa para um terreno ainda mais pesado.
A música, inspirada na criatura lendária do folclore da Pensilvânia, tem uma base mais densa, um clima mais sombrio e uma pegada que realmente foge um pouco da imagem mais comum do Genesis. Não é heavy metal, claro, nem tenta ser. Mas também não é uma faixa delicada ou contemplativa. Há ali uma tensão diferente, uma dureza mais evidente, como se a banda quisesse provar que também sabia trabalhar com impacto, e não apenas com sofisticação.
Anos depois, Phil Collins explicou isso de forma bem clara: "'Squonk' foi um destaque musical. Aquela sempre foi a nossa música à la Zeppelin, uma coisa meio 'Kashmir', meio 'When the Levee Breaks'. Quando você ouve, não soa exatamente assim, mas era isso que ela pretendia ser, com acordes pesados de guitarra e eu usando meu chapéu de John Bonham." A declaração dele, resgatada pela Far Out, mostra que a comparação não era sobre copiar o Led Zeppelin ao pé da letra, mas tentar chegar perto de uma sensação parecida de peso e grandiosidade.
Isso ajuda a ouvir a faixa com outros ouvidos. Quando Collins menciona "Kashmir" e "When the Levee Breaks", ele está falando de ambiência, de pulsação e de força. "Squonk" não soa como uma música do Zeppelin perdida no catálogo do Genesis. Continua sendo Genesis até a medula. Mas dá para perceber que havia ali uma vontade de empurrar a banda para uma região mais carregada, com guitarras mais fortes e bateria mais física.
Também é curioso notar como essa mudança aconteceu justamente num momento em que o grupo poderia ter desmoronado. Perder um frontman como Peter Gabriel não era pouca coisa. Em vez de transformar a crise em recuo, o Genesis respondeu com um disco seguro, inventivo e, em alguns momentos, mais agressivo do que muita gente esperava. "Squonk" acabou virando um dos sinais mais claros dessa virada.
Talvez por isso Phil Collins tenha guardado tanto apreço por ela. Não era só mais uma faixa do repertório. Era uma prova de que o Genesis conseguia seguir adiante, testar outra intensidade e ainda manter a própria identidade. Para uma banda tantas vezes vista como cerebral ou excessivamente refinada, "Squonk" serviu para lembrar que também havia peso ali. Não o mesmo do Black Sabbath ou do Led Zeppelin, claro, mas um peso à moda do Genesis, o que, no fim das contas, era muito mais importante.
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