Kiara Rocks: Quanto mais pessoas te admiram, mais pessoas também te odeiam

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva, Fonte: Rock CE
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Neste 02 de agosto acontece na capital paulista o tradicional festival SAMPA MUSIC FESTIVAL. Este ano, como atrações principais, o evento traz o FORFUN (em show de despedida), o GLORIA e a banda PEDRA LETÍCIA. Mais uma novidade é o retorno aos palcos do KIARA ROCKS. Conversamos com o vocalista Cadu Pelegrini sobre diversos assuntos, o retorno da banda, o novo CD, a apresentação no Rock In Rio 2013, a relação com fãs e haters e, claro, o show no SAMPA MUSIC FESTIVAL. Confira a conversa logo abaixo:

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Daniel Tavares: Vocês fizeram a alegria de muitos fãs ao anunciar a volta. Como vai ser esse show no Sampa Music Festival? O que os fãs do KIARA ROCKS podem esperar?

CADU PELEGRINI: Estamos praticamente recomeçando do zero. Tratando tudo como novidade e a vontade de tocar tá explodindo. Tivemos a ajuda de fãs e amigos que sempre nos apoiaram, seja la quais foram as nossas decisões. Estamos em débito com eles e vamos pagar tudo com juros, rs.

Daniel Tavares: Vocês vem com uma nova formação. Se não me engano, apenas você, Cadu, continua na banda. É verdade? O que você pode nos contar dessa nova formação?

CADU PELEGRINI: Na verdade, o Bruninho (guitarrista) já fazia parte da ultima formação. E tivemos a volta do primeiro baterista da KIARA, digamos nosso Steven Adler, rs. Ele gravou o primeiro CD da banda e participou do inicio de tudo na banda. Portanto, na verdade, a única "novidade" na formação é o Raul que eu e Greg já conhecíamos há muitos anos quando a gente trabalhava vendendo instrumentos musicais na Teodoro Sampaio. A formação está sensacional. Os ensaios são divertidos e todos estão loucos pra tocar.

Daniel Tavares: E o projeto Storm Sons, como fica?

CADU PELEGRINI: StormSons é um projeto bem diferente da KIARA ROCKS. Tem uma temática mais densa e obscura e canto em inglês. Eu sempre tive outros projetos junto com a KIARA ROCKS.

É bem legal poder abordar outros temas em letras e tipo de som, afinações e etc... Aliás acabamos de lançar um clipe. a música se chama "Hollow Man".

Daniel Tavares: O nome da banda é bem incomum (se é que existe algum nome de banda de rock que seja comum). De onde vem esse nome? Além disso, você canta com um certo sotaque, como se fosse um gringo cantando em português. Isso é intencional? Você acha que isso atrai mais fãs ou haters?

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CADU PELEGRINI: Quanto mais pessoas te admiram, ao mesmo tempo mais pessoas também te odeiam. Isso é normal. Não sei ao certo se meu jeito de cantar atrai haters. Haters é algo complicado de se discutir. Ao mesmo tempo que eles são chatos, são necessários, rs.

O nome KIARA ROCKS veio de um desejo de montar uma banda com nome próprio feminino. Sei la. Eu acho bonito. Depois de vários nomes, chegamos em um que todos gostaram. KIARA.

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Fui pesquisar e descobri que pela pronúncia, não grafia, KIARA significava claro em italiano e escuro em japonês. Isso me fez gostar mais ainda do nome porque remetia muito sobre oque eu cantava e essa ambiguidade como claro/escuro, bem/mal e etc... sempre me chamou a atenção.

Quanto a meu jeito de cantar, realmente você sacou... não é proposital.

Mas eu realmente componho antes em inglês as músicas e depois passo para o português.

Talvez esse "jeito" de cantar fique mais evidente quando deixo claro minhas influencias quando componho e canto ao vivo.

Daniel Tavares: Vocês apareceram para o Brasil inteiro primeiro no Astros, mas o sucesso demorou um pouco mais para chegar. Não foram como uma Malta (só para citar um exemplo), que teve um sucesso estrondoso e caiu bastante. O sucesso veio mais tarde, com o Rock In Rio e muito trabalho duro. O que vocês acham hoje dos reality shows musicais como o Superstars (que perdeu muita credibilidade depois das gafes com playback), The Voice e o próprio Astros?

CADU PELEGRINI: Acho totalmente válido. O alcance que estes programas tem é muito grande, se você for lá e fazer o que realmente gosta, sendo de verdade. Mas se for pra interpretar personagem ou mudar o som e atitude da banda pra "TV" não concordo. É um tema muito abrangente. Difícil de debater assim. Quem não concorda ou não acha que vale a pena é só não participar... Uma coisa que não concordo é usar esses programas pra ditar as novas revelações do rock. Tem MUITAS bandas boas no Brasil, que você precisa apenas ir num show pra conhecer e se impressionar do que simplesmente ligar a TV e achar que só aquilo que é novo ou bom. Os programas se preocupam com a audiência enquanto ele está no ar. Depois... não sei se as bandas ou cantor interessam pra eles fora da temporada que ele está no ar... entenderam?

