Windir: a morte mais Black Metal da história do gênero
Por Bruno Rocha
Fonte: Blabbermouth
Postado em 23 de fevereiro de 2017
O Black Metal é um gênero maldito. Musicalmente: sonoridade ríspida e sombria, evocando os temas negros tratados em suas letras. Historicamente: assassinatos, suicídios, incêndios, brigas e controvérsias preenchem a enciclopédia do estilo negro do Metal.
Além do satanismo e do orgulho dos ancestrais pagães, um tema fortemente abordado pelas bandas de Black Metal é o frio e a escuridão. Muito em parte pela nata do Black Metal se encontrar nas gélidas regiões escandinavas; o assunto também funciona como espelho para os maus sentimentos pregados nas letras das músicas. O IMMORTAL é referência em letras que abordam o frio e todas as ideias que seu significado sugere, por exemplo. Não tem como ouvir um típico Black Metal feito na Noruega e não se imaginar caminhando em meio a montanhas, nevascas, frio e escuridão.
Metaforizar esse sentimento em música, tudo bem. É até interessante. Agora imagine você que um músico norueguês passou por isso na pele, restando a ele apenas a morte rodeado pelo frio e pela impiedosa neve. Eis aí a causa mortis de Terje 'Valfar' Bakken, mentor da horda WINDIR.
Valfar fundou sua banda em 1994, na cidade de Sogndal, nos fiordes noruegueses. Sob o aspecto de 'one-man band', seu propósito foi de abordar a história de seus antepassados vikings. A banda se diferenciava das demais pois Valfar tocava acordeão em algumas músicas. Também, as letras do WINDIR eram escritas no dialeto 'Sognamål' ('windir', por exemplo, significa 'guerreiro').
Lançou dois álbuns de estúdio neste formato: 'Sóknardalr' (1997) e 'Arntor' (1999). A partir do terceiro álbum, '1184' (2001) a banda passou a ter formação completa com o ingresso de cinco membros, formação que se manteve para o quarto álbum de estúdio, 'Likferd' (2003). Outra mudança foi no idioma, pois o WINDIR passou a adotar predominantemente o inglês em suas letras históricas, sem abandonar completamente o 'Sognamål', diga-se de passagem.
Foi quando, no ano seguinte, um desaparecimento chamou a atenção dos membros do WINDIR e da comunidade Black Metal. A morte, gélida e implacável, havia petrificado uma trajetória.
Valfar esteve três dias desaparecido. Quando de sua última vista, ele dissera que iria visitar a residência de parentes em Fagereggi, região de Sogndal. Depois de buscas, seu cadáver foi encontrado em Reppastølen, congelado, envolto em uma grande camada de neve. A perícia local concluiu que Valfar morreu de hipotermia.
Segue um trecho do comunicado oficial dos remanescentes do WINDIR sobre o ocorrido:
'Terje 'Valfar' saiu de sua casa na quarta-feira, 14 de janeiro. Como ele não havia retornado, sua família ficou preocupada e contactou a polícia. No sábado nosso grande medo foi confirmado: Terje foi encontrado morto em Reppastølen. Ao que tudo indica, ele iria até a cabine de familiares em Fagereggi. Devido ao tempo extremamente frio e a forte nevasca a viagem se tornou mais difícil do que Terje imaginava. Quando ele percebeu que não conseguiria chegar à cabine, ele tentou voltar. Infelizmente não conseguiu. Evidências forenses indicaram hipotermia como a causa de sua morte.'
Os membros remanescentes do WINDIR realizaram um último concerto póstumo em homenagem a Valfar, com a participação de ENSLAVED, FINNTROLL e MINDGRINDER. Depois, a criação de Valfar teve suas atividades encerradas oficialmente. Os companheiros de Valfar então fundaram o VREID.
Valfar nunca foi um homem de polêmicas. Não obstante o WINDIR ter sido forjado na década de 90 em plena Noruega. Valfar nunca relacionou sua banda com a cena local de Black Metal, exatamente para fugir dos estereótipos perniciosos que as bandas locais carregavam. Valfar sempre se referia a sonoridade do WINDIR como 'Sognametal', em referência a sua cidade-natal de que ele tanto se orgulhava e enaltecia em suas letras.
Não que o frio fosse abordado fortemente nas letras do WINDIR, mas não deixa de ter ligação com os temas abordados por Valfar e pelas suas bandas conterrâneas e co-irmãs de Black Metal. Aqui, a vida imitou a arte, tragicamente.
Através da maldição do Black Metal...
Comente: Conhecia esta história?
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O melhor cantor do rock nacional dos anos 1980, segundo Sylvinho Blau Blau
A música feita na base do "desespero" que se tornou um dos maiores hits do Judas Priest
Os 15 discos favoritos de Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden
"Um baita de um babaca"; o guitarrista com quem Eddie Van Halen odiou trabalhar
Mick Mars perde processo contra o Mötley Crüe e terá que ressarcir a banda em US$ 750 mil
O guitarrista que Ritchie Blackmore acha que vai "durar mais" do que todo mundo
O melhor disco de thrash metal de cada ano da década de 90, segundo o Loudwire
A banda clássica dos anos 60 que Mick Jagger disse que odiava ouvir: "o som me irrita"
O que Paulo Ricardo do RPM tem a ver com o primeiro disco do Iron Maiden que saiu no Brasil
Slash promete que o próximo disco do Guns vai "engrenar rápido", e explica mudanças nos shows
Agenda mais leve do Iron Maiden permitiu a criação do Smith/Kotzen, diz Adrian Smith
Os melhores álbuns de hard rock e heavy metal de 1986, segundo o Ultimate Classic Rock
Extreme confirma shows no Brasil fora do Monsters of Rock; Curitiba terá Halestorm
A banda punk que Billy Corgan disse ser "maior que os Ramones"
Os guitarristas mais influentes de todos os tempos, segundo Regis Tadeu


A curiosa mensagem em código Morse que o Dream Theater "escondeu" em "In the Name of God"
Cinco curiosidades sobre o In Flames, destaque do Bangers Open Air 2026
3 clássicos do rock que ganham outro significado quando tocados ao contrário
A homenagem que os Rolling Stones fizeram aos Beatles em uma capa de disco
O dia em que Romário foi assistir a um show do U2 - e não gostou do que viu
O profundo significado de "tomar banho de chapéu" na letra de "Sociedade Alternativa"
O que significa "frequentar as festas do Grand Monde", cantado por Cazuza em "Ideologia"


