Hugin Munin: somos brasileiros e nos orgulhamos muito disso

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Por Ben Ami Scopinho
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Em função de sua temática, o Hugin Munin acabou sendo inserido no segmento do chamado Viking Metal, termo que os paulistas de Santos parecem, compreensivelmente, não concordar. De qualquer forma, após a ótima repercussão de seus EPs, a banda estreou em 2011 com "Ten Thousand Spears For Ten Thousand Gods", um disco que é puro Heavy Metal. O Whiplash.Net conversou com os guitarristas Thorgrim e Hjalmar, que deram uma geral em sua história, discos e, é claro, a cena underground do Brasil. Confiram aí!

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Whiplash.Net: Saudações, pessoal. O Hugin Munin está completando o quinto ano de sua trajetória com vários registros no currículo. Que tal começarmos com um balanço deste período?

Thorgrim: Primeiramente, gostaria de agradecer pelo espaço e pelos leitores do Whiplash.net. Realmente está tudo dando certo para nós, mas acredito que isso seja fruto da nossa determinação, do nosso excelente entrosamento, pois temos algo que poucas bandas no mundo podem se dar ao luxo... Somos todos (exceto pelo baixista) amigos de infância, tocamos juntos desde 98, crescemos juntos... Então, somos muito mais do que apenas colegas de banda e estamos finalmente realizando todos nossos sonhos, em grande parte devido a esse fator.

Whiplash.Net: Como rolou a ideia de compilarem as canções dos EPs "Die for Odin" (08) e "Raven's Empire"(09), para o lançamento em um único CD chamado "Viking Brothers" em 2009? Esse material foi liberado somente na Áustria mesmo?

Thorgrim: Na verdade, a ideia não partiu da banda. Foi uma oportunidade que surgiu através do MySpace, de alguém que inicialmente era apenas um fã e hoje é um grande amigo. Nós até brincamos que o Alexander Wieser é considerado o nosso "6º membro". Ele tem uma gravadora, entrou em contato e deu a ideia, obviamente aceitamos e assim o CD foi lançado apenas na Áustria. Só recebemos 15 cópias desta edição na época.

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Whiplash.Net: Seu mais novo álbum, "Ten Thousand Spears For Ten Thousand Gods", vem recebendo muitos elogios. Como você analisaria o desenvolvimento de seu repertório em relação ao que foi produzido no passado?


Thorgrim: Bom, acho que fomos evoluindo naturalmente em cada lançamento, aprendendo muito, mas sem mudar a nossa principal característica: o peso! E isso eu garanto que jamais iremos mudar ou abandonar. Os anos vão passar e o Hugin Munin sempre será o mesmo que vocês conhecem hoje, mas é claro que visamos evoluir como músicos.

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Hjalmar: Cada um possui uma influência mais forte dentro do metal, essa união de ideias e estilos gerou esse resultado. A banda seguiu uma evolução natural em suas composições.


Whiplash.Net: O Hugin Munin é brasileiro, mas faz uso de tantos elementos da cultura nórdica que fatalmente se encaixou no chamado Viking Metal. Considerando as diferenças culturais, é possível que vocês ofereçam elementos que o distinga de uma banda genuinamente escandinava?


Thorgrim: Bom, isso é algo que ouvimos bastante, mas aparentemente é questão de opinião. Nós somos brasileiros e nos orgulhamos muito disso. Nossa essência é o mais puro heavy metal. Eu escuto muito heavy, death, black metal e música clássica, entre outras coisas... Por isso, não costumo nos associar muito com o Viking Metal, nem Folk (não temos absolutamente nada de folk).


Thorgrim: Se você analisar o visual da banda, ou som, vai entender o que eu quero dizer... Minhas maiores influências na música são Manowar, Morbid Angel, Immortal, Satyricon, Hypocrisy, Sepultura e até mesmo Pantera... No entanto, isso não quer dizer que eu não goste de Viking Metal. Longe disso, respeito muito, apenas venho de outra época e essas bandas que eu mencionei foram as que mais me marcaram, que cresci escutando e até hoje me influenciam! Na verdade, as pessoas costumam julgar mais pela nossa temática e nome da banda... Eu admiro muito a cultura nórdica, pessoalmente admiro muito as virtudes de Odin, como força, honra e coragem. E isso pode ser visto nas letras, acreditar em si mesmo, histórias de grandes guerreiros e deuses... Mas, repito, essa apenas é a temática das letras.