Daniel Tavares: O Rock In Rio também fez crescer o número de haters. E vocês sabem disso. Vocês não foram a primeira banda hostilizada em um festival nem serão a última. Vocês abriram para ninguém menos que o SLAYER. Eu estive no show em São Paulo que também teve SLAYER e IRON MAIDEN e muita gente não via a hora do show do GHOST (primeira banda da noite) acabar. Apesar disso, os suecos são vistos como o que melhor apareceu no metal nos últimos anos. O Kiko Loureiro contou em uma palestra que assisti que quando o ANGRA abriu pro AC/DC ele só conseguia ver dedos do meio na plateia. E hoje o ANGRA é o que é o ANGRA. O BLACK VEIL BRIDES chegou a abandonar o palco no Monsters of Rock este ano, hostilizado e vaiado pelos fãs do MOTORHEAD. Mal sabiam todos que o próprio destino vingaria os fãs do BVB. Em 2011, o GLORIA (que vai dividir o palco com vocês no SMF) esteve também na boca dos haters. Por que você acha que existe tanta hostilidade no metal? Não deveríamos concentrar toda a nossa raiva contra esses estilos ditos universitários (forró, sertanejo, etc)?

CADU PELEGRINI: Meio difícil eu responder essa pergunta, porque não fomos hora alguma hostilizados. Não jogaram nada no palco, não rolaram dedos do meio... pelo contrario. Rolou um respeito que fiquei impressionado. Gritaram o nome da banda em coro logo após um silencio que tem no meio de uma de nossas músicas! Nos acompanharam nas palmas em músicas que nunca tinham escutado antes. Como eu disse: quanto mais em evidencia você estiver, mais gente te odiando também vai ter... Com a gente oque aconteceu foi o pós show. Aqueles que acabam de conhecer e que já possuem um certo preconceito pela banda ser nacional. Ou os que simplesmente não gostaram do show. Normal. Estranho seria uma banda que não possui haters.

Foda são os que querem prejudicar seu trabalho... complicado. Eu acho esse tipo de coisa que aconteceu com essas bandas uma falta de respeito muito grande e desnecessária. Mas acho que de acordo com a evolução isso deve diminuir. Espero... Fui no Download festival em Donington e presenciei um respeito muito grande em se tratando de diversidade de estilos num mesmo festival. Desde hardcore tocando antes de screamo, stoners antes de thrash metal e todo mundo curtindo, respeitando e se não curtia a banda, simplesmente saía e ia atras de outro show ou sei la o que. Quanto aos outros estilos, eles nunca me incomodaram, porque quem curte rock são os que interessam não é mesmo? Se achar que esses estilos são concorrentes ou que estão tomando seu espaço, então tem coisa errada com seu público. Acho mesmo que é deveríamos usar de exemplo essa união que existe entre músicos e bandas desses estilos que tanto odiamos e fazer o mesmo com o rock e metal. Isso sim.

Daniel Tavares: Muito das críticas vem do número de covers que vocês apresentaram (4 em um total de 11 músicas) no RIR. Ao invés de todas essas covers (com músicas que já são hard rock ou metal), ou menos (uma vez que vocês já tinham convidado o PAUL DI'ANNO), vocês chegaram a cogitar tocar "Save A Prayer" (que já era boa, mas na interpretação de vocês ficou magistral e deveria ser mais conhecida)? Acham que a divisão entre fãs e haters teria outras proporções?

CADU PELEGRINI: Hater não procura proporções de cover/autoral pra odiar, rs. Se tocássemos só as nossas composições eles iriam achar algo pra odiar. Se tocássemos só covers eles também achariam algo pra odiar. Agradeço o elogio pela nossa versao de "Save a Prayer". Mas quando PAUL DI ANNO aceitou nosso convite, ele realmente já tinha aquelas músicas em mente. Fizemos apenas um ensaio. É tudo muito corrido e com tempo escasso. Ele não teria tempo de tirar versões ou mesmo que tivesse não sei se se empenharia...rs. É o PAUL DI ANNO cacete! rs. Claro que seria perfeito se ele cantasse nossas músicas. Isso seria muito foda. Mas, cantamos em português. Sacaram a limitação? impossível fazer ele cantar em português ou então a gente passar nossas músicas pro inglês... Pra termos ele participando do nosso show precisava ser aquelas músicas.

Daniel Tavares: No caso que já citei, do BLACK VEIL BRIDES, muita gente afirma que eles foram colocados na programação no dia errado (ou pelo menos no horário errado). Se tivessem tocado no domingo (dia do KISS, STEEL PANTHER, etc) talvez tivessem sido melhor recebidos. E você, se pudesse escolher, gostaria de ter tocado no domingo (dia do BON JOVI) ao invés do dia do SLAYER/MAIDEN?

CADU PELEGRINI: Eu não mudaria nada em relação a nossa participação no Rock in Rio. Com a gente nada vem fácil, rs. Claro que teríamos que sair da zona de conforto e enfrentar o desafio de abrir pra banda mais pesada da noite. O convite veio do próprio Medina. Como dizer não pra um convite desses?? Era a oportunidade das nossas vidas e não tínhamos como escolher o dia...

