Porcupine Tree: Wilson explica porque não gosta de IPods
Por Felipe Hardt Galati
Fonte: Porcupine Tree Brasil
Postado em 16 de novembro de 2009
O sempre extraordinário lider do Porcupine Tree, Steven Wilson, conversou extensivamente com a PopMatters sobre os problemas com a cultura do download, a inferioridade do MP3, a sua forte ética no trabalho e os mistérios por trás do processo criativo.
PopMatters: Você pode resumir a declaração que você anda fazendo contra a "cultura do download", da qual o iPod é um simbolo definitivo?
Steven Wilson: Eu não estou tentando dizer que o iPod é inteiramente mau. Tem coisas ótimas sobre os iPods e a cultura do download. O fato de que pessoas estão indiscutivelmente ouvindo mais músicas do que nunca agora e provavelmente com a cabeça mais aberta para os termos do que estão ouvindo do que antes. E o aspecto conveniente é maravilhoso. Mas o que me preocupa é que ninguém está realmente levantando os problemas dos iPods. Existem sérios problemas para mim.
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Steven Wilson: Número um, o problema da qualidade. Eu realmente imagino se as pessoas têm consciência da merda que eles estão ouvindo quando eles escutam um MP3. A melhor analogia que eu posso ter é a ideia de que se você levasse alguém para ver uma linda pintura em uma galeria de arte, e você colocasse eles na frente da pintura para que eles pudessem ver a textura da pintura, as cores saindo da tela, o poder e a profundidade daquela obra de arte, e ai você tirasse eles da galeria de arte e mostra-se uma fotografia do mesmo quadro. Agora, o caso é, você ainda pode apreciar a fotografia, isso é uma obra de arte. É o mesmo com um MP3, você ainda pode apreciar, é uma grande peça de música e você ainda pode se divertir, mas a qualidade da experiencia é tão menor. Tão menor.
Steven Wilson: O ponto número dois é todo o problema do comprometimento da embalagem da música. Eu compreendo que, de alguma maneira, é um fetiche associar a apresentação da música com a apresentação da embalagem. Mas dito isso, se algo é uma linda obra de arte em termos de conteúdo musical, por que não deveria ser apresentada da mesma maneira em conteúdos visuais?
Steven Wilson: O problema final que tenho com iPods é o que você pode chamar de mentalidade "playlist", a mentalidade "jukebox". Em minha experiência, parece que muitas pessoas tem seus iPods no shuffle ou então criam suas próprias playlists. Não precisa de um gênio para adivinhar que os meus álbuns não são feitos para serem ouvidos dessa maneira. Eles são criados com uma continuidade. Penso muito no fato de que alguém vai ouvir meu álbum do começo ao fim, e desta maneira, posso leva-los a uma jornada musical.
Steven Wilson: Para mim, é o mesmo com toda tecnologia, ou a maioria da tecnologia: É um passo à frente, e dois passos para trás.
PM: Você é um grande fã de Radiohead e Nine Inch Nails, duas bandas que lançaram os seus dois últimos álbuns em downloads gratuitos. Você consideraria fazer isso com o próximo álbum do Porcupine Tree?
Steven Wilson: Bom, o Radiohead pode pagar por isso, e nós não. Essa é a grande verdade. Na verdade eles não lançaram de graça, eles disseram, "escolha o seu preço". Eu acho importante notar isso. Muita gente pagou e eles ganharam muito dinheiro lançando o álbum "de graça".
Um tema constante em todos os seus projetos é trabalhar com os contrastes musicais, explorar luz e sombra na música. De onde vem essa influência e por que está tão presente nesse álbum?
Steven Wilson: Ruído é um gosto adquirido. Não é algo que eu iria pedir para membros de, digamos, Porcupine Tree ou Blackfield, nem mesmo No-Man abraçarem. Mas sendo um álbum solo e decidido a fazer um álbum baseado na música, foi inevitável que o meu amor por ruídos e textura iriam fazer grande parte nisso. Acho que é o principal que diferença dos outros projetos colaborativos.
Acesse a entrevista completa em Porcupine Tree Brasil no link abaixo.
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