A lenda nordestina que é o Van Halen brasileiro, segundo Rafael Bittencourt
Por Gustavo Maiato
Postado em 29 de setembro de 2026
O guitarrista Luciano Magno participou do Amplifica, programa de Rafael Bittencourt. Nascido em Paulo Afonso, na Bahia, e radicado no Recife, Luciano é uma das principais referências da guitarra no frevo. A conversa passou por histórias com Dominguinhos, demonstrações de ritmos nordestinos e bastidores de estúdio. Em certo momento, chegou a uma pergunta que Rafael já teve de responder: quem seria o Van Halen do Brasil.
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O assunto surgiu de um debate sobre a desvalorização da cultura brasileira. Rafael contou ter ouvido que parte da nova geração de Exu, no sertão pernambucano, não saberia quem foi Luiz Gonzaga, nem que o sanfoneiro era da cidade. Ele mesmo ressalvou que não sabe se a informação é verdadeira. Foi a deixa para relembrar a pergunta sobre o Van Halen brasileiro e a resposta que deu na época, com um nome que costuma passar longe das conversas sobre guitarra.
"Quando uma vez me perguntaram quem é o Van Halen brasileiro, eu falei: Luiz Gonzaga. A guitarra é um instrumento americano, e a linguagem do forró, do baião e tudo mais que ele trouxe para o acordeon é muito mais brasileira do que a guitarra. Você tem que colocar num outro contexto. No contexto do Brasil, o nosso virtuoso criador de músicas, melodista, com uma linguagem própria do jeito de tocar e com relevância nacional, é o Luiz Gonzaga."
Com o tempo, porém, a resposta mudou. Rafael disse que hoje escolheria Dominguinhos, discípulo de Gonzaga no acordeon, pelas mesmas razões, com um critério extra na balança. "Hoje eu falo do Dominguinhos por conta dessa coisa: o Van Halen era super virtuoso, e o Dominguinhos também", explicou. Luciano, que gravou cinco discos com Dominguinhos, não contestou a troca. Ele preferiu olhar para o outro lado da comparação e destacar o papel de Gonzaga como construtor de uma identidade.
"Luiz Gonzaga foi um desbravador. Ele entendeu o conceito de criar uma imagem, como representar um povo. Ele passou um tempão no Rio de Janeiro tocando nas boates e aprendendo choro, polcas, maxixes. Eu acho que seria até obrigatório, seria uma das fontes de referência, principalmente na música popular, porque ele tem composições sensacionais que já englobam essa coisa dos modos para a gente que toca guitarra", afirmou o guitarrista.
Para provar o ponto, Luciano mostrou na guitarra como o modo mixolídio e o lídio dominante aparecem no baião. Mais adiante, lembrou que Gonzaga já usava o instrumento em estúdio e tocou um riff de rock com harmonia de blues como exemplo. "Eu vejo hoje muita gente que fica com a cabeça muito fechada: 'Ah, não pode ter isso, não pode ter aquilo'. Luiz Gonzaga já gravava com guitarra nos anos 70", disse.
Confira o vídeo completo abaixo.
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