Scorpions: "hoje não querem mais ouvir álbuns inteiros"
Por Hugo Calheira
Fonte: Blabbermouth
Postado em 07 de agosto de 2008
A "Second Supper" recentemente entrevistou o guitarrista do SCORPIONS, Rudolf Schenker, que falou sobre diversos assuntos, incluindo a falta de interesse do público atual por álbuns completos.
Second Supper: Nos seus primeiros álbuns, o SCORPIONS gerou muita controvérsia pela arte de capas como "Virgin Killer". Você acredita que este tipo de arte poderia ser aceitável hoje em dia? Quanto mudaram os padrões artísticos do rock desde que você começou?
Schenker: "'Virgin Killer' foi uma idéia da gravadora. O cara da gravadora veio e disse, 'Mesmo se eu tiver de ir pra cadeia, vou fazer isso.' Como uma banda alemã, os jornalistas nunca se importaram com as letras. Nós viemos com 'Virgin Killer', e tinha a música, e tinha a capa do álbum, e os jornalistas disseram que não podíamos fazer aquilo. Nós falamos a eles para que ouvissem o disco e prestassem atenção às letras. O 'Virgin Killer' pertence àquela época. Nós não faríamos aquilo hoje. Está muito longe do que o SCORPIONS é. O que nós gostamos muito são ilustrações como a de 'Lovedrive', que é puro rock'n'roll. Também os dias do vinil, com uma grande capa de álbum já passou, quando você realmente podia ver a arte da capa. Com as vendas de CD caindo e os downloads aumentando, esta parte que nós tínhamos está indo embora. Hoje as pessoas não querem mais ouvir o álbum inteiro".
Second Supper: Os artistas estão limitados por esta falta de ênfase nos álbuns?
Schenker: "Claro. Não é mais tão profundo. As gravadoras não têm mais dinheiro para apoiar as bandas que fazem experimentos. Você vai para uma gravadora, você tem de alcançar um hit com o primeiro álbum, ou então pode ir embora. Não há chances de se construir uma banda como PINK FLOYD ou GENESIS, ou LED ZEPPELIN. Então elas não estão pensando profundamente. Isto não é bom, mas talvez as coisas mudem novamente."
Second Supper: O SCORPIONS certamente tem sido uma banda que consolidou uma carreira. Qual o próximo passo?
Schenker: "Nós ainda estamos vendo o mundo. Queremos ser parte desta revolução. Através de viagens ao redor do mundo nós podemos ver as coisas chegando, nos alertando, e tentamos pôr isso na música. Ainda estamos na estrada com o 'Humanity Hour 1', e então veremos o que faremos a seguir. É mais importante sair em turnê - mais importante do que era há 20 anos atrás. Nós podemos ver crianças muito jovens aproveitando os shows. Você não pode fazer download [da experiência de estar em um] show ao vivo. Temos uma grande química e amizade na banda, e quando temos uma idéia nós a colocamos na fita e a levamos para o novo álbum."
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