Canal gringo esmiúça "Carolina IV" do Angra: "Tem todos os instrumentos aqui!"
Por Gustavo Maiato
Postado em 28 de julho de 2026
"Carolina IV" é uma das faixas mais ambiciosas do início da carreira do Angra. Lançada em "Holy Land", de 1996, a composição de quase 11 minutos mistura power metal, elementos progressivos, percussões e referências brasileiras. A música foi analisada pelo baixista Mark Michell, apresentador do canal Low End University, que se mostrou impressionado com a quantidade de ideias reunidas pelo grupo.
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Michell contou que já conhecia algumas músicas do Angra, mas tinha maior familiaridade com fases posteriores da banda. Também acompanha há anos o trabalho de Felipe Andreoli e Kiko Loureiro e chegou a excursionar ao lado de Aquiles Priester na banda de Tony MacAlpine. Ao encarar "Carolina IV", porém, encontrou uma formação anterior e uma sonoridade que ainda não havia explorado profundamente. "Isso é bem épico. Que construção épica. É um lado completamente diferente deles que eu realmente não tinha ouvido", comentou.
Durante a análise, o baixista destacou as várias camadas presentes na composição, passando pelas harmonias vocais, flauta, sintetizadores, piano e diferentes instrumentos de percussão. O que mais chamou sua atenção foi a maneira como o Angra conciliou a complexidade do metal progressivo com elementos mais orgânicos. "Eles levaram o som para essa coisa mais moderna, técnica, de power metal e metal progressivo. Então, misturar essas duas coisas é brilhante. Eu gosto muito disso", afirmou Michell.
A percussão ganhou atenção especial. Segundo o apresentador, esses elementos ajudam a equilibrar uma música carregada de mudanças harmônicas e arranjos técnicos. "Isso faz todo o arranjo parecer muito terreno, muito vivo, muito cru", disse. Michell considerou ainda que essa escolha pode representar uma referência às raízes culturais brasileiras dentro da proposta do Angra, justamente uma das características marcantes de "Holy Land".
A quantidade de instrumentos também surpreendeu o baixista conforme a faixa avançava. Depois de identificar piano, cordas, flauta, metais e percussões em diferentes momentos, ele brincou: "Tem todos os instrumentos já criados nessa música? Estou começando a achar que sim. Isso é ótimo. Isso é muito legal. Que jornada essa música já me proporcionou". A reação veio antes mesmo do encerramento da composição.
Kiko Loureiro também recebeu elogios durante a audição. Michell destacou principalmente a expressividade dos bends do guitarrista e relacionou essa característica ao trabalho que ele faria décadas depois no Megadeth. "Há tanta emoção e expressividade. Dá para entender por que ele se encaixou no Megadeth. Tem um pouco daquela coisa do Marty Friedman. Há tanta emoção em um único bend", explicou.
Ao terminar a análise, Michell ressaltou que a longa duração de "Carolina IV" não significa uma simples sequência de riffs desconectados. Para ele, o Angra apresenta ideias, parte para caminhos diferentes e depois recupera temas anteriores, criando unidade ao longo da composição. "É isso que eu gosto nas músicas longas de metal progressivo. Elas são sempre escritas com muita intenção e propósito", afirmou.
A experiência também fez o baixista reconhecer que ainda precisa explorar melhor os primeiros anos do Angra. "Havia tantas coisas nessa música que eu nem sabia que eles exploravam. Tantos lados diferentes do som deles", resumiu. Para Michell, os quase 11 minutos de "Carolina IV" acabaram funcionando como uma introdução ao que a banda brasileira já era capaz de fazer naquela fase da carreira.
Confira o vídeo completo abaixo.
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