Toccata Magna: Uma das revelações do Brasil Metal Union 2005

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Paulo Finatto Jr.
Enviar correções  |  Ver Acessos




Falar do atual cenário gaúcho de metal e não citar a banda Toccata Magna seria uma tremenda injustiça. A banda não só conquistou o seu espaço com shows contínuos e de boa aceitação por parte do público gaúcho, como também soube explorar a sua potencialidade em outros cantos do Brasil. E para dar um passo ainda mais além, no meio de 2005 o disco "Incognite Soul" foi lançado, via Megahard Records. Por trazer um som bem próprio, a mistura do heavy metal com a música andina, a banda vem se destacando a cada dia de uma forma diferente, fugindo da mesmice e da estagnação de um cenário já saturado. Conversamos com o guitarrista David Amato e com o baterista Ricardo Giordano, que não só nos esmiuçaram a história do grupo como também nos repassaram maiores detalhes sobre este já citado 'debut'.

Whiplash! - Para começar, ninguém deve saber, mas o quê significa o nome Toccata Magna?

Ricardo Giordano - A tradução seria "Música Maior". Isso é o que a música representa para nossas vidas, algo maior e transcendente, e também aonde queremos chegar com o nosso som. Vale ressaltar que Toccata Magna são duas palavras originárias do latim.

Whiplash! - O primeiro lançamento de vocês foi a demo "Forbidden Tears from an Incognite Soul". O quanto de espaço aquele CD demo abriu para a banda?

Ricardo Giordano - Aquela demo foi o passo inicial para a Toccata Magna, com ele conseguimos reviews, entrevistas, shows e também divulgamos o som via Internet para muitas pessoas.

Whiplash! - Antes mesmo de sair o primeiro CD, vocês já haviam feitos alguns shows, entre eles um em São Paulo...

Ricardo Giordano - Os shows serviram para integrar a formação atual da banda, que não contava com a Karina e ainda possuia o antigo baixista (Gabriel). Foi uma forma de testar a aceitação do público em relação aos elementos andinos, a sonoridade e a força da Toccata Magna ao vivo. Já o show de São Paulo, que você se refere, foi algo mais que especial, foi a maneira mais tranqüila de ir ao centro do metal nacional e ter contato com todo tipo de pessoas que o fazem, como revistas, gravadoras, produtores, etc.

Whiplash! - Falando em shows, ainda antes de sair o CD vocês abriram para o Shaaman no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

Ricardo Giordano - Aberturas de show são uma forma de mostrar o seu som para um grande público, ambos foram importantes para ver a resposta do público ao som da Toccata Magna ao vivo, que foi muito positiva e rendeu ótimos frutos que permanecem até hoje.

Whiplash! - "Incognite Soul" está saindo pela Megahard Records. Como vocês chegaram até esta gravadora para efetivar o lançamento?

Ricardo Giordano - Tivemos um contato com a Megahard já na primeira viagem pra São Paulo. Com o lançamento do single ("Siren Song") que continha toda a história da banda em arquivos, filmagem do show de abertura para o Shaaman em Porto Alegre e demais conteúdos, tal material abriu portas para a banda, pois várias gravadoras se interessaram no nosso trabalho, então fechamos contrato com a Megahard.

Whiplash! - O trabalho da Toccata Magna se destaca pelas características bem próprias, que é a junção do heavy metal com a música andina. Que tipo de estudo vocês precisaram ter para a concepção das músicas?

David Amato - Desde o início da nossa formação buscávamos por algum elemento que não fizesse com que a banda soasse apenas como uma cópia de tantas outras já estabelecidas dentro do heavy metal. Queríamos adicionar algo, ao contrário de sugar a mesma fórmula de sempre. Com a entrada do nosso vocalista Ricardo Durán, que tem naturalidade chilena (nasceu na capital Santiago), a banda enriqueceu o conteúdo musical com as novas propostas sugeridas por ele. A partir daí começou a identidade da Toccata Magna, que é a mescla de heavy metal com música andina. Estudamos tanto a música andina quanto os aspectos de tal cultura.

Whiplash! - Outro feito curioso é que a banda explora a espiritualidade em suas letras sem ser necessariamente uma banda white metal...

David Amato - Em primeiro lugar gostaria de deixar claro que nossa proposta de longe é semelhante ao white metal, que procura passar mensagens "cristãs" (nada contra o estilo, existem excelentes bandas do gênero). O correto seria abordar a temática do CD "Incognite Soul" em cima da espiritualidade. Usamos também a mitologia Inca para ilustrar diversas situações que tem ligação com os dias atuais. Portanto gira mais em torno da temática da obra em si, até porque com certeza nos próximos álbuns teremos outros conteúdos, pois cada um de nós pensa de diferentes maneiras, e é muito interessante expor todas as idéias. Mas em suma, o CD fala sobre o ser humano e sua busca pela espiritualidade, por indagações e anseios que todos nós passamos na vida de uma maneira simbólica. No final das contas, procuramos utilizar a música para deixar uma boa mensagem aos ouvintes.

