Sem medo de polêmicas mesmo no meio do metal, Drowned lança o raivoso "Brasil Visceral"
Resenha - Brasil Visceral - Drowned
Por Mário Pescada
Postado em 12 de maio de 2025
Nota: 8 ![]()
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Antes mesmo de ser lançado fisicamente, "Brasil Visceral" (2025), o novo disco dos mineiros do Drowned, já figurava como um dos lançamentos mais provocadores do underground nacional ao lado dos últimos trabalhos do Ratos De Porão, Dorsal Atlântica e Manger Cadavre?.

Quem ouviu ou se só acompanhou as notícias relacionadas aos trabalhos citados acima já sabe bem do que estou falando.

Ainda na fase de divulgação iniciada em 2024, a cada um dos dez vídeo clips promocionais que iam para o ar, o grupo passava por críticas por parte de algumas pessoas que se sentiam incomodadas pelo seu conceito abertamente contra o governo Bolsonaro e principalmente a tríade "Boi, Bala e Bíblia" (nome dado a bancada do Congresso Nacional que representa os interesses de grupos ligados ao agronegócio, em prol da desregulamentação do controle de armas e das pautas conservadoras das religiões neopentecostais, respectivamente). Curioso é que grande parte dessas críticas virtuais vieram de pessoas do próprio meio do metal.
Não que precisasse se justificar, mas no encarte esclarecem do que disco trata: "É um álbum que retrata um Brasil eternamente em construção, mas que enquanto não superar sua visão tacanha, não souber dar fala e respeitar os diferentes, sem discursos totalitários, sem falsos patriotismos (e muitos se expressam em inglês para ferir o próprio país que dizem defender), não irá evoluir".

Ou seja: "Brasil Visceral" (2025) é um disco com viés político? É sim. Seu conteúdo vai desagradar tanto parte do público, quanto da mídia que cobre o metal? Com certeza. A banda está preocupada com isso? Nem um pouco. Já se vão 30 anos de estrada, nove discos lançados e experiência suficiente para saberem das tretas que teriam pela frente ao abordar de forma tão crítica determinados temas.
Para passar suas duras mensagens, pela primeira vez, todos os vocais foram gravados em português. Ou seja, mesmo gritados/urrados, para o Drowned não basta que as pessoas escutem, elas devem compreender o que é dito, concorde ou não - direito de todos que o grupo deixou bem claro em vários posts ao lidar com as críticas. A mudança das letras do inglês para o português não aliviou em nada o peso do thrash/death metal do grupo e ainda facilitou a eles passarem suas mensagens de forma tão visceral (perdoem o uso do termo).
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | E se nas letras o Drowned não poupou ninguém, posso garantir que no instrumental também não amaciou, ou como eles mesmos registraram, "Blast beat é o caralho, aqui tem metranca!!!". Nas doze faixas (uma é instrumental acústica), como dizemos aqui em BH, eles "desceram a marreta": a faixa título vai abrir muita roda de mosh nos shows; "Ecocídio Napalm" tem um riff cortante matador; "Misoginia Em Cristo", além do peso, resgata um áudio já histórico de Ricardo Boechat mandando um "recado" para o pastor Silas Malafaia; "Expresso 1888" aborda o ainda presente racismo na sociedade e "Desgraça Urgente" encerra a porradaria sonora com um thrash bruto.
Chama muito a atenção o capricho com a arte do disco, obra do vocalista Fernando Lima, que já fez artes/capas para Sepultura, Sarcófago, Chakal, The Mist, In Nomine Belialis, Overdose, etc. Além dos citados dez vídeos promos, o Drowned também caprichou na parte física: o encarte gordo, um dos maiores que vi nos últimos anos, contém as letras de cada faixa acompanhadas por ilustrações temáticas, além de muitas boas fotos dos integrantes.

Ainda no quesito "feito em casa", a mixagem e masterização feita pelo guitarrista Marcos Amorim (Impurity, Mortifer Rage, Preceptor) entrega um bom trabalho, porém, achei o som do bumbo um pouco mais alto do que deveria e algumas faixas ficaram sem intervalos, virando uma música só.
"Brasil Visceral" (2025) foi lançado pela Cogumelo Records/Voice Music em CD com embalagem slipcase e vem acompanhado por um pôster dupla-face 24x24 cm.

Formação:
Rodrigo Nunes: baixo
Marcos Amorin: guitarra
Beto Loureiro: bateria
Fernando Lima: vocais
Rafael Porto: guitarra (convidado)
Faixas:
01 Deplorável Mundo Novo
02 This Message Is For You
03 Brasil Visceral
04 Que A Forca Esteja Com Você
05 Ecocídio Napalm
06 Ao Pó Voltarás
07 A Bancada Do Pistoleiro feat. Nienna Ni
08 Misoginia Em Cristo
09 Deus Me Livre De Deus
10 Positivo Inoperante
11 Expresso 1888
12 Sem Lugar De Fala (instrumental)
13 Desgraça Urgente

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