A letra do Led Zeppelin que Plant passou a olhar de lado; "Uau, isso foi meio duvidoso"
Por Bruce William
Postado em 29 de abril de 2026
Quando o Led Zeppelin começou, Robert Plant ainda estava tentando entender qual seria exatamente o seu papel dentro daquela máquina montada por Jimmy Page. O primeiro álbum tinha muito blues, releituras e coisas que já vinham meio prontas em espírito, o que tornava o trabalho de letrista um pouco mais simples. Já no segundo disco, lançado em 1969, a banda começou a soar muito mais como ela mesma, e isso abriu espaço para Plant buscar imagens e assuntos que faziam mais sentido para ele do que simplesmente reciclar o velho enredo do sujeito abandonado pela mulher.
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Foi nesse contexto que nasceu "Ramble On", uma das faixas mais queridas de Led Zeppelin II. A música misturava estrada, romance e fantasia, com referências bem claras ao universo de J.R.R. Tolkien. Em vez de ficar preso apenas ao vocabulário tradicional do blues, Plant puxou para dentro do rock pesado um tipo de imaginação que passava por O Hobbit e O Senhor dos Anéis, algo que hoje parece natural no repertório do Zeppelin, mas que na época não era exatamente uma escolha óbvia.
O curioso é que, olhando para trás, o próprio Plant passou a tratar esse impulso com um certo desconforto. Em entrevista publicada na B102.7, ele comentou: "Meu grupo de contemporâneos estava escrevendo peças substanciais de comentário social, e eu estava vagando pelas fronteiras do País de Gales pensando em Gollum." Logo depois, completou: "Eu gostava do que fazia, mas agora olho para aquilo e penso: 'Uau, isso foi meio duvidoso'."
A autocrítica dele faz sentido dentro do clima da época. O fim dos anos 60 era um período em que muitos compositores tentavam responder diretamente ao ambiente político e social ao redor, enquanto Plant estava mais interessado em mitologia, viagem, paisagem e mistério. Para ele, anos depois, isso pareceu meio deslocado, quase como se estivesse olhando para outro lado enquanto seus pares tentavam dizer algo mais urgente sobre o mundo real.
Só que esse "desvio" também ajudou a construir a identidade do Led Zeppelin. "Ramble On" continua sendo adorada justamente por soar diferente, e por mostrar que a banda podia ser pesada sem abrir mão de imaginação, melodia e atmosfera. A presença de Gollum, Mordor e do "evil one" pode hoje parecer estranha ao próprio Plant, mas deu à música um caráter muito particular dentro do catálogo do grupo.
Também é bom lembrar que esse tipo de escrita não ficou congelado ali. Mais tarde, Plant encontraria outras formas de ampliar o alcance das letras, como em "Kashmir", onde a sensação de viagem, busca e deslumbramento aparece de maneira mais madura e menos ligada à fantasia literária. Mesmo assim, "Ramble On" segue de pé. Plant pode olhar para a letra com o canto do olho e achar que pesou a mão no Tolkien. O ouvinte, em geral, continua achando que aquilo funcionou muito bem.
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