Daniel Tavares: De volta para o futuro, vocês vão lançar dois singles no festival. E quando deve sair o novo CD? Vai mesmo ser só em inglês?

CADU PELEGRINI: No festival ainda não :/

Estamos trabalhando muito nas músicas novas e vamos e lançar junto com o clipe. O CD novo vem na sequencia. A proposta vem como digamos... uma volta as raízes. No caso, ao hard rock. A volta do primeiro batera ao line up ajudou nesse resgate ao estilo.

Daniel Tavares: Um dos fãs de vocês chama-se Wilker Girão. Ele mora em Fortaleza (onde eu também moro) e gostaria de saber se vocês tem vontade de fazer uma turnê pelo Nordeste (principalmente em Fortaleza), pois há alguns anos um show do KIARA foi confirmado, mas cancelado de última hora. Falando de turnês, quais os planos depois do Sampa Music Festival?

CADU PELEGRINI: Queremos muito tocar em Fortaleza. Ficamos bem tristes quando esse show foi cancelado, pois sabemos que temos bastante fãs no Nordeste. Alias, um abraço especial pro Wilker!!! Estamos trabalhando pra tornar esse show possível o quanto antes.As turnes já estão sendo agendadas e voltaremos aos lugares que gostamos e sempre fomos muito bem recebidos.

Não vemos a hora de voltar pro Paraná! Curitiba, sendo mais exato. Galera muito rocker lá.

Daniel Tavares: Há comentários inclusive de que o Matt Sorum teria cogitado levar você para o VELVET REVOLVER. Já vi alguma coisa sobre isso, mas nunca vi ninguém perguntando se você realmente queria ir para o VR, então, faço essa pergunta agora. E aí, você queria tocar no VELVET REVOLVER?

CADU PELEGRINI: Mas claro que queria! Tocar ao lado dos meus maiores ídolos de longa data. Quem recusaria??? O convite realmente aconteceu mas de uma maneira nada formal. Foi apenas uma ideia do Matt. Que também conversou e falou a respeito de mim com os outros integrantes do VR. Foi algo surreal e sensacional ao mesmo tempo. Só de ele ter cogitado a ideia foi...

Daniel Tavares: Das outras bandas do Sampa Music Festival, quais você mais curte, qual tem alguma influência sobre o som que você faz?

CADU PELEGRINI: GLORIA é bem maneiro. Não temos influencia de bandas nacionais no nosso som. Apenas curtimos e admiramos o trabalho de muitas. Eu gosto desse tipo de festival justamente pra conhecer bandas novas. Estou indo mais cedo justamente pra conferir as novidades. Sempre tem coisa boa.

Daniel Tavares: Deixe a sua mensagem para os fãs do KIARA ROCKS, principalmente para aqueles vão para o Sampa Music Festival.

CADU PELEGRINI: É muito bom estar de volta a estrada e aos palcos. Nossos fãs são os melhores. Nunca nos abandonam, seja qual for nossa decisão. Estamos MUITO ansiosos pra tocar no Sampa Music Festival. É uma ótima oportunidade pra rever nossos fãs e também mostrar nosso som pra quem ainda não conhece. Muito obrigado a organização do SPMF pelo convite! Não vamos decepcionar.

Daniel Tavares: E para os haters? O que diz?

CADU PELEGRINI: Apenas... Nos deem a chance de mostrar nosso som e atitude. As vezes você pode acabar mudando de ideia.

Daniel Tavares: Obrigado pela entrevista. Bom show. Um abraço e sucesso.

CADU PELEGRINI: Eu que agradeço!!! Abraço.

O ponto positivo do Sampa Music Festival é justamente a união de estilos, além da localização privilegiada, ao lado da estação Penha do Metrô. Na última edição, mais de 4.500 pessoas se dirijam rumo à Zona Leste para curtir o evento. Para este ano, a expectativa é de que esta marca seja superada.

Os ingressos continuam à venda no site da Ticket Brasil (ticketbrasil.com.br/festival/3128-sampamusicfestival-sp/), e em diversos pontos espalhados pelas cidades de São Paulo, São Bernardo do Campo, Santo André e Guarulhos. O valor das entradas custam de R$ 50,00 (2° lote/pista comum) a R$ 100,00 (pista vip premium - apenas 100 ingressos).

Veja abaixo todas as atrações do Sampa Music Festival 13:
- Forfun (show completo de despedida no #SMF);
- Gloria;
- Pedra Letícia;
- Kiara Rocks
- Sala Espacial;
- Ponto Nulo no Céu;
- Bloco do Caos;
- Faith;
- NDK;
- Hewie;
- Duelo Rock;
- Valense;
- Stereo Groove;
- Suburbia;
- Fatto;
- Madd;
- Hetios;
- Los Compas;
- Isadore;
- Ofício Classe A;
- Trezedog;
- Ponto 8




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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