Lóchrann: entrevista com o fundador do projeto
Por Gabriel Chiconi
Fonte: A Vitrola Mecatrônica
Postado em 04 de dezembro de 2016
A onda de folk pagão da última década trouxe dezenas de músicos à existência. Evocar a natureza e a fantasia é uma febre resistente aos remédios comuns – especialmente quando até a grande mídia usa a renascença folk para inovar o mercado. Embora em algumas regiões do mundo o ‘boom’ do folk pagão – e paganismo em geral – seja algo que já dura uns 20, 30 anos, a internet e a alta da mitologia e da fantasia ajudam a captar novos fãs tanto para as bandas novas como para as antigas. Inspirado em Tuatha de Danann e Eluveitie, o Lóchrann cria homenagens à cultura celta com um toque pessoal valioso.
Quando Cruachan se inspirou em Skyclad e as duas bandas traçaram a trilha do que viria a ser folk metal, eles trouxeram consigo o lado mais "kvlt" do metal e acoplaram o tin whistle irlandês. Muitos instrumentos folk se uniram a guitarra e bateria desde então. Na mesma época, a cena de rock medieval começava a engatinhar na Alemanha; Bathory e Blind Guardian já usavam guitarra acústica e abordavam temas mitológicos, históricos e fantásticos; os britânicos The Pogues, uma década mais cedo, uniram o punk rock, o fiddle, o bandolim, o tin whistle e o acordeão e inspiraram Flogging Molly e Dropkick Murphys; no Brasil, Angra criou o álbum inspirado em folclore brasileiro Holy Land e a banda mineira Tuatha de Danann já marca 20 anos de carreira tocando exclusivamente folk metal.
E com essa tendência se criando, nem todos esses projetos conseguiram manter um som original. É uma tarefa difícil, que exige conhecimento musical vasto e muito talento. Inspirado na cultura celta, no folk irlandês, no metal, no punk e até no bluegrass para deixar sua marca, Renato "Gordo" dos Santos fundou o Lóchrann em 2006, na cidade de Campinas.
Ao longo dos anos, a banda criou algumas das músicas que viriam a fazer parte do seu primeiro álbum, Townsfolk, publicado esse ano no Spotify e no YouTube.
"A minha porta de entrada pro mundo do folk metal foi o Tuatha. Até hoje acho eles uma das melhores bandas de folk que já existiram. Descobri eles em 2004, fuçando pela internet – eles tinham acabado de lançar o Trova di Danú, aí li uma resenha num blog e ouvi até morrer."
A Lóchrann já tocou com grandes nomes do folk metal, como Eluveitie, Arkona, Skyforger e Cruachan. "Campinas foi o lugar em que a gente menos tocou. De 2007 a 2010, tocamos muito em São Paulo, Curitiba, Santa Catarina e Minas," conta o líder do projeto. Ele se impressiona até hoje com a base de fãs que a banda conquistou.
"Era um negócio muito louco, chegar no show e ver que a galera sabia cantar as músicas [do Lóchrann]. Tipo, a gente era pequeno, manja?"
No entanto, a vida de turnês exige dedicação e tempo, e nem sempre o retorno é rápido. Gordo comentou as dificuldades que seu projeto enfrentou a partir de 2011. "Passamos uns tempos tocando em Sampa, abrindo alguns shows grandes, mas não dava pra marcar com frequência porque a banda nunca estava consolidada." A banda entrou em hiato em 2012, mas retornou aos palcos em 2014. Alguns dos músicos que tocaram ao vivo com o Lóchrann nessa época fazem parte da banda nos dias atuais, como o violinista Mário Bouth e o guitarrista Leonardo Salvador.
"Muita gente que ouvia a gente na época ativa hoje nem escuta mais folk metal, então perdemos, tipo, 60% dos fãs […] A parte boa é que a galera que estava saturada de tanto que tocávamos na época acabou sentindo nossa falta […] Muita gente conheceu o álbum e veio perguntar se a banda era nova."
O baterista também contou ao Vitrola que compôs a instrumentação inteira do Townsfolk, e contou com a participação dos atuais membros do Lóchrann Vainus e Téo nos vocais e Mário no violino. Entre as participações especiais, a banda contou com Renan Alonso (baixo em "Faerie’s Den" e "All Along the Watchtower"), Cauê Pittori (guitarra solo), Ricardo Amaro da Taberna Folk (gaita-de-foles em "Goragon, Keen’s Hammer"), e os vocalistas Rafael Penna ("Pagan Pride"), Rogério Malgor da Skaldic Soul ("Red Storm"), Sebastian Jansen da SuidAkrA ("Faerie’s Den"), Tom Englund da Evergrey ("Summer Breeze") e Talita Harumi ("All Along the Watchtower").
O álbum tem uma grande variedade sonora, embora mantenha os temas principais sempre ao alcance da mão. Townsfolk conta com faixas puramente folk como "Cúchulainn" e "Faerie’s Den" e músicas pesadas como o conto "Goragon, Keen’s Hammer". "Strong" é a fusão de Motörhead com The Dubliners. A banda também regravou a antiga canção irlandesa "Mick Maguire" e uma "All Along the Watchtower" com vocal feminino e fiddle misturado às guitarras. A única crítica que fica saliente é ao inglês das letras, que merece um polimento, mas não chega a embaçar a mensagem dos poemas, que contam a história da terra fictícia de Lóchrann.
Quando o Vitrola pediu que Renato indicasse uma música, nos ofereceu "Meaningless", do Pain of Salvation, e "Lightning Storm", do Flogging Molly.
Com o lançamento do álbum, eles já fecharam um contrato mensal para shows acústicos em Campinas e têm data marcada no Thorhammerfest 2017, no dia 15 de novembro em São Paulo. Renato lamenta a dificuldade para agendar outras participações da banda, já que tem que desembolsar para contratar músicos freelancers para tocar ao vivo. "A grande barreira para marcarmos shows é o fato de que os produtores não querem pagar um cachê decente para bandas autorais."
A banda é composta por Téo (vocais), Mário (violino), Vainus (vocais e guitarras), Leonardo (guitarras), Heitor (baixo), Renato "Gordo" (bateria e teclados) e Bruno (flautas e banjo). A banda pode ser encontrada no Facebook. Townsfolk ainda não foi lançado em forma física devido a dificuldades financeiras.
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