Metallica: A biografia de Cliff Burton por Joel Mciver

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Por Ricardo Bellucci
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Cliff Burton não foi apenas um grande baixista. Não, foi acima de tudo um ser humano autêntico, verdadeiro, sincero. Como é possível chegar a essa conclusão? Não, realmente não o conheci, a não ser como músico, apenas ouvindo suas obras. Mas a biografia de Joel Mciver nos permite traçar um retrato fiel da personalidade do baixista do Metallica.

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A obra possui uma particularidade bastante interessante: o autor é músico, no caso baixista. Isso permite a Joel Mciver escrever de a partir de um duplo ponto de vista, analisando a virtuosidade de Cliff, a construção de seu domínio técnico do instrumento desde tenra idade até a maturidade alcançada anos mais tarde no Metallica. Cada faixa onde Cliff participou é analisada de forma meticulosa, crítica, sem não obstante, se tornar enfadonha para o leitor não iniciado em teoria musical. É possível perceber a destreza, o domínio técnico sendo "burilado" ao longo da carreira do músico. Cliff era extremamente dedicado ao instrumento, chegando a estudar, diariamente, entre 6 e 8 horas, o seu instrumento. Essa tenacidade ampliou rapidamente sua destreza, ele rapidamente superava seus. Essa dedicação, juntamente com sua a ampla inteligência, outra característica marcante de Burton, lhe proporcionaram um crescimento vertiginoso em termos de domínio do baixo. Outro dado interessante, levantado por Mciver é o gosto eclético de Cliff, indo do R.E.M., passando pelo Clássico, pelo Jazz até os Misfits. Esse gosto eclético permitiu a Cliff não ficar preso, amarrado a nenhum estilo, ampliando seus recursos como músico. Cliff era também um leitor voraz, fato esse que lhe proporcionou uma ampla bagagem cultural, sendo importante nos instantes de composição das músicas e letras elaboradas por ele.

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Outro ponto forte da obra de Mciver é a intensa pesquisa realizada sobre a vida de Cliff. Entrevistou dezenas de pessoas, das mais próximas de Cliff, desde os pais, e a sua namorada e os amigos mais próximos até os colegas de banda, empresários e produtores. Essa enorme gama de material permitiu a Mciver traçar um retrato bastante fiel do biografado, enfatizando sua extrema honestidade, característica marcante de Cliff. Ao ler as páginas é nítida a preocupação de Cliff em manter uma vida "pés no chão", ser autêntico e fiel aos seus ideais e valores. Sua ética era talvez o traço mais marcante. Seu estilo autêntico, despojado, honesto, com toda a certeza influenciou a banda, além, é claro o seu enorme talento musical. Muito do que o Metallica foi como banda, nos anos iniciais, se deve não apenas ao talento de Cliff, mas sobretudo a sua visão de mundo. É interessante pensar como seria o Metallica hoje, se Cliff ainda estivesse entre nós.

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A sensação clara e nítida que temos é que a sua morte precoce significou não apenas uma trágica perda para a sua família e a banda (que levou anos para se refazer da tragédia), mas também para todo o universo musical. Cliff não era apenas um jovem dono de um imenso talento musical, mas era, sobretudo, um ser humano único. Você deixou saudades Cliff, em todos nós!

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Cliff Burton
A vida e a morte do baixista do Metallica
Joel Mciver
Ed. Gutenberg


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