Edu Falaschi: este disco sim foi um renascimento
Resenha - Vera Cruz - Edu Falaschi
Por Victor de Andrade Lopes
Postado em 26 de maio de 2021
Nota: 9 ![]()
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Depois de deixar o Angra, a carreira do vocalista Edu Falaschi se enveredou por um caminho controverso. Estigmatizado por performances abaixo da média com a lenda paulistana, o cantor tratou sua voz e voltou aos palcos e aos estúdios. A nova fase culminou numa turnê que celebrava os álbuns de sua passagem pelo Angra, rendendo até atritos com sua ex-banda por conta do uso dos nomes. No mesmo período, registrou um EP autoral (The Glory of the Sacred Truth) com dois petardos de power metal.
Para 2021, ano em que completa três décadas de carreira, Edu preparou uma verdadeira "estreia" solo, no sentido de que seria seu primeiro disco cheio só de inéditas. A obra leva o nome Vera Cruz e conta com um time de músicos de apoio acima de qualquer suspeita: Roberto Barros e Diogo Mafra nas guitarras, Raphael Dafras no baixo, Fábio Laguna nos teclados e Aquiles Priester na bateria.
O álbum tem várias colaborações, muitas delas nos "bastidores", ou seja, na produção. A própria trama dele foi feita em parceria com Fábio Caldeira, vocalista do Maestrick. Ao longo das 12 faixas principais, percorremos a história de Jorge, nascido com uma misteriosa marca que ele carrega no corpo em aventuras pelos mares até chegar ao Brasil como integrante da esquadra de Pedro Álvares Cabral.
A primeira audição me deu uma impressão de estarmos diante de um verdadeiro marco do metal nacional. A partir da segunda, minha reação passou a ser menos impressionada, porém ainda extremamente positiva.
Começamos com uma introdução clichê de metal operas ("Burden"), mas a sequência "Ancestry" deixa claro que o papo aqui é bem pé na porta. A velocidade, ferocidade que ela trouxe voltará ainda em outros momentos como "Crosses", "Face of the Storm" e "Mirror of Delusion".
Foram esses momentos, de power metal no talo, que levaram alguns a chamarem isso de "um grande disco do Angra" - termo que tem sido aplicado tanto jocosa quanto positivamente. Ora, metade dos integrantes têm passagens extensas pela banda; aromas angrianos deveriam surpreender um total de zero pessoas.
Mas há uma metade "diferentona" dentro de Vera Cruz. Falo de "Sea of Uncertainties", com riffs fortemente inspirados pelos trabalhos de Richard Henshall e Charlie Griffiths no Haken; e "Skies in Your Eyes", o "momento folk" obrigatório de todo lançamento de power metal - se bem que este poderia ter sido mais bem aproveitado se elementos brasileiros ou no mínimo lusitanos fossem apresentados. No melhor estilo The Gentle Storm, a peça ganha uma "irmã" acústica como faixa bônus.
E essa metade não para por aí: falando em coisas obrigatórias de todo álbum de power metal, a balada da vez, "Bonfire of the Vanities", é uma aula de como fazer baladas - vocal poderoso, emotivo, daqueles que vai na veia.
Lembra dos sons mais regionais dos quais eu senti falta em "Skies in Your Eyes"? Bom, eles finalmente aparecem na épica "Land Ahoy", na qual foram usadas para esticá-la, uma vez que a música em si não precisava de quase dez minutos.
Outro destaque é "Rainha do Luar, um dueto anglolusófono entre Edu e Elba Ramalho (sim, ela mesma) que teve direito até a inserções de trechos d'O Lago dos Cisnes, uma das pérolas mais conhecidas do compositor russo Pyotr Ilyich Tchaikovsky. Claro que essa mistura toda a transformou num dos pontos altos.
O disco que marca os 30 anos de carreira de Edu Falaschi acaba marcando também, curiosamente, os dez anos do seu espontâneo e justíssimo desabafo pós-Dia do Metal (quem não se lembra?). Ouvir esta obra e não achá-la no mínimo boa beira a desonestidade, mesmo com todos os paralelos com o Angra. Ele prometeu um trabalho com entrega total e deu exatamente isso aos fãs.
Abaixo, a faixa "Sea of uncertainties".
FONTE: Sinfonia de Ideias
https://sinfoniadeideias.wordpress.com/2021/05/25/resenha-vera-cruz-edu-falaschi/
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