Windir: a morte mais Black Metal da história do gênero

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Por Bruno Rocha, Fonte: Blabbermouth
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O Black Metal é um gênero maldito. Musicalmente: sonoridade ríspida e sombria, evocando os temas negros tratados em suas letras. Historicamente: assassinatos, suicídios, incêndios, brigas e controvérsias preenchem a enciclopédia do estilo negro do Metal.

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Além do satanismo e do orgulho dos ancestrais pagães, um tema fortemente abordado pelas bandas de Black Metal é o frio e a escuridão. Muito em parte pela nata do Black Metal se encontrar nas gélidas regiões escandinavas; o assunto também funciona como espelho para os maus sentimentos pregados nas letras das músicas. O IMMORTAL é referência em letras que abordam o frio e todas as ideias que seu significado sugere, por exemplo. Não tem como ouvir um típico Black Metal feito na Noruega e não se imaginar caminhando em meio a montanhas, nevascas, frio e escuridão.

Metaforizar esse sentimento em música, tudo bem. É até interessante. Agora imagine você que um músico norueguês passou por isso na pele, restando a ele apenas a morte rodeado pelo frio e pela impiedosa neve. Eis aí a causa mortis de Terje 'Valfar' Bakken, mentor da horda WINDIR.

Valfar fundou sua banda em 1994, na cidade de Sogndal, nos fiordes noruegueses. Sob o aspecto de 'one-man band', seu propósito foi de abordar a história de seus antepassados vikings. A banda se diferenciava das demais pois Valfar tocava acordeão em algumas músicas. Também, as letras do WINDIR eram escritas no dialeto 'Sognamål' ('windir', por exemplo, significa 'guerreiro').


Lançou dois álbuns de estúdio neste formato: 'Sóknardalr' (1997) e 'Arntor' (1999). A partir do terceiro álbum, '1184' (2001) a banda passou a ter formação completa com o ingresso de cinco membros, formação que se manteve para o quarto álbum de estúdio, 'Likferd' (2003). Outra mudança foi no idioma, pois o WINDIR passou a adotar predominantemente o inglês em suas letras históricas, sem abandonar completamente o 'Sognamål', diga-se de passagem.

Foi quando, no ano seguinte, um desaparecimento chamou a atenção dos membros do WINDIR e da comunidade Black Metal. A morte, gélida e implacável, havia petrificado uma trajetória.

Valfar esteve três dias desaparecido. Quando de sua última vista, ele dissera que iria visitar a residência de parentes em Fagereggi, região de Sogndal. Depois de buscas, seu cadáver foi encontrado em Reppastølen, congelado, envolto em uma grande camada de neve. A perícia local concluiu que Valfar morreu de hipotermia.

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Segue um trecho do comunicado oficial dos remanescentes do WINDIR sobre o ocorrido:

'Terje 'Valfar' saiu de sua casa na quarta-feira, 14 de janeiro. Como ele não havia retornado, sua família ficou preocupada e contactou a polícia. No sábado nosso grande medo foi confirmado: Terje foi encontrado morto em Reppastølen. Ao que tudo indica, ele iria até a cabine de familiares em Fagereggi. Devido ao tempo extremamente frio e a forte nevasca a viagem se tornou mais difícil do que Terje imaginava. Quando ele percebeu que não conseguiria chegar à cabine, ele tentou voltar. Infelizmente não conseguiu. Evidências forenses indicaram hipotermia como a causa de sua morte.'

Os membros remanescentes do WINDIR realizaram um último concerto póstumo em homenagem a Valfar, com a participação de ENSLAVED, FINNTROLL e MINDGRINDER. Depois, a criação de Valfar teve suas atividades encerradas oficialmente. Os companheiros de Valfar então fundaram o VREID.

Valfar nunca foi um homem de polêmicas. Não obstante o WINDIR ter sido forjado na década de 90 em plena Noruega de Euronymous, Varg Vikernes, Samoth e cia., Valfar nunca relacionou sua banda com a cena local de Black Metal, exatamente para fugir dos estereótipos perniciosos que as bandas locais carregavam. Valfar sempre se referia a sonoridade do WINDIR como 'Sognametal', em referência a sua cidade-natal de que ele tanto se orgulhava e enaltecia em suas letras.

Não que o frio fosse abordado fortemente nas letras do WINDIR, mas não deixa de ter ligação com os temas abordados por Valfar e pelas suas bandas conterrâneas e co-irmãs de Black Metal. Aqui, a vida imitou a arte, tragicamente.

Através da maldição do Black Metal...

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Sobre Bruno Rocha

Cearense de Caucaia, professor e estudante de Matemática, torcedor do Ferroviário e cafélotra. Entrou pelas veredas do Heavy Metal na adolescência e hoje é um aficionado e pesquisador de todos os gêneros mais tradicionais desta arte e de suas épocas. Tem como forte o Doom Metal, não obstante o sol de sua terra-natal.

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