Thorgrim: Realmente, não acho que somos musicalmente parecidos com nenhuma banda no estilo Viking ou Folk. Se você pegar o próprio Amon Amarth, além de eles se considerarem Death Metal e não Viking como muitos dizem. O próprio nome da banda vem do Senhor dos Anéis e eles não falam sobre isso nas letras. O Manowar fala dos mesmos temas que a Hugin Munin e eles também não são considerados Viking Metal, até porque não são mesmo! Até mesmo o Dimmu Borgir, nem todos sabem disso, mas Sagrath (vocalista), escolheu seu nome também do universo de Tolkien. Shagrath é o nome de um demônio Orc, vi o próprio falando sobre isso numa entrevista recentemente, reclamando que o Senhor dos Anéis acabou ficando muito famoso e ele se arrepende disso... Então, como você pode ver, é tudo relativo.

Thorgrim: Quanto à parte de composição, não temos muitos segredos. Eu e Hjalmar compomos as músicas, Surt escreve as letras, depois Sigurd e Modi tem liberdade total para colocar suas linhas musicais e dar seus toques finais as melodias.

Whiplash.Net: "Warbound" e a faixa-título são ótimas, mas gostaria que falassem especificamente sobre "Ring Of The Nibelung", que, apesar de seus 21 minutos de duração, parece ser uma unanimidade, certo?

Thorgrim: Sim, é uma música mesmo, dividida entre quatro partes. Na verdade, eu e Hjalmar escrevemos essa música entre 2008 e 2009, mas devido à sua magnitude só conseguimos lançá-la agora, no nosso debut álbum. Deu bastante trabalho, mas valeu muito a pena. Ficamos realmente muito orgulhosos com o resultado... A música é baseada na obra de Richard Wagner, "Der Ring Des Nibelungen", e conta com as participações especiais dos alemães Neurg e Bardauk (Waldwind), Goatherion (Wrinkled Witch) e Luciana Campos (Intrisicum). Todos foram muito importantes no processo.

Hjalmar: Estávamos na casa do Thorgrim, ele já havia criado a ideia da primeira parte e eu a segunda parte. Ligamos as guitarras e os riffs foram saindo e se combinando. Foi tudo natural e absurdamente rápido. Lembrando agora, fico até surpreso que a música tenha sido criada em apenas uma tarde.

Whiplash.Net: Assim como o Hugin Munin, muitas bandas usam estúdios brasileiros para a gravação, mas optam por uma mixagem ou masterização no exterior. Quais os reais benefícios desta linha de trabalho?

Thorgrim: Na verdade, fizemos tudo isso com nosso próprio dinheiro, não houve ajuda alguma, patrocínio, nem nada. A vantagem disso é que ninguém pode nos dizer o que fazer e não nos arrependemos nem um pouco de como foi feito. Na verdade, a 'captação' dos instrumentos feita aqui é muito boa. Gravamos no estúdio PlayRec, aqui mesmo em Santos (SP), com ajuda do Fernando Basseto, produtor musical que também nos conhece há anos. Ele tem uma vasta experiência musical e foi muito importante durante todo o tempo que passamos gravando.

Thorgrim: Mas a realidade é que no Brasil não existe praticamente ninguém que conheça tanto sobre mixagem e masterização como o pessoal lá de fora... E não é questão de equipamento. Posso explicar dizendo que nós gravamos exatamente com o mesmo equipamento da banda Nevermore, por exemplo. As diferenças acabam sendo quem dirige a mix e a master do trabalho. Por isso, com aval e apoio do próprio Nando, nos optamos por fazer a master na Grécia, com Thanos, e o resultado que vocês podem conferir no álbum foi excelente! Foi uma ótima escolha!

Hjalmar: Sempre que procuramos a respeito da etapa final da produção das músicas, as respostas eram sempre: "o ideal é que vocês façam a mixagem e a masterização nos EUA ou Europa". O contato foi feito, tivemos a oportunidade de uma mostra com uma música do nosso EP, e desde então sabíamos que o resultado com o disco seria excelente!

Whiplash.Net: Não seria equivocado dizer que o chamado Viking Metal se transformou em uma vertente com bandas espalhadas pelos quatro cantos do planeta. A que vocês atribuem tanto fascínio por essa temática?

