Os dois clássicos do rock que Ian Anderson do Jethro Tull acha genéricos demais
Por Gustavo Maiato
Postado em 05 de outubro de 2026
Desde o fim dos anos 1960, o Jethro Tull construiu uma trajetória que raramente coube nas prateleiras convencionais do rock. A banda nasceu no blues, como tantos contemporâneos britânicos, mas logo enveredou por flautas, trocas de figurino, referências de música clássica e álbuns conceituais. Para o líder Ian Anderson, essa inquietação nunca foi acaso: foi uma escolha consciente para escapar da monotonia que ele enxergava em nomes consagrados do gênero.
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Em entrevista à revista Louder, o vocalista e flautista apontou sem rodeios os alvos da comparação: The Rolling Stones e The Who. Segundo Anderson, o grupo sempre preferiu correr riscos, mesmo à custa de alguns tropeços, a se acomodar numa fórmula segura que garantisse estabilidade. A declaração resume a filosofia que guiou o Tull por mais de cinco décadas.
"Ao longo de todos esses anos, o Jethro Tull se esforçou bastante. Algumas pessoas podem dizer que nos esforçamos demais, mas é melhor fazer isso e dar com a cara no chão de vez em quando do que ficar confortavelmente recuando só para manter tudo em equilíbrio. Eu ficaria inquieto se fizesse música genérica como a dos Stones ou mesmo a do The Who."
A avaliação, porém, não passa sem contestação. A própria Far Out pondera que os Stones saíram da zona de conforto em "Their Satanic Majesties Request", disco mergulhado na psicodelia e mal recebido na época, o que pode ter afastado Mick Jagger de novas experiências. No caso do The Who, o site defende que Pete Townshend usou faixas longas e narrativas, como "A Quick One While He's Away", para ampliar o rock, contribuição que mereceria figurar entre as bases do progressivo ao lado do King Crimson.
O exemplo mais claro da postura de Anderson é "Thick as a Brick", álbum formado por uma única composição que ocupa os dois lados do vinil. Pensado em parte como piada contra discos conceituais pretensiosos, ele precisou ser exatamente um deles para a ironia funcionar. A Far Out admite que o músico tem razão em parte, já que Stones e The Who teriam passado os últimos anos reciclando a própria sonoridade, enquanto o Tull, mesmo com deslizes como "J-Tull Dot Com", nunca entregou um disco inteiramente previsível.
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