Os 4 pilares do Angra que IA precisaria entender pra compor igual, segundo Marcelo Barbosa
Por Gustavo Maiato
Postado em 30 de setembro de 2026
Toda banda com décadas de estrada acaba desenvolvendo uma espécie de impressão digital, algo que o público reconhece antes mesmo de entender o que é. No Angra, essa marca vai além da mistura de heavy metal, música clássica e ritmos brasileiros que consagrou o grupo. Ela está escondida na harmonia, em um acorde que, segundo o guitarrista Marcelo Barbosa, aparece em pelo menos três músicas de cada álbum da banda.
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A explicação surgiu no programa Além da Ciência, quando o apresentador Sérgio Sacani perguntou o que uma inteligência artificial precisaria entender para compor algo que soasse como o Angra. Marcelo citou primeiro os quatro pilares do som da banda, depois os vícios de composição herdados de Andre Matos e Rafael Bittencourt:
"Primeiro, quais são os pilares que permeiam a maioria das músicas, que eu acho que seria essa coisa da música brasileira, da música clássica, do heavy metal e do prog. Acho que são essas quatro coisas. E tem uns cacoetes de harmonia que eu acho que são do Andre e do Rafael. Tem algumas sequências harmônicas, ou acordes específicos, que aparecem em muitas músicas e que não são comuns no heavy metal."
Em seguida, o guitarrista entrou na parte técnica. Ele usou como exemplo o tom de ré menor, em que o segundo acorde seria, pela regra, um mi meio diminuto. No Angra, esse acorde costuma ser substituído por um mi bemol maior, meio tom abaixo. "Esse acorde é um empréstimo modal, vem do modo frígio. Cada disco tem pelo menos umas três músicas que têm esse acorde, e ele é bem Angra", explicou. Empréstimo modal é quando o compositor toma um acorde de outra escala para colorir a harmonia.
O recurso é tão recorrente que já incomodou o próprio Rafael, segundo Marcelo. Ele também descreveu a sensação que o acorde provoca em quem ouve:
"Uma vez, conversando com o Rafael, ele falou: 'Cara, isso às vezes me incomoda, porque é bonito, eu acho muito bonito, mas eu já usei tanto...'. As pessoas, quando ouvem isso, mesmo sem saber o que é, sentem. É como se fosse uma resolução retardada. É como se estivesse preparando para um lugar e, em vez de ir para ele, vai para perto, mas não é ainda, e depois vai."
Para Marcelo, o recurso nasceu de forma natural, pela formação acadêmica de Rafael, que domina harmonia de estilos como o jazz e a música brasileira. Alírio Netto destacou outra consequência dessa escrita: "Tem uma coisa que funciona em todas as músicas do Angra. Se você pega a cifra e senta no piano, no violão, as músicas são muito tocáveis. Não interessa se ela é rápida. Todas as músicas do Angra permitem isso, porque as harmonias são muito bonitas, muito interessantes".
Confira o vídeo completo abaixo.
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