Iron Maiden: a história por trás de cinco canções clássicas

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Por Paulo Severo da Costa
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Dentre os egressos da NWOBHM, o IRON MAIDEN ocupa o posto máximo entre seus pares. Após quase quatro décadas de atividade, a banda inglesa pisou os pés no frágil terreno do sucesso a partir de 1980 e nunca mais saiu. Das misturas entre o punk o metal do início, passando pelo metal quase progressivo, o IRON resistiu bravamente às drásticas mudanças de formação e aos modismos, lotando estádios em Londres ou em Singapura com a mesma facilidade.

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Fórmula? Diferente do SAXON ou do ANVIL, o IRON se manteve em constante evolução sonora e, apesar de nunca ter significativamente modificado suas características, soube atualizar sua roupagem – veja, por exemplo, a diferença entre dois clássicos como “Running Free” e “Fear Of The Dark”: enquanto o primeiro está devidamente localizado na estética suja e transgressora do final dos anos setenta\início dos 80, o segundo possuiu uma sonoridade mais trabalhada, alternando sua introdução elaborada de forma quase orquestral à porrada que se segue. Outro ponto de destaque: apesar de ser o rei dos singles em compacto, o IRON parece se preocupar de um modo peculiar com a composição do álbum como um todo, não deixando uma ou duas faixas “arrastarem” as demais. Por último, a presença do grande timoneiro, STEVE HARRIS, riffs de primeira e o aspecto visual da banda (sobretudo pelas mãos de DEREK RIGGS) garantem a medida certa ao grupo.

No aspecto composicional, algumas faixas, além de serem primorosas, também são oriundas de histórias curiosas, ou ainda, detalhes interessantes em seu texto. Destacarei algumas baseado nesse critério, procurando me ater a apenas uma composição por álbum, traçando uma análise feita de acordo com relatos colhidos na bibliografia sobre a banda. Nessa primeira parte, falarei sobre cinco composições clássicas, produzidas entre os anos de 1980 e 1984:

“Running Free” (Iron Maiden, 1980): segundo PAUL DI´ANNO, a canção sobre não é autobiográfica: segundo ele, apesar do passado skinhead, ele nunca foi preso. “É uma música sobre ser livre e selvagem” diz.

“Purgatory” (Killers, 1981): Segundo NICKO MCBRAIN (que ainda não fazia parte da banda quando do lançamento dessa música) em “The First Ten Years”, “Purgatory” é uma releitura da própria banda da faixa “Floating”, escrita ainda nos anos setenta. Remake ou não, a faixa é clássico absoluto da banda e, em minha opinião, encaixa, de fato, com a voz de PAUL DI´ANNO.

“Run To The Hills” (The Number Of The Best, 1982): Certamente entre as “Top 10” entre os fãs, “Run To The Hills” (cujo clipe oficial é fantástico), narra o conflito entre colonizadores europeus e os índios nativos do oeste americano durante o processo de expansão da conquista, mostrando as versões das duas pares sobre o conflito. Ainda, segundo consta na versão em inglês da Wikipedia, foi a inspiração para o METALLICA compor “Jump In The Fire”. Quem disse que metal não é cultura?

“The Trooper” (Piece Of Mind, 1983): tal qual a influência de ANN RAYND para as composições de NEIL PEART no RUSH, a canção escrita por STEVE HARRIS é inspirada na literatura – a fonte é o poema “The Charge of The Light Brigade de ALFRED TENNYSON, que por sua vez foi inspirado na Batalha de Balaclava, ocorrida em 1854 durante a Guerra da Criméia .

“2 Minutes to Midnight” (Powerslave, 1984): o imaginário apocalíptico é sempre uma boa temática metal: “2 Minutes” é uma referência ao Relógio do Juízo Final, um parâmetro para um possível ataque nuclear em massa, ameaça real durante a Guerra Fria. Em setembro de 1953, durante testes de bomba de hidrôgenio por parte dos Estados Unidos e da União Soviética, o “relógio” chegou as 23:58 , o que simbolicamente representaria uma iminência para o ataque em questão - em outras palavras, o fim do Mundo.

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Sobre Paulo Severo da Costa

Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n´roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas. Email para contato: joaopsevero@bol.com.br.

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