Ritchie Blackmore aponta os três melhores guitarristas de todos os tempos
Por Bruce William
Postado em 27 de maio de 2026
Ritchie Blackmore nunca foi aquele tipo de músico que elogia colegas para manter o ambiente leve. Ao longo dos anos, ele falou mal de muita gente, fez comentários atravessados sobre guitarristas famosos e construiu uma reputação de sinceridade nada diplomática. Por isso, quando aparece uma lista de nomes que ele realmente admirava, ela ganha um peso diferente. Não parece cortesia de bastidor; parece uma exceção.
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Em entrevista à Hit Parader em 1985, recuperada pelo Rock and Roll Garage, Blackmore foi perguntado sobre guitarristas que admirava e respondeu sem abrir muito o leque. "Não há muitos. Jeff Beck é uma escolha óbvia porque ele ainda é muito consistente. Ele pode lançar um álbum a cada dois anos, mas quando lança, é sempre bom. Suponho que você poderia dizer que sou mais ligado à velha escola de guitarristas, simplesmente porque não ouvi muitos novos que eu admire particularmente. Edward Van Halen é bom, embora tenda a ser meio errático. Schenker também tem ótimas melodias na cabeça."
Jeff Beck era o nome mais constante nessa admiração. Blackmore contou que ouviu "Shapes of Things", dos Yardbirds, quando estava em Hamburgo, e ficou impressionado com o que Beck fazia na guitarra. "Meu Deus, quem diabos é esse? Isso não deveria ser permitido. É bom demais", lembrou. Em outra fala, foi ainda mais claro: Beck sabia fazer uma nota soar, sua alma aparecia no timbre e nas notas, e era seu guitarrista favorito.
A relação dos dois também tinha um lado curioso. Blackmore disse que Beck "trapaceava" na guitarra porque parecia ter notas que ele próprio não tinha em seu instrumento. Era uma brincadeira, claro, mas apontava para algo real: Beck tinha uma maneira muito pessoal de tirar som, menos baseada em frases prontas e mais em controle de toque, alavanca, microtons e tensão. Para Blackmore, que também sempre teve obsessão por identidade sonora, isso contava muito.
Eddie Van Halen entrava em outro lugar. Em 1985, Blackmore ainda o definiu como "bom", mas com tendência a ser "errático". Depois da morte de Eddie, em 2020, o elogio ficou muito mais amplo. Blackmore o chamou de "guitarrista brilhante" e disse que ele iniciou uma técnica imitada por uma geração inteira. Também o descreveu como um dos músicos mais gentis que conheceu no meio, tímido e nada convencido sobre a própria habilidade. "Frank Zappa disse que [Eddie] reinventou a guitarra. Eu concordo", afirmou.
Em 2026, Blackmore voltou a comentar Eddie em termos parecidos, lembrando que ele era muito humilde e chegava a aparecer no camarim dizendo algo como "você não quer falar comigo, porque eu não sou ninguém". Para Blackmore, Eddie "reinventou basicamente a guitarra" com sua técnica de hammer-on. É interessante porque o próprio Blackmore, vindo de outra escola, não parecia fascinado apenas pela velocidade ou pela exibição. O que o pegava era a capacidade de abrir um caminho que outros guitarristas passariam anos tentando seguir.
O terceiro nome citado foi "Schenker", e o mais provável é que Blackmore estivesse falando de Michael Schenker, guitarrista que marcou a história do UFO e passou também pelo Scorpions. A pista está no tipo de elogio: "ótimas melodias na cabeça". Schenker nunca foi apenas um guitarrista de notas rápidas; seu estilo sempre teve um lado melódico muito forte, com solos que pareciam canções dentro das canções, especialmente em discos clássicos do UFO como "Phenomenon", "Force It" e "Lights Out."
Há ainda uma ironia boa nessa conexão. Michael Schenker foi convidado para entrar no Deep Purple nos anos 90, depois da saída de Blackmore, antes de Joe Satriani ocupar temporariamente a vaga. Ele recusou, como também recusou convites de outras bandas grandes, alegando em diferentes entrevistas que não queria ocupar o lugar de outra pessoa e preferia seguir sua própria música. Ou seja: um guitarrista admirado por Blackmore também não parecia muito interessado em viver à sombra de outro guitarrista.
A pequena lista diz bastante sobre o próprio Blackmore. Beck representava o toque e a personalidade sonora; Eddie, a ruptura técnica que mudou a guitarra elétrica; Schenker, a força melódica dentro do hard rock. Três guitarristas muito diferentes entre si, unidos por uma coisa que Blackmore parecia valorizar acima da perfeição limpa: identidade. Para ele, tocar bem não era apenas acertar nota. Era fazer alguém ouvir poucos segundos e saber que só poderia ser aquela pessoa.
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