John Petrucci: álbum solo é ótimo, mas longe de ser seu auge
Resenha - Terminal Velocity - John Petrucci
Por Victor de Andrade Lopes
Postado em 18 de setembro de 2020
Nota: 8 ![]()
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Depois de dez anos de choradeira, a turma do #voltaPortnoy finalmente ganhou um alento. John Petrucci, lendário guitarrista do lendário quinteto estadunidense de metal progressivo Dream Theater, aproveitou 2020 para lançar seu segundo disco solo - 15 anos após Suspended Animation, o primeiro - e fez os olhinhos dos fãs brilharem ao anunciar que o lendário baterista Mike Portnoy, seu ex-colega de banda, tocaria na obra.
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Essa parceria vem em ótima hora. Não, não falo de nós, os otários que ainda respeitam a quarentena e precisam de boa música para torná-la mais suportável. A hora é ótima porque a separação foi amarga, mas os primeiros dez anos da era pós-Portnoy estão terminando docemente para ambas as partes. O grupo recrutou Mike Mangini para as baquetas e lançou quatro pérolas (se bem que a metal opera The Astonishing para muitos foi uma bomba), enquanto que Mike Portnoy incorporou o Hal Blaine e participou de incontáveis produções musicais, seja como membro oficial ou de apoio, e todas muito bem recebidas pela crítica. É muito justo que os "dois Ps" encerrem essa frutífera década tocando juntos novamente.
Antes de iniciar a análise da obra de fato, não posso deixar de registrar que uma terceira e última lenda participou dela, mas acabou um tanto ofuscada nesse fuzuê todo: no baixo, temos Dave LaRue, outro prolífico músico de apoio que coincidentemente é colega de Portnoy no supergrupo Flying Colors. Ele já havia tocado no Suspended Animation.
Terminal Velocity, como tudo em que esses três senhores tocam, é um trabalho de qualidade quase inalcançável. O que não quer dizer que seja a melhor coisa que o mestre das seis cordas já tenha feito. Vamos lá:
A faixa de abertura, autointitulada e lançada como primeiro single, agrada os fãs mais adeptos, mas não traz nada de muito empolgante em comparação ao que ouvimos 15 anos atrás. Ela acabou bastante incensada na imprensa por marcar o reencontro de Petrucci & Portnoy.
É na segunda ("The Oddfather") que o guitarrista começa a bater mais suas asinhas, num trabalho com temperos djent que nos faz lembrar de Richard Henshall, um dos maiores talentos guitarrísticos da atual geração.
"Happy Song" é exatamente o que seu título diz ser, e não tenho muito mais o que acrescentar, exceto o fato de que o primeiro minuto começa com uns dedilhados que me remeteram a "Universal Mind", do Liquid Tension Experiment (o projeto paralelo que reunia Petrucci, Portnoy, Jordan Rudess (então futuro tecladista do Dream Theater) e o baixista Tony Levin), seguido por umas progressões francamente pop punk, algo que nunca esperei ouvir dele.
O próximo grande destaque vem em seguida com "Gemini", muito rica e variada, com direito a passagens de forte apelo mediterrâneo, como se Petrucci honrasse seu sangue italiano. Ela é seguida por outro ponto alto, "Out of the Blue", um trabalho muito delicado de blues que me faz cogitar a possibilidade do japonês Tak Matsumoto ter um improvável admirador do outro lado do Pacífico.
"Glassy-Eyed Zombies" apelará aos mais adeptos da técnica e da complexidade, com Portnoy entregando uma performance acima de sua média no disco. "The Way Things Fall", encerrada com uma inconfundível virada de Portnoy, é outra bem reminiscente do Suspended Animation.
"Snake in My Boot" tem fortes aromas de glam, hard rock e um metal mais "made in U.S." e o encerramento "Temple of Circadia" parece ser o tipo de som que o Dream Theater estaria fazendo se Portnoy não tivesse saído.
Quando eu disse que o álbum não era a melhor coisa que Petrucci já tinha feito, quis dizer que ele é representante de uma espécie mais comum do que se imagina: a dos músicos que exploram mais seus talentos numa banda do que em carreira solo. Seus solos e riffs mais empolgantes ainda são os feitos para o Dream Theater.
Neste caso em questão, é bem compreensível: tocar com aquela turma não é para amadores. É até natural que o guitarrista use sua pouco gasta carreira solo para "relaxar" um pouco e livrar-se da pressão de sempre ter que tocar igual a um extraterrestre. E ganha-se espaço ainda para tentar explorar terrenos que dificilmente seriam acessados fora da carreira individual, como blues e world music.
Abaixo, o clipe de "Terminal Velocity".
Track-list:
1. "Terminal Velocity!
2. "The Oddfather"
3. "Happy Song"
4. "Gemini"
5. "Out of the Blue"
6. "Glassy-Eyed Zombies"
7. "The Way Things Fall!
8. "Snake in My Boot"
9. "Temple of Circadia"
FONTE: Sinfonia de Ideias
http://bit.ly/johnpetrucci
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