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Eminence

A clássica música dos Rolling Stones que Keith achava que não tinha ficado legal

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Postado em 11 de maio de 2026

"Paint It Black" é uma daquelas músicas dos Rolling Stones que parecem ter nascido prontas para atravessar décadas. Lançada em 1966, a faixa trouxe um clima mais sombrio para a banda, com o sitar ajudando a criar uma atmosfera diferente do rock mais direto que eles vinham fazendo. Mesmo assim, Keith Richards não via a gravação com o mesmo encantamento que muitos fãs passaram a ter depois.

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Foto: Mark Seliger
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A canção surgiu em uma fase em que os Stones também experimentavam novas texturas em estúdio, algo que inevitavelmente aproximava o grupo das experiências que os Beatles vinham fazendo no mesmo período. Só que, enquanto "Norwegian Wood" usava o sitar de George Harrison de forma mais delicada, "Paint It Black" levou o instrumento para um terreno mais tenso, quase sufocante, combinando com a letra cantada por Mick Jagger.

O problema, para Keith, estava menos na composição e mais no resultado final da gravação. Em declaração resgatada pela Far Out, ele apontou falhas que continuavam incomodando seu ouvido, especialmente na parte final da música e no som da guitarra elétrica.

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"A gravação ficou carregada demais. A guitarra elétrica não soa exatamente certa para mim, a que eu toco. Eu deveria ter usado uma guitarra diferente; pelo menos, um som diferente. E acho que ela soa apressada. Acho que soa como se tivéssemos dito - como de fato dissemos - 'Está ótimo. Se fizermos mais, vamos perder o feeling'. Porque foi isso que dissemos, e é por isso que, acho eu, se tivéssemos feito mais algumas tomadas, na minha cabeça teria sido um disco um pouco melhor."

A observação mostra como essa sensação de urgência ajudou a dar força à música. "Paint It Black" não soa limpa nem confortável. Ela parece correr para algum lugar escuro, com Charlie Watts pressionando a faixa nos tambores, o sitar dando uma cor estranha ao riff e Jagger cantando como se estivesse descrevendo um estado mental que vai se fechando aos poucos.

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Richards tinha razão ao dizer que a gravação poderia ter sido mais lapidada. Mas nem sempre uma música melhora quando perde suas arestas. No caso de "Paint It Black", a mistura meio carregada, a pressa e a tensão acabam combinando com a própria letra, marcada por imagens de luto, escuridão e isolamento. O que para Keith parecia uma imperfeição técnica virou parte do impacto da faixa.

A música também mostra como os Rolling Stones sabiam transformar acidentes e decisões rápidas em identidade. A banda já havia feito isso com "Satisfaction", cujo riff com fuzz nasceu de uma ideia que Keith imaginava originalmente como uma linha de metais. Em "Paint It Black", o mesmo tipo de acaso controlado aparece de outra forma: não pela sujeira da guitarra, mas pela mistura de instrumentos e pela sensação de que tudo está um pouco no limite.

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Com o passar do tempo, a opinião de Keith virou mais um detalhe interessante do que um veredito sobre a música. "Paint It Black" continua sendo uma das faixas mais reconhecidas dos Stones, justamente por soar diferente dentro da obra da banda. Talvez algumas tomadas extras deixassem a gravação mais bem acabada. Mas é bem possível que também tirassem dela essa inquietação estranha que, quase sessenta anos depois, ainda faz a música parecer viva.

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Sobre Bruce William

Quando Socram chegou no Whiplash.net era tudo mato, JPA lhe entregou uma foice e disse "go ahead!". Usou vários nomes, chegou a hora do "verdadeiro". Nunca teve pretensão de se dizer jornalista, no máximo historiador do rock, já que é formado na área. Continua apaixonado por uma Fuchsbau, que fica mais linda a cada dia que passa ♥. Na foto com a Melody, que já virou estrelinha...
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