Raimundos: Canisso em entrevista ao Zuada do Sertão

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Por Jéfferson Desouza, Fonte: Blog Zuada do Sertão
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Após todos os rumores e expectativas criadas nos últimos anos, o RAIMUNDOS vem mostrando o porquê da banda ser considerada um dos maiores nomes do rock nacional. Recentemente a banda lançou o DVD “Roda Vida” e vem fazendo uma série de shows por todo país, levando a seus fãs os hits que consagraram o grupo e um pouco do que vem por ai.

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Para falar um pouco mais sobre a banda o blog Zuada do Sertão teve o privilégio de receber o baixista Canisso. Curtam ai galera!

ZUADA DO SERTÃO: Inicialmente agradecemos a disponibilidade em nos conceder tal entrevista. Então, gostaria que você nos falasse um pouco de onde surgiu a ideia de inserir elementos da cultura nordestina no trabalho da banda?

CANISSO: Na banda quase todos descendiam de nordestinos, e quase por acaso resolvemos tocar umas canções sacanas dum álbum cuja capa servia pra abanar churrasco na casa do Rodolfo, mostrava um sanfoneiro com uma juba de headbanger com uma gostosa do lado, o grande Zenilton, suas músicas de duplo sentido mostravam toda a malícia do forró, mas as rimas soavam como temas cabeludos, a divisão rítmica do forró é bastante parecida com a do punk-rock, como a gente curtia punk e HC acabamos criando um forró mais agressivo, que a gente com orgulho chamava de forró-core. Logo percebemos que o rótulo aprisionava o som da banda, que na verdade agrega muitos outros estilos e influências diferentes, Ska, etc. Diria que o nosso som é o Rock Pauleira simples, curto e direto, MPB, Música Pesada Brasileira.

ZS: O Raimundos teve seu auge na época em que CD ainda dava lucro, algo praticamente impensável nos dias de hoje, com isto, como a banda encara esse fato e qual sua visão com relação ao atual momento do rock nacional?

CANISSO: Pra minha surpresa, o Roda Viva tá vendendo legal, então de certa forma o verdadeiro fã gosta de ter um produto original, ele compra mesmo, a pirataria acaba até ajudando na divulgação do artista, com o advento do MP3 ninguém espera vendas expressivas mesmo, mas manter o CD físico é uma demonstração de respeito pela figura do fã de música, aquele que compra o CD, o vinyl, camiseta, e talz,. Quanto ao momento atual, eu começo a ver o surgimento de uma nova cena muito bacana, com espaço pra quem conseguiu sobressair, conseguir sobreviver numa boa, muitas casas de médio porte surgindo dessa vez na mão de gente que está nessa pelo som e amor à cena, e não pra tirar grana da galera, então quem tiver competência e perseverança vai vingar, modinhas passam, todo mundo já percebeu.

ZS: O Raimundos passou por um período de “afastamento” onde os músicos participaram de projetos paralelos e etc, o que este acontecimento trouxe de bom para vocês?

CANISSO: Tocar com outros músicos é sempre uma experiência enriquecedora, poder explorar novos horizontes musicais também, não dá é pra ficar parado, né? Tive a sorte de tocar com grandes músicos todos esses anos, um precioso aprendizado que faço questão de incorporar ao meu som sempre.

ZS: Recentemente foram lançados o single “Jaws” e o DVD Roda Viva. Vocês já tem previsão para o lançamento de um full álbum?

CANISSO: Já existe material suficiente pra começar a pensar em um CD de inéditas, mas mal começamos a excursionar a Tour do Roda Viva. A agenda está cheia até quase o fim do ano, não queremos fazer nada com pressa nem com prazos apertados, esse disco é pra ser feito com muita paciência, tempo livre e atenção redobrada, vai ficar f#$@.

ZS: Na música “Jaws”, escrita em homenagem a Carlos Burle e Eraldo Gueiros (surfistas de ondas gigantes), a letra fala “Aqui no Raimundos ninguém desiste!”, esta música resume um pouco o Raimundos de agora, vindo como uma onda gigante mostrando toda a força da banda?

CANISSO: Gostaria que fosse assim, mas tá mais pra uma marolinha de lago... (risos...) Na verdade os heróis ali são os Big Riders Brazucas, que RULEIAM nas maiores ondas do mundo, Brasileiro é foda, sem estrutura nenhuma o País gera campeões em todos os esportes, imagina se houvesse algum programa oficial como na Europa pros Esportes, (poutz mudei totalmente de assunto) Valew Irmão se você enxerga isso no nosso som, quem sou pra te contradizer, forte abraço!!!

ZS: Este ano vocês tocaram no interior do Pernambuco (Pesqueira) onde a galera de várias partes do estado estavam presentes em tal show. Como é para vocês ver que o público do Raimundos não se limita apenas aos grandes centros e capitais?

CANISSO: Muito maneiro, pra mim não é surpresa nenhuma estou há mais de 20 anos rodando esse País de norte a sul e nunca teve uma noite sequer em qualquer rincão escondido desse Brasil que uma considerável parcela de público trajando suas camisas pretas de banda não aparecesse pra nos saudar e fazer a sua roda, é só por causa deles que essa banda está VIVA, gratificante ver alguma secretaria de cultura dando chance ao nosso estilo nas apresentações nas praças, nas cidades do interior, sempre somos muito bem recebidos.

ZS: Essa entrevista rendeu um rápido concurso no blog onde a galera nos envio várias perguntas e as mais inusitadas foram selecionadas.

Aqui vão elas:

a - A quantas anda a Verônica (bateria eletrônica usada pela banda no início de carreira)? (Luiz Neto)

HMMM a Verônica se não me engano era do Alf, emprestada, na segunda vez que fomos tentar dar um show com ela na chácara dele, o irmão dele ligou na tomada sem transformador e queimou a fonte dela o amplificador de baixo e uma pedaleira. Depois disso percebemos que precisávamos de um baterista.

b - Alguma vez a banda foi lixada em algum show? (Augusto G. Ziemer)

Nunca. Ninguém vai mexer comigo, já viu quanto pesa um baixo? (risos)

ZS: Cara muito obrigado pela entrevista, só para finalizar, como de costume gostaria que deixassem algumas palavras para a galera que mesmo sem apoio luta pelo seu som e acredita no velho e bom rock and roll.

CANISSO: Vlw galera. Toquem pra vocês não pros outros. Façam um som com seus amigos, evoluam juntos, invistam no seu sonho, e estejam nessa pela música, todo o resto não importa.

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