Mastodon: porque Joseph Merrick, o homem elefante?

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Por André Dehoul, Fonte: westword.com
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Que bandas de rock tenham seus temas preferidos não é novidade para ninguém, basta lembrarmos de IRON MAIDEN e seu fascínio por fatos históricos, MANOWAR e batalhas épicas, RUSH e ficção científica, com toda gama de personagens históricos, reais ou fictícios, sem contar uma infinidade de demônios, anjos e seres sobrenaturais de toda e qualquer espécie. Nem mesmo a idéia de uma pessoa real se tornar personagem inspiradora para mais de uma canção de uma mesma banda é inédito, como o caso de JEFFREY HAMMOND, nas canções "A Song for Jeffrey", "Jeffrey Goes to Leicester Square" e "For Michael Collins, Jeffrey and Me", da banda britânica JETHRO TULL, da qual tornou-se baixista em 1971 (JEFFREY era o melhor amigo de IAN ANDERSON desde os tempos de escola).

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Nisso a banda MASTODON não foge à regra. Tá tudo lá, desde os álbuns conceituais a personagens fictícios como anões, sereias, kraken, ciclopes e demônios, imagens e paisagens épicas e sim, "uma pessoa real inspiradora para mais de uma canção de uma mesma banda". Esses fatores por si só já seriam dignos de nota, pois unem o melhor dos mundos no quesito "rock pesado" (desculpem, mas é assim que a velha guarda fala), a fantasia e a magia do metal com o lirismo intimista do progressivo. Mas há algo mais. MASTODON é a banda do "algo mais". Mas não estou falando da música em si (que por sinal alegra deveras minha alma metálicoprogressiva), mas da inspiração de um personagem real, um certo JOSEPH CAREY MERRICK, o famoso Homem Elefante.

Poderia ter passado batido esta referência se a mesma não estivesse presente nos três primeiros trabalhos da banda. Em entrevista ao site norteamericano Westword.com em 2012, o guitarrista BILL KELLIHER, respondendo sobre o fato de "alguns" álbuns da banda terminarem com músicas sobre o homem elefante, diz acreditar que em seus três primeiros discos há homenagens a ele (link para a entrevista ao fim da matéria).

Nos dois primeiros discos as referências são claras e explícitas. A última faixa do álbum de estréia "Remission", somos brindados com a belíssima "Elephant Man". Um instrumental denso e instigante, entrecortado pelo som de vento e chuva, intimista e desalentador (uma referência clara ao filme "O Homem Elefante", do diretor David Lynch). No disco "Leviathan" (que tem como tema a luta do homem contra a natureza, baseado no livro Moby Dick de Herman Melville), mais um tema instrumental sobre o homem elefante fecha o álbum, "Joseph Merrick". Desta vez uma peça enigmática, carregada de tensão e fluidez, eu diria assustadoramente bela. Já em "Blood Mountain", não há uma música especificamente dirigida a ele, mas, segundo KELLIHER, a idéia está presente. E que idéia seria essa?

Segundo KELLIHER, a idéia de não julgarmos "o livro pela capa", ou seja, de buscarmos conhecer mais profundamente o que nos rodeia e não nos atermos às primeiras impressões que nos chegam pelos sentidos. Pode parecer flosófico demais, e é.

Apesar de sua aparência grotesca, de uma infância pobre e um histórico de perdas e abusos, Merrick era um homem muito culto e sensível, inteligentíssimo segundo relatos da própria época (links sobre Joseph Merrick ao fim da matéria). E aqui está o ponto onde quero chegar. Seria Joseph Merrick uma inspiração incomum?

Como puro exercício de análise (e aqui me dou o direito da clínica), vou para além das palavras de KELLIHER acerca de Merrick e me arrisco a tecer um paralelo nada fantasioso sobre o MASTODON e o Homem Elefante, ambos nos permitem a experiência das espectativas se esfarelam frente a realidade, entes assustadores à primeira vista, fascinantes nas sutilezas. Uma ode ao humano e suas contradições mais exasperadas. Uma inspiração nada incomum para uma banda, felizmente, incomum.

Link para a entrevista original com BILL KELLIHER:

http://www.westword.com/music/bill-kelliher-of-mastodon-we-s...

Links sobre Joseph Merrick (em inglês):

http://www.josephcareymerrick.com/

http://www.jsitton.pwp.blueyonder.co.uk/elephantman/autobiog...

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Post de 28 de março de 2015

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Sobre André Dehoul

Sou um psicólogo nascido no ano dos álbuns de estreia do Kiss e Rush; no mesmo ano de "Stone Cold Crazy" do álbum "Sheer Heart Attack" do Queen; "I Shot The Sheriff", "Band on the Run" e "You Ain't Seen Nothin'Yet" estão nas rádios. Rock é excência, de Elvis Presley a Little Richard , de Beatles a Sabbath, de T. Rex a Led Zeppelin, de Rush a Pink Floyd. Não sou purista ou "true" segundo os mais novos, apesar de minha preferência pelo hard rock e metal tradicional. Tenho bronca de algumas subdivisões pós modernas do metal (nesse ponto sou purista, prefiro sem gelo). Conheci depois de velho o stoner rock e gostei (o retorno aos setenta sempre é bem vindo). Este sou eu.

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