Ainda respondendo acusações graves, Marilyn Manson reaparece com "One Assassination Under God"
Resenha - One Assassination Under God - Marilyn Manson
Por Mário Pescada
Postado em 14 de janeiro de 2025
Nota: 8 ![]()
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Marilyn Manson, o sempre polêmico "anticristo" lançou o 12º disco de sua conturbada carreira: "One Assassination Under God - Chapter 1" (2024), lançado no Brasil pela Shinigami Records em parceria com a sua nova gravadora, a Nuclear Blast Records.
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Esse é seu primeiro trabalho lançado ainda em meio a uma série de graves acusações surgidas nos últimos anos por abusos físicos, psicológicos, agressão e até mesmo estupro. As denúncias começaram quando a atriz e modelo Evan Rachel Wood, ex-relacionamento seu, veio a público expor toda situação, logo seguida por outras mulheres. Manson contra-atacou processando Evan por difamação, mas acabou desistindo e fechando um acordo em torno de U$ 330 mil para pôr fim a essa peleja.
É sabido que Manson sempre gostou de mexer com fogo. Seus embates com grupos religiosos, entidades formadas por pais, conservadores de toda espécie e afins ficaram famosos durante os anos 90, justamente seu ápice comercial. Sua então base de fãs era formada majoritariamente por adolescentes que iam a loucura com suas performances "chocantes" que incluíam visual masoquista, discursos inflamados, bíblias rasgadas no palco, etc., atitudes que elevaram o cantor aos noticiários também fora da música, e, como polêmica vende (e muito), o resultado foi milhões de discos comercializados - estima-se mais de 50 milhões de discos vendidos desde então, uma marca impressionante, goste ou não de suas ações.
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Mas, entre os muitos que não se sentiam nem um pouco atraídos pelo artista e todo esse oba-oba ao seu redor do seu nome, estava eu. Confesso que Manson não chamava minha atenção em nada. Errado ou não, sempre o vi como uma bela jogada de marketing para impressionar incautos, sem falar que, nos anos 90, eu estava mais interessado em mergulhar nas obras de outros estilos/artistas.
Porém, desde 2017, quando enfim dei uma "chance" para ele, começando com "Heaven Upside Down", posso dizer que seus discos têm me surpreendido positivamente sim e agora, "One Assassination Under God - Chapter 1" (2024) se revelou outra grata surpresa.
Dito tudo isso, enfim, chegamos a sua nova façanha.
Já mais do que tarimbado em usar o que o atinge a seu favor, é óbvio que Marilyn Manson não iria deixar passar todo esse período conturbado para produzir material. "One Assassination Under God - Chapter 1" é a primeira metade da minha história. Essas canções foram conjuradas do purgatório e são tão cruas quanto uma fileira de dentes quebrados que lembram um pouco um sorriso. Minha arte é o que eu vivo. Este álbum significa para mim exatamente o que eu escolho que signifique. Espero que quando você ouvir, seja o mesmo para você".
Melancólico, rancoroso e com peso na medida do tolerável para seu público, o disco foi feito basicamente por Marilyn Manson e o produtor Tyler Bates, o mesmo que já havia produzido dois outros trabalhos seus e que ficou conhecido pelas trilhas feitas para filmes, jogos de vídeo games e por sua parceria de longa data com Jerry Cantrell, do Alice In Chains.
O industrial/alternative rock é o carro chefe das nove músicas. Com muitos efeitos de sintetizadores e uma leve presença da música eletrônica em algumas faixas, as músicas são sempre acompanhadas por muitas distorções nas guitarras. "No Funeral Without Applause" é uma das melhores da categoria melancólica; "As Sick As The Secrets Within" tem sintetizadores bem legais, assim como as dançantes "Sacrilegious" e "Meet Me In Purgatory" e "Raise The Red Flag" tem um refrão forte, que soa muito bem.
O encarte não é um primor de originalidade, mas simboliza bem todo espetáculo midiático em torno das sérias acusações contra Manson: reproduzindo uma página de jornal, as letras das músicas estão impressas de um lado como se fossem manchetes (apanha da mídia, mas também sabe lucrar em cima dela como poucos). Já a capa e pintura interna, essa no verso do referido encarte, são pinturas do próprio Marilyn Manson.
"One Assassination Under God - Chapter 1" (2024) provavelmente não vai alcançar os muitos que ainda não gostam de Marilyn Manson e seguem sem tem interesse nenhum em conhecê-lo, assim como eu até alguns anos atrás e está tudo bem. Mas é uma pena, pois esse é outro disco muito bom de uma carreira que muitas vezes foi mais imagem do que conteúdo, vamos admitir.
Formação:
Marilyn Manson: vocais
Tyler Bates: guitarra, baixo, guitarra-violino e teclados
Gil Sharone: bateria
Lola Colette: piano (convidada)
Maxwell Urasky: programação (convidado)
Faixas:
01 One Assassination Under God
02 No Funeral Without Applause
03 Nod If You Understand
04 As Sick As The Secrets Within feat. Lola Colette e Maxwell Urasky
05 Sacrilegious
06 Death Is Not A Costume
07 Meet Me In Purgatory
08 Raise The Red Flag
09 Sacrifice Of The Mass
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