5 bandas de abertura que roubaram o show e deixaram artistas gigantes sem saber o que fazer
Por Bruce William
Postado em 11 de maio de 2026
O cartaz de um show costuma vender uma hierarquia simples: primeiro vem quem esquenta o público, depois entra a atração principal. Na prática, o palco nem sempre respeita essa ordem. Há noites em que a banda escalada para abrir chega tão acesa que muda o clima do evento, toma a plateia para si e deixa o nome maior com uma pergunta incômoda nos bastidores: o que fazer depois disso?
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A Far Out reuniu alguns casos em que essa inversão ficou famosa. Não se trata apenas de uma banda nova "promissora" tocando antes de alguém mais conhecido. Em alguns episódios, a atração principal era gente do tamanho de Rolling Stones, The Who, Bob Dylan ou Van Halen. Mesmo assim, o impacto de quem veio antes foi suficiente para mexer com a segurança de artistas que, em tese, já estavam no topo da cadeia alimentar do rock.
Um dos exemplos mais conhecidos aconteceu no T.A.M.I. Show, em 1964. James Brown e os Famous Flames fizeram uma apresentação curta, de cerca de 18 minutos, mas com uma intensidade que virou parte da mitologia do evento. O problema é que os Rolling Stones tinham que entrar depois. A história costuma ser lembrada com Mick Jagger intimidado nos bastidores, a ponto de Marvin Gaye ter ido ao camarim para encorajá-lo a subir no palco e fazer o melhor que pudesse.
Jagger depois reconheceu a influência de Brown em sua própria formação como performer. "Uma influência enorme", disse ele. "Não eram apenas os movimentos que ele fazia - era a energia que ele colocava naquilo, que era incrível." Keith Richards também não suavizou muito a lembrança: para ele, aceitar tocar depois de James Brown naquele dia foi um dos grandes erros dos Stones. Às vezes a aula vem na forma de uma surra elegante, e Brown era professor titular nessa matéria.
Eddie Van Halen teve sensação parecida em 1978, no festival Day on the Green. O Van Halen vinha embalado, com fama crescente depois de abrir para o Black Sabbath, e parecia pronto para encarar qualquer palco grande. Só que a banda tocaria depois do AC/DC. Eddie assistiu Angus Young e companhia colocando uma multidão de cerca de 80 mil pessoas para pular, com aquele som direto, repetitivo e impossível de ignorar, e percebeu que o buraco era mais embaixo.
"Eu estou lá pensando: 'Puta merda, nós temos que tocar depois desses caras'", lembrou Eddie. O guitarrista admitiu que, naquela ocasião, o Van Halen não passou por cima do AC/DC. Lembremos que Eddie não era um sujeito facilmente impressionável no palco, mas o AC/DC tinha outra arma: não precisava provar virtuosismo para dominar o ambiente. Bastava entrar no trilho e atropelar tudo no caminho.
The Who também sentiu o peso de dividir a estrada com uma banda mais jovem e faminta. Em 1982, o grupo levou o The Clash para uma turnê nos Estados Unidos, em uma fase em que o punk ainda carregava um certo ar de ameaça para veteranos dos anos 1960 e 1970. Roger Daltrey admitiu que, no começo, se sentiu ameaçado por aquela cena. Depois, a convivência transformou a desconfiança em admiração.
"Nós excursionamos com o The Clash em 1982. Levamos eles conosco para os Estados Unidos, e eu amava pra caramba assistir aqueles caras. Ainda sou um grande fã de Joe Strummer", contou Daltrey. O vocalista também reconheceu que tentar acompanhar aquela energia chegava a afetar sua própria voz. The Who já era uma instituição, mas o Clash subia ao palco com o tipo de urgência que faz qualquer banda veterana lembrar que respeito histórico não segura show sozinho.
Led Zeppelin viveu essa situação pelo outro lado, quando ainda estava construindo sua reputação nos Estados Unidos. Robert Plant recordou que, no começo da primeira turnê americana, o grupo nem aparecia no cartaz em Denver. Pouco tempo depois, já criava problemas para bandas mais estabelecidas. O Vanilla Fudge, que tinha fama de ser uma atração pesadíssima ao vivo, foi um dos grupos que percebeu isso.
Carmine Appice, baterista do Vanilla Fudge, disse ao Songfacts que sua banda havia tocado com Hendrix, Cream e The Who, e que muitas vezes conseguia superar todo mundo no palco. Mas ele também admitiu que existia uma exceção. "Nós estávamos nos perguntando quem iria nos tirar do palco - foi o Led Zeppelin." Para um grupo acostumado a ser o pesadelo dos outros, reconhecer que Page, Plant, Bonham e Jones haviam virado o jogo diz bastante sobre o impacto inicial do Zeppelin.
O caso de Bob Dylan com Tom Petty and The Heartbreakers é um pouco diferente, mas entra na mesma família de desconforto. Dylan excursionou com Petty e sua banda entre 1986 e 1987, em uma fase na qual se sentia distante da própria inspiração. Em "Chronicles: Volume One", ele escreveu que Tom estava no auge enquanto ele próprio estava no ponto mais baixo. Não era exatamente uma banda de abertura roubando a noite; era a juventude e a vitalidade dos Heartbreakers jogando luz sobre um Dylan que não se reconhecia mais com a mesma força.
Esses casos mostram que palco não obedece currículo. O nome maior pode estar no ingresso, na memória do público e no topo do cartaz, mas a noite pertence a quem consegue capturar o ambiente naquele instante. James Brown fez isso diante dos Stones, AC/DC diante do Van Halen, The Clash diante do The Who, Led Zeppelin diante do Vanilla Fudge e Tom Petty diante de um Dylan em crise. No papel, todos sabiam quem era a atração principal. Só que o papel, como quase sempre, não tocava guitarra, não segurava microfone e não precisava entrar depois de James Brown.
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