Thorgrim: Realmente, levando sempre em consideração o que eu disse acima sobre a Hugin Munin, hoje vemos um crescimento enorme de bandas no estilo que o pessoal chama de Viking ou Folk Metal. Eu não sei explicar o fascínio, mas eu vejo dessa forma... Eu amo e apoio o metal, ou seja, tudo que ajuda a fortalecer a cena é bem-vindo e se tem algo que admiro é a união do pessoal do Viking e Folk, quase todo mês vemos algum evento legal com esse tema... E isso só pode ser bom para o metal! Com certeza, a Hugin Munin também tem bastante o que agradecer, pois somos muito amigos e sempre lembrados na maioria dos festivais. E nos adoramos!

Whiplash.Net: Por trás de todo trabalho bem desenvolvido sempre surgem dificuldades. Para o Hugin Munin, quais são os maiores desafios na divulgação de "Ten Thousand Spears For Ten Thousand Gods" e que medidas adota-se para superá-las?

Thorgrim: A dificuldade, como sempre, é a falta de apoio e união que existe na cena... Se o pessoal do metal fosse mais unido seria tudo mais fácil, somos um país grande demais para dizer que não temos público! Nós temos sim, podíamos mudar isso com atitude, e não apenas falando na internet. E infelizmente, claro que não posso generalizar, ainda tem muitas pessoas com a mentalidade imbecil de achar que tudo o que vem de fora é melhor.

Thorgrim: Não podemos generalizar, é claro que existem excelentes bandas fora e também no Brasil, o que eu quero dizer é que ainda vemos que o público continua apoiando muito mais as bandas gringas do que eventos nacionais. E o pior é que nem reclamam do absurdo preço quem os produtores colocam. E por isso nunca vai mudar, porque o povo não sabe se unir para reclamar. Antes de criar polêmica, NAO ESTOU criticando bandas internacionais ou quem vai aos shows, até porque eu TAMBÉM gosto e também vou... Fui no Manowar, Satyricon, Morbid Angel, In Flames, Hypocrisy, Amon... Ou seja, eu também vou, porém, não me conformo desses shows estarem todos lotados e os eventos nacionais, e muitos deles tão bons, não ter o mesmo número de pessoas, por um preço MUITO mais acessível. Essa é a mentalidade do povo!

Thorgrim: Pegue, por exemplo, o THORHAMMER FEST... Todo ano rola duas edições (festival semestral), sempre com grandes bandas do metal nacional e internacionais também. É um evento que deveria ser MUITO mais prestigiado do que é! Quem conhece o Cecil Berserker sabe do que estou falando! Tem seu público fiel e isso é admirável, mas não me conformo de não estar sempre lotado... Também poderia citar o ODIN FEST em São Paulo, um evento muito legal, e por aí vai. O importante é demonstrar que o pessoal prefere mesmo gastar apenas nos shows gringos e depois reclamar que não tem grana pra ver banda nacional.

Whiplash.Net: E fora do Brasil, como o Hugin Munin está?

Thorgrim: Estamos muito bem! Na verdade, nosso maior feedback, por incrível que pareça, é dos EUA, e em segundo, Alemanha. Digo incrível porque somos brasileiros e o Brasil vem apenas em terceiro analisando os acessos das músicas e sites oficiais da banda. Temos propostas para shows no exterior desde 2010, mas ainda não conseguimos realizar isso. Primeiro porque estávamos gravando e também precisamos analisar as questões logísticas. Não podemos cair na estrada desesperados. Temos uma agente que trabalha para nós nos EUA e ela tem sido muito importante para banda desde 2009; e também a nossa gravadora na Áustria. Com certeza, em breve, representaremos o Brasil no exterior também.

Whiplash.Net: Pessoal, o Whiplash.Net agradece pela entrevista desejando boa sorte a todos. O espaço é do Hugin Munin para as considerações finais, ok?

Thorgrim: Muito obrigado a todos os que apóiam a Hugin Munin, seguem os nossos passos, comparecem aos nossos shows, compram o nosso merchandising... Eu só tenho que agradecer a todos de verdade. Criamos uma base de fãs que estão do nosso lado desde o início e não seríamos absolutamente NADA sem vocês. A nossa música é e sempre será dedicada a vocês! Ten Thousand Gods! HAIL ODIN!!!!!!!!!

Hjalmar: Podem ter a certeza que muitos álbuns virão, sempre com muito esforço e dedicação de todos da banda! Nos vemos na estrada! Hail!!!

Contato:
http://www.huginmuninempire.com
http://www.myspace.com/huginmuninbr

Fotos Preto e Branco:
http://www.fabiofistarol.com




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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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