Deep Purple: o vigésimo primeiro álbum do lendário quinteto inglês
Resenha - Whoosh! - Deep Purple
Por Victor de Andrade Lopes
Postado em 29 de agosto de 2020
Nota: 9 ![]()
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"Whoosh" é uma palavra difícil de traduzir, até porque, é uma onomatopeia. Os britânicos usam a danada para designar coisas rápidas, como o movimento do vento através de uma janela aberta, ou mesmo uma pessoa fazendo algo em alta velocidade. Seria algo entre os nossos "vuuuu" e "vapt vupt", talvez?
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Enfim, a palavra intitula o vigésimo primeiro álbum do lendário quinteto inglês de hard rock progressivo Deep Purple, álbum esse que traz nos seus dois clipes uma figura humanoide em um traje espacial caminhando por lugares aleatórios da Terra. No final de um deles ("Throw My Bones"), a figura entra em franco processo de desintegração (Thanos, é você?), momento eternizado na capa (veja acima).
Em vídeo publicado no canal oficial da gravadora earMUSIC, bem como em entrevista ao NME, os membros explicam que os impressionantes mais de 50 anos que separam este disco da estreia deles passaram assim - vapt vupt. Ou num "whoosh". E a ideia se aplica também à presença da humanidade na Terra: somos meros passageiros neste planeta que já existia bilhões de anos antes de surgirmos.
Cientes de que a recepção relativamente morna da crítica e dos fãs aos seus dois álbuns anteriores (Now What?! (2013) e Infinite (2017)) depõe mais contra os próprios receptores que contra os emissores, eles foram lá e nos deram mais um motivo para acreditar que 2020 não vai ser só mágoas.
A obra é composta de duas metades, vamos dizer assim. Uma delas é marcada por faixas mais "tradicionais" com aquele som abrasivo característico dos ingleses (falo especificamente de "Throw My Bones", "Drop the Weapon", "We're All the Same in the Dark", "No Need to Shout", "The Long Way Round", "The Power of the Moon", "Man Alive", "Dancing in My Sleep").
É um grupo bem homogêneo de músicas, o que não significa que elas não tragam de vez em quando algum charme particular, como um piano gingado em "No Need to Shout", o duelo inspirado de Steve Morse (guitarra) com Don Airey (teclados) em "The Long Way Round", a aura misteriosa de "The Power of the Moon" e os toques eletrônicos de "Dancing in My Sleep", que é uma faixa bônus.
A outra metade é um verdadeiro passeio musical. Por exemplo, "Nothing at All" tem uma leveza que a torna quase pop, quase balada, palavras que aplico com cuidado devido ao sentido pejorativo que ganharam ao longo das décadas na visão dos mais conservadores. É um pop progressivo como numa peça do Yes.
"Step By Step" se envolve numa aura misteriosa (como a de "The Power of the Moon") sustentada pela diversidade organística do impecável Don Airey, que dá mais um show à parte.
"What the What" vem com uma forte atmosfera de rock and roll cinquentista. O quarteto de encerramento é marcado pela ponte instrumental "Remission Possible", que leva ao segundo single ("Man Alive"); um segundo instrumental, desta vez uma regravação empolgante, porém bem aleatória de "And the Address" (faixa de abertura da estreia deles, Shades of Deep Purple); e a já mencionada faixa bônus "Dancing in My Sleep".
Eu geralmente desprezo a ideia de "não ter mais nada a provar para ninguém", que costuma aparecer em resenhas de artistas consagrados. Ninguém deveria ficar confortável a esse ponto. Mas no caso do Deep Purple, vou abrir uma exceção: eles precisam provar que não são extraterrestres porque não é brincadeira o que esses setentões fazem.
Abaixo, o vídeo de "Throw My Bones".
Track-list:
1. "Throw My Bones"
2. "Drop the Weapon"
3. "We're All the Same in the Dark"
4. "Nothing at All"
5. "No Need to Shout"
6. "Step by Step"
7. "What the What"
8. "The Long Way Around"
9. "The Power of the Moon"
10. "Remission Possible".
11. "Man Alive."
12. "And the Address"
13. "Dancing in My Sleep"
FONTE: Sinfonia de Ideias
http://bit.ly/deeppurplewhoosh)
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