Madness: empolgante, com muita técnica, brutalidade, e jorrando sangue pelos poros
Resenha - Explicit Horror - Madness
Por Alexandre Campos Capitão
Postado em 28 de maio de 2020
Tendo no currículo apresentações ao vivo ao lado de grandes nomes nacionais e internacionais, como Krisiun, Suffocation, Headhunter DC, Vital Remains, Onslaugh, o quarteto piracicabano Madness retornou ao estúdio para mostrar que seu death metal está em altíssimo nível. Explicit Horror é empolgante, com muita técnica, brutalidade, jorrando sangue pelos poros dos músicos, e pela temática falando de ódio, revolta, exorcismo, a complexidade mental, o mal enraizado. Tendo à frente o casal fundador, Rô Moreira (baixo) e Alexandre J. Guerreiro (vocal), o Madness também é formado por Mario Carvalho (guitarras) e Daniel Fuzaro (bateria), mostrando nesse segundo full lench toda sua potência, ou melhor, todo o seu horror.
A intro batizada de Ehecachichtli, foi uma boa sacada do Madness, que trouxe esse nome de um apito asteca utilizado em ações de guerra, e também em rituais religiosos, emulando o grito de dor agonizante de uma pessoa, dando a tônica do que vem à seguir.
Em seguida vem a faixa título, Explicit Horror, que não deixa qualquer dúvida tratar de um grande trabalho, desde a primeira faixa. Trampada, pesada e técnica. E ainda traz um vocal maligno, como se Alexandre Guerreiro fosse um quarto instrumento, soprado diretamente das trevas.
A abertura quebrada de Ouija Board, joga o copo na parede e deixