Metallica: A biografia de Cliff Burton por Joel Mciver
Por Ricardo Bellucci
Postado em 21 de outubro de 2020
Cliff Burton não foi apenas um grande baixista. Não, foi acima de tudo um ser humano autêntico, verdadeiro, sincero. Como é possível chegar a essa conclusão? Não, realmente não o conheci, a não ser como músico, apenas ouvindo suas obras. Mas a biografia de Joel Mciver nos permite traçar um retrato fiel da personalidade do baixista do Metallica.
A obra possui uma particularidade bastante interessante: o autor é músico, no caso baixista. Isso permite a Joel Mciver escrever de a partir de um duplo ponto de vista, analisando a virtuosidade de Cliff, a construção de seu domínio técnico do instrumento desde tenra idade até a maturidade alcançada anos mais tarde no Metallica. Cada faixa onde Cliff participou é analisada de forma meticulosa, crítica, sem não obstante, se tornar enfadonha para o leitor não iniciado em teoria musical. É possível perceber a destreza, o domínio técnico sendo "burilado" ao longo da carreira do músico. Cliff era extremamente dedicado ao instrumento, chegando a estudar, diariamente, entre 6 e 8 horas, o seu instrumento. Essa tenacidade ampliou rapidamente sua destreza, ele rapidamente superava seus. Essa dedicação, juntamente com sua a ampla inteligência, outra característica marcante de Burton, lhe proporcionaram um crescimento vertiginoso em termos de domínio do baixo. Outro dado interessante, levantado por Mciver é o gosto eclético de Cliff, indo do R.E.M., passando pelo Clássico, pelo Jazz até os Misfits. Esse gosto eclético permitiu a Cliff não ficar preso, amarrado a nenhum estilo, ampliando seus recursos como músico. Cliff era também um leitor voraz, fato esse que lhe proporcionou uma ampla bagagem cultural, sendo importante nos instantes de composição das músicas e letras elaboradas por ele.
Outro ponto forte da obra de Mciver é a intensa pesquisa realizada sobre a vida de Cliff. Entrevistou dezenas de pessoas, das mais próximas de Cliff, desde os pais, e a sua namorada e os amigos mais próximos até os colegas de banda, empresários e produtores. Essa enorme gama de material permitiu a Mciver traçar um retrato bastante fiel do biografado, enfatizando sua extrema honestidade, característica marcante de Cliff. Ao ler as páginas é nítida a preocupação de Cliff em manter uma vida "pés no chão", ser autêntico e fiel aos seus ideais e valores. Sua ética era talvez o traço mais marcante. Seu estilo autêntico, despojado, honesto, com toda a certeza influenciou a banda, além, é claro o seu enorme talento musical. Muito do que o Metallica foi como banda, nos anos iniciais, se deve não apenas ao talento de Cliff, mas sobretudo a sua visão de mundo. É interessante pensar como seria o Metallica hoje, se Cliff ainda estivesse entre nós.
A sensação clara e nítida que temos é que a sua morte precoce significou não apenas uma trágica perda para a sua família e a banda (que levou anos para se refazer da tragédia), mas também para todo o universo musical. Cliff não era apenas um jovem dono de um imenso talento musical, mas era, sobretudo, um ser humano único. Você deixou saudades Cliff, em todos nós!
Cliff Burton
A vida e a morte do baixista do Metallica
Joel Mciver
Ed. Gutenberg
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