Whiplash! - "Incognite Soul", "Forbidden Tears", "Ashes of Heaven" e "Inner Oblations" têm uma cara mais metal. Do contrário, "Children of Sun" e "Siren Song", mais calcadas em melodias...

David Amato - "Incognite Soul" é a faixa que melhor reúne de certa forma as características da banda, por isso foi escolhida como título do CD; "Forbidden Tears" é uma música mais crua, onde os arranjos andinos se encaixam ao invés de fazer parte da mesma, é uma das faixas mais "power" do CD com belos trabalhos vocais; "Ashes of a Heaven" tem levadas e riffs bem marcantes e conta com uma passagem muito interessante com mescla de música brasileira e andina; "Inner Oblations" começa com uma atmosfera bem heavy metal, mas ao longo da música os instrumentos andinos vão ganhando vida até tomarem conta da faixa. É a música que mais explora os elementos andinos. Existe também uma história e significado para cada som.

Whiplash! - Em 2005 a Toccata Magna foi até São Paulo para se apresentar no BMU 2005. Como foi a receptividade de um público bem maior que a média dos shows que a banda fez em Porto Alegre, como aquele ao lado do Massacration?

David Amato - Tivemos a missão de abrir o festival e ainda contando com o fato de sermos uma banda do sul do país. Foi uma grande oportunidade de mostrarmos o nosso trabalho não só para um grande número de pessoas, como o prestígio de participar do maior festival de bandas nacionais da atualidade. Após o show conversamos com dezenas de pessoas que elogiaram o trabalho da banda e de certa forma criamos um elo de amizade com muitas delas, sem falar nos contatos e o fato de termos compartilhado tal ambiente com tantas outras bandas excelentes. Apenas por tais fatores, o BMU já teria vaido a pena. Foi uma ótima experiência.

Whiplash! - Ainda falando em shows, a banda é atração confirmada no Live n' Louder de Porto Alegre, festival que trará Scorpions, Nightwish, Rage, Testament, Shaaman e The 69 Eyes...

Ricardo Giordano - Não posso dizer que vai ser um show comum, pois vai ser a oportunidade de talvez tocar para nosso maior publico até agora. Só posso dizer que a Toccata Magna vai entrar com todas as forças para fazer quem sabe o melhor show da banda em Porto Alegre.

David Amato - Aproveitando o gancho, a participação do Live n' Louder aconteceu em função do BMU, recebemos um convite para ser a primeira banda do festival e abrir o evento, fato que nos deixou extremamente contentes.

Whiplash! - Agora que a banda está trabalhando em cima da divulgação do CD, não estaria na hora de agendar uma turnê em todo o Brasil, e porque não, em algum lugar do exterior também?

David Amato - Estamos agendando shows conforme o possível, o ideal seria fazer uma grande turnê, mas temos que ser realistas, nós músicos sabemos das condições precárias que a maioria das casas de show apresentam, fora as falhas na produção e outros adventos, portanto não é simplesmente pegar os instrumentos e sair por aí tocando (seria bom se fosse verdade), mas faremos o máximo possível para divulgar nosso trabalho, tanto no Brasil como fora dele.

Whiplash! - Para finalizar, peço que deixem uma consideração final para os fãs e visitantes do site que acompanharam esta entrevista...

Ricardo Giordano - Muito obrigado ao pessoal que vem apoiando a banda, vocês que fazem o metal nacional. Visitem nossa home-page para conhecerem melhor o trabalho da Toccata Magna: www.toccatamagna.com.



GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção EntrevistasTodas as matérias sobre "BMU - Brasil Metal Union"Todas as matérias sobre "Tocatta Magna"


Andre Matos: Fotos raras e inéditas, fazendo cosplay de DetonatorAndre Matos
Fotos raras e inéditas, fazendo cosplay de Detonator


Trollagem: quando as bandas decidem zoar com o playbackTrollagem
Quando as bandas decidem zoar com o playback

Metal Neoclássico: como se tornar uma estrela do gêneroMetal Neoclássico
Como se tornar uma estrela do gênero


Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

Mais informações sobre Paulo Finatto Jr.

Mais matérias de Paulo Finatto Jr. no Whiplash.Net.

adWhipDin