Interpol: 20 Anos de Turn On The Bright Lights
Resenha - Turn On The Bright Lights - Interpol
Por Beatriz Valentim
Postado em 10 de junho de 2022
Neste ano, o primeiro álbum de estúdio "Turn On The Bright Lights" da banda Nova-Iorquina Interpol completa exatas duas décadas. O disco já foi considerado por muitos críticos como uma "obra-prima", além de ganhar o título da Pitchfork como o melhor álbum lançado naquele ano (2002).

Sua fama não é levada sem motivo, a banda é uma das grandes precursoras do movimento Post-Punk Revival, por conseguinte, se destacou em meio de inúmeras obras do indie rock lançadas naquela mesma época.
O disco não possui algo ao nível revolucionário, The Strokes há um ano já faziam algo semelhante com o ‘Is This It’, falando em termos de gênero musical e com o renascer do Post Punk. Como consequência, esses foram chamados de "salvadores do rock". Strokes então, ajudou a popularizar o estilo por causa do vedetismo midiático, abrindo então portas para diversos artistas e um deles foi Interpol.
Sua capa possui uma arte um tanto quanto misteriosa. Uma combinação de um vermelho vívido e assustador em contraste com a cor negra tão áspera que quase deixa os objetos da imagem irreconhecíveis. Chama muito a atenção, mas não de uma forma desagradável ou negativa, e sim curiosa.
Começa com a música "Untitled" que dita "I will surprise you sometime", de fato, a banda surpreende bastante logo ao início possuindo uma atmosfera gótica com sons carregados do uso bem distinto do teclado e marcantes riffs de guitarra e não poderia deixar de citar o vocal descontraído e irônico de Paul Banks durante a canção.
Logo em seguida "Obstacle 1", seu single mais conhecido até hoje, perdendo apenas para "Evil" do álbum sucessor "Antics". Constitui batidas frenéticas do baterista Sam Fogarino e em sequência um vocal suave e sem fôlego que presenteia a canção, mantendo um anseio ao clímax do refrão e riffs de guitarra bem agudos.
Possui uma letra um pouco sombria por ser inspirada em um caso de suicídio cometido por uma jovem modelo, nota-se nos versos "You go stabbing yourself in the neck". É possível também notar algumas semelhanças com a banda inglesa de pós-punk Joy Division nas músicas "She Lost Control" ao seu início e "Disorder" por toda a extensão da música.
"NYC" nos entrega uma visão bem diferente de Nova York que os Strokes, já citados antes, construíram no ano anterior, assim como todas as músicas no geral com seus elementos típicos da cidade. Alguns versos como "I’m sick of spending these lonely nights/ training myself not to care" dão uma visão mais a estilo Radiohead em seu tipo lírico.
"PDA" possui uma sonoridade ansiosa, raivosa e bastante agitada. O desfecho surpreende com seu solo de guitarra e vocais aguçados do guitarrista Daniel.
"Say Hello To The Angels" possui uma abordagem mais romântica ao dar a emoção que o autor se sente em relação à sua parceira notavelmente de cabelos vermelhos nos versos "I see you in the doorway/ I can’t control the part of me that spells up when you move into my airspace" onde é possível entender que quando está junto a ela, encontra-se em um paraíso, podendo até ser capaz de dizer "olá para os anjos".
Impossível deixar de comentar dos incríveis riffs de "Roland" e as sublimes linhas do contrabaixo de Carlos Dengler que dão autenticidade e um charme em músicas como "Stella Was a Diver and She Was Always Down", "The New" e "Leif Erikson", com letras taciturnas e de quebra um ritmo mais lento que as demais como "Hands Away" que se encontra no meio do disco, onde encerram o álbum da melhor forma possível.
É um disco "montanha-russa" com músicas bem melancólicas, seguidas de outras bem mais agitadas e claustrofóbicas.
Há comentários pela internet que dizem que esse disco era como se Ian Curtis não tivesse falecido, ou que Interpol seria o fantasma de sua banda. De fato, esse disco se assemelha bastante ao seu trabalho, porém, sem se tornar uma cópia ou algo do tipo. Mesmo com essas influências, conseguiram criar algo único, singular e com sua própria personalidade.
É o melhor presente preto e vermelho que alguém poderia receber quando acende as luzes brilhantes.
Tracklist:
1 - "Untitled"
2 - "Obstacle 1"
3 - "NYC"
4 - "PDA"
5 - "Say Hello to the Angels"
6 - "Hands Away"
7 - "Obstacle 2"
8 - "Stella Was a Diver and She Was Always Down"
9 - "Roland"
10 - "The New"
11 - "Leif Erikson"
Gravadora: Matador Records
Paul Banks: vocais e guitarra
Daniel Kessler: guitarra e vocais de apoio
Carlos D: baixo e teclado
Samuel Fogarino: bateria e percussão
FONTE: Pitchfork
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