Vazio: um manifesto ocultista e poético em "Necrocosmos"
Resenha - Necrocosmos - Vazio
Por David Marttino
Postado em 17 de março de 2024
A banda brasileira de black metal Vazio, lançou no último dia 08 de Março, um monumental álbum. Este colosso se chama, Necrocosmos. Este som é icônico, tenebroso e ao mesmo, poético.

A começar pelos títulos das músicas.
É black metal, cru, vocais vomitados em agonia, um verdadeiro canto fúnebre. Mas que expressam um manifesto ocultista e poético.
Veja a música de abertura, "Escuridão, seja minha guia." E para citar mais uma, "As lágrimas que regam os túmulos".
São títulos sensíveis, mas profundos. Acompanhados de uma poesia gótica funesta.
Gosto dos elementos da quimbanda que a banda costuma usar em sua música. É genuíno. Não é meramente uma banda que se apropria de elementos ocultistas por quê é uma estética comercial no black metal.
Aqui, a quimbanda surge como um elemento de experiência.
A banda, formada em 2016, no estado de São Paulo, traz uma musicalidade devastadora e convicta desde então. Necrocosmos, é a continuação de um propósito. O terceiro álbum da banda.
Concordo quando Renato Gimenez, principal letrista da banda que também toca guitarra e é o responsável pelo vocal, diz que a banda apresenta black metal extremo e de alto nível. Fato! O que me impressiona no Vazio, é a inteligência musical de mesclar elementos do cru black metal norueguês, mas também, a robustez do black metal sueco, o meu preferido. É uma mistura de Darkthrone, ou dos primeiros e bons álbuns do Immortal e Emperor, com os bons trabalhos do Dark Funeral. O black metal praticado pelo Vazio, bebe da mesma fonte musical dessas bandas, mas se arrisca e coloca tambores, coloca uma poesia da magia e do ocultismo brasileiro, como por exemplo a homenagem ao povo da mata. Conheço a quimbanda, conheço também a Jurema Sagrada e sei do que estou falando quando ouço Vazio.
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Necrocosmos, é a continuação de uma banda que evolui a cada novo ciclo. E apresenta um álbum ousado, arriscado. É a continuação de uma poderosa evolução. É uma música carregada de raiva, numa insana experiência alucinógena, que experimenta nossos limites. Os albuns anteriores do Vazio são excelentes, mas esse Necrocosmos, é outra coisa. No começo do álbum, na faixa de abertura, eu me vi empolgado por estar diante de uma grande e verdadeira obra de Black Metal. A sensação que tive, foi de nostalgia. Sinceramente. Me senti frio. Envolvido. Mas depois, as batidas de uma bateria furiosa, as guitarras que chiam e o baixo dominador e protagonista, transforma a música desse álbum, numa valsa sombria em velocidade brutal nos salões de nossa insanidade.
Confesso que vi na instrumentação a abordagem de uma pegada black n'roll nas músicas da banda nesse trabalho, e com coragem de explorar os primórdios da musicalidade black metal, com forte influência punk. Isso é algo que exige muita coragem. Essa sonoridade, você pode observar já na segunda música do álbum, "Cerimônia dos Espíritos primordiais". São músicas que tem uma diversidade de propósito. E isso, particularmente me deixa muito elétrico.
A banda Vazio, é composta por Renato Gimenez nos vocais e guitarra, Eric Cavalcante na guitarra, Nilson Slaughter no baixo e Daniel Vecchi na bateria. Acredite, esse trabalho é gravado e produzido pela própria banda, no estúdio Sinfonia de Cães, A arte de capa ficou a encardo de Rafael Frattini, o mesmo do álbum anterior, Eterno Aeon Obscuro.
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