Porque Eddie não queria que o Van Halen se envolvesse com o heavy metal
Por Bruce William
Postado em 25 de maio de 2026
Eddie Van Halen nunca pareceu confortável com rótulos muito fechados. O Van Halen era uma banda de rock pesado, tinha riffs fortes, volume, solos explosivos e ajudou a definir muito do hard rock que dominaria os anos 80. Mas, para Eddie, colocar o grupo dentro da gaveta do heavy metal era uma forma preguiçosa de reduzir aquilo que eles faziam.
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A questão não era desprezo pelo metal. Eddie admirava bandas pesadas, gostava de Black Sabbath e mais tarde se aproximou de Tony Iommi. O incômodo vinha da ideia de que o Van Halen fosse apenas parte de uma fórmula. Desde o primeiro álbum, em 1978, a banda tinha peso, mas também tinha swing, humor, festa, pop, blues, virtuosismo e uma leveza que a separava de nomes como Black Sabbath, Judas Priest ou outras bandas mais diretamente associadas ao heavy metal tradicional.
Em uma entrevista recuperada pela Far Out, Eddie reclamou justamente desse tipo de classificação. "A razão pela qual acho que estamos acontecendo é porque somos uma das únicas bandas reais por aí. Tocamos boa música - ou pelo menos eu acho. Metade dos críticos acha que é aquela porcaria de 'thud rock'. Eles nos rotulam como heavy metal ultrapassado. Me diga uma banda de heavy metal que fez o que fizemos. Parece que estou me gabando, mas não quero dizer dessa forma."
A fala faz sentido quando se pensa no impacto do Van Halen naquele período. "Eruption" não soava como algo comum no rock de 1978. O tapping, o timbre, os harmônicos, a velocidade e a forma como Eddie tratava a guitarra criaram uma nova linguagem para muita gente. Ao mesmo tempo, músicas como "Ain't Talkin' 'Bout Love", "Runnin' with the Devil" e "Jamie's Cryin'" não pareciam interessadas em sustentar uma aura sombria ou ameaçadora. O Van Halen era pesado, mas também sorria enquanto tocava.
Essa diferença ficou ainda mais clara nos discos seguintes. "Fair Warning", de 1981, talvez seja um dos álbuns mais escuros e estranhos da banda, mas mesmo ali o Van Halen não se comportava como uma banda de metal convencional. Eddie puxava influências de Allan Holdsworth, mexia com harmonias tortas, mudava texturas e parecia muito mais preocupado em criar uma identidade própria do que em obedecer a um gênero.
A ironia é que, mesmo rejeitando o rótulo, Eddie acabou influenciando diretamente boa parte da cena que seria associada ao hard rock e ao chamado hair metal. David Lee Roth virou modelo para uma geração de vocalistas espalhafatosos, enquanto guitarristas do mundo inteiro tentaram copiar a técnica, o som e a atitude de Eddie. Ele podia não querer ser definido por aquilo, mas muita gente usou o Van Halen como manual de instruções.
Talvez o ponto esteja justamente aí. Eddie não queria que o Van Halen fosse visto como uma banda presa ao heavy metal porque, para ele, aquilo era pequeno demais. O grupo tinha peso, mas também tinha groove, malícia, refrão, exagero e vontade de transformar cada show em uma festa elétrica. Em vez de entrar em uma categoria já pronta, o Van Halen acabou criando um problema para quem tentava classificá-lo.
Eddie viveu algo parecido com outros músicos que ajudaram a mudar o rock sem pedir para inventar um rótulo. Tony Iommi nunca pareceu muito preocupado em "fundar o heavy metal", mas o mundo colocou essa conta em seu nome. Eddie também queria apenas tocar do seu jeito, abrir caminhos e não repetir a mesma fórmula para sempre. O problema é que, quando alguém muda tanto a guitarra elétrica, o resto da cena corre atrás - mesmo que ele não queira carregar a plaquinha do gênero no peito.
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