The Beatles: a saga de "Let It Be"
Por Claudinei José de Oliveira
Fonte: rollandorocha.blogspot
Postado em 29 de junho de 2015
Como todos sabem, "Let It Be" é o último álbum lançado pelos Beatles, mas não foi o último a ser gravado. Este foi o "Abbey Road".
Desde a gravação de "Sgt. Peppers Lonely Heart's Club Band", Paul McCartney havia assumido o direcionamento musical do conjunto, já que John Lennon mergulhara numa letargia lisérgica descomunal. É sabido também que, após a morte do empresário Brian Epstein, os egos dos integrantes afloraram, gerando atritos que culminariam inevitavelmente no fim da banda.
Antes, porém, o afloramento de egos deu origem ao álbum duplo "The Beatles", também conhecido como "White Album" ou "Álbum Branco", em razão de sua peculiar capa (a ideia de Paul era uma espécie de desintoxicação do excesso de informações presente na capa de "Sgt. Peppers"). Ali, os Beatles descansaram de ser banda e chega a ser palpável a individualidade de cada integrante através das faixas. Ao contrário da simplicidade da capa, o conjunto de canções é um "Frankenstein musical", uma obra esquizofrênica mas, como em tudo que os "quatro de Liverpool" tocavam, de uma musicalidade fascinante.
A sequência, se descontarmos a trilha sonora de "Yellow Submarine", mais ou menos um EP acrescido de temas instrumentais compostos e arranjados pelo produtor George Martin, seria o conjunto de músicas que acabou dando origem ao álbum "Let It Be", o qual esteve, entre os anos de 1969, quando começou a ser gravado e 1970, quando foi, finalmente, lançado, envolvido numa trama épica digna de Homero.
A ideia, novamente de Paul, era interessantíssima: despir a sonoridade da banda de todos os efeitos e truques explorados, a partir de meados dos anos 1960, em estúdio, numa espécie de "back to the basic" que, segundo McCartney, tinha como objetivo derradeiro ressuscitar o espírito de companheirismo e camaradagem, o qual uniu e fortaleceu a banda nas dificuldades dos anos iniciais. O problema é que eles não eram mais quatro moleques "durangos" lutando, com unhas e dentes, por um lugar ao sol, mas sim quatro milionários com egos inflados (talvez com exceção de Ringo, não na parte dos milionários), cada um tentando fazer valer sua vontade sobre os demais.
Seguiu-se, então, uma sequência de descaso, sabotagem, ironia e mesquinharia enquanto a música ia se fazendo ouvir, toda ela documentada no filme "Let It Be", do qual o disco lançado foi trilha sonora.
Lennon, desperto de sua letargia e, segundo as más línguas, influenciado por Yoko Ono, com sua personalidade forte, foi de encontro à hegemonia de Paul, não apenas no direcionamento musical, mas em tudo que envolvia a banda, em especial nos espinhosos assuntos financeiros.
No sentido musical, uma das exigências de John foi o afastamento do produtor George Martin, acusado de diluir o sentido roqueiro da banda em experiências com música erudita. O projeto, apropriadamente batizado "Get Back" tinha até uma capa, que acabou sendo utilizada na coletânea "The Beatles 1967/1970", a qual remetia ao primeiro álbum lançado pela banda.
Acostumados à grandiosidade das produções do velho George, os Beatles ficaram horrorizados diante do resultado de sua sonoridade "nua". Engavetaram tudo e chamaram Martin de volta para produzir seu "canto do cisne": a obra-prima "Abbey Road". Como músicos que praticamente não se falavam conseguiram tal maestria é algo a ser estudado pelas ciências.
O fato é que, à revelia de Paul, John, após o lançamento de "Abbey Road", voltou a trabalhar nas músicas de "Let It Be" e, contrariando (pra variar!) tudo o que havia dito, chamou o produtor norte-americano Phil Spector para preencher com seus "overdubs" (o famoso "Wall Of Sounds"), os espaços deixados pela simplicidade do quarteto tocando sem firulas.
Mesmo contra a vontade de Paul, que ficou "de cabelo em pé" com o resultado, o álbum foi lançado em 1970 e, apesar de tudo, tornou-se, rapidamente, uma unanimidade entre os admiradores da banda, com o agravante sentimental de ser a derradeira obra lançada pelos "Fab Four".
Em 2003, McCartney teve, finalmente, um certo grau de satisfação com o lançamento de "Let It Be... Naked", onde a mixagem "nua" que ele pretendia pôde, enfim, ver a luz do dia. Uma pena foi a ideia da capa e do título ter sido substituída de maneira empobrecedora. A música porém... Ah, a música!
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