O metal do Angra respira: Alírio Netto e banda em noite iluminada.
Resenha - Angra (Araújo Vianna, Porto Alegre, 27/09/2026)
Por Igor Assunção
Postado em 28 de setembro de 2026
Nesse domingo, 27 de setembro, assisti ao show do Angra aqui em Porto Alegre e, cara, fazia tempo que eu não via um show tão foda deles. Se tu não foi, talvez esteja te perguntando por que tanta gente está falando dessa turnê. Pra mim, boa parte da resposta tem nome: Alírio Netto.
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Alírio segurou o show como o grande frontman que é. Mandou os agudos lá em cima sem perder a pressão, não tirou o pé na hora de acelerar com os drives vocais e conseguiu trazer à tona a essência de músicas de fases bem diferentes da banda. Teve momento ao piano, com o Rafa acompanhando no violão, mas foi no show inteiro que ele mostrou, sem dó, que a escolha feita pelo Angra foi acertada.
A proposta era celebrar os 30 anos de Holy Land, tocado na íntegra, de "Crossing" a "Lullaby for Lucifer". Mas o show foi além do disco. Depois vieram "Angels and Demons", "Stand Away", as duas partes de "Tide of Changes", "Carry On", "Rebirth" e até "Wuthering Heights". Um repertório que exige muito de qualquer vocalista, mas que, naquela noite, caiu nas mãos de um Alírio que parecia naturalmente pronto para o papel.
Parabéns pela escolha. Mas demorou, hein, Angra? Essa parceria estava caindo de madura fazia horas. Enfim, antes tarde do que mais tarde.
E não foi só Alírio que estava inspirado. Bruno Valverde, Marcelo Barbosa, Felipe Andreoli, Rafael Bittencourt e Guga Machado, na percussão, também estavam brilhando. O pau pegando na cozinha, as guitarras ardendo na meiuca, Guga trazendo ainda mais swing brasuca para as músicas e a banda tocando tudo com uma força absurda. Uma combinação muito foda de se ver.
O bom público que esteve presente em um final de domingo úmido e modorrento na capital gaúcha sentiu isso também e comprou a ideia. Cantou junto em boa parte do show, entrou nas brincadeiras da banda e ainda puxou aquele "Olê, olê, olê, olê, Angra! Angra!".
E como é bom ver o Rafa feliz, curtindo aquelas composições emocionantes enquanto a banda entrega tudo com um flow massa e uma execução brutal. E, claro, fazendo suas dancinhas ridículas. Nós amamos elas, Rafa. Não pare!
Felipe tocou com a técnica e a precisão de sempre, embora tenha me parecido mais fechado no canto dele. Entre os outros, a sensação era de uma conexão muito boa. O metal comendo solto e todo mundo ali sorrindo, interagindo, curtindo estar ali.
Era a noite de curtir o 30º aniversário do álbum Holy Land, de 1996, mas virou uma coisa muito maior que isso. Virou uma celebração às grandes músicas do grupo, que há muito tempo não eram interpretadas à altura.
Teve teatralidade, vídeos imersivos, teve clássicos e até coisas inesperadas. Em um repertório que só foi possível apresentar por causa da extensão, potência e técnica do novo canário do Angra e de uma banda em noite iluminada.
Que bom que esse time finalmente aconteceu. Tomara que renda muitos frutos irados pra gente poder continuar curtindo essa vibe com eles.
Demorou. Mas foi muito bom ouvir o heavy metal do Angra respirar.
No palco: Alírio Netto, Bruno Valverde, Felipe Andreoli, Guga Machado, Marcelo Barbosa e Rafael Bittencourt.
SETLIST - ANGRA | TURNÊ DE 30 ANOS DE HOLY LAND
Araújo Vianna, Porto Alegre - 27/09/2026
Crossing
01. Nothing to Say
02. Silence and Distance
03. Carolina IV
04. Holy Land
05. The Shaman
06. Make Believe
07. Z.I.T.O.
08. Deep Blue
09. Lullaby for Lucifer
10. Angels and Demons
11. Stand Away
12. Tide of Changes – Part I
13. Tide of Changes – Part II
14. Wuthering Heights
15. Waiting Silence
16. Carry On
17. Rebirth
BIS
In Excelsis
18. Nova Era
Gate XIII
Igor Assunção é músico, cantor, guitarrista, compositor e formado em Comunicação. Trabalha com shows desde 2011 - da graxa à produção - e, desde 2016, também cria conteúdo, vídeos e estratégias de comunicação e marketing para artistas, shows e eventos culturais. Escreve sobre shows com o olhar de quem já esteve no palco, nos bastidores e no meio do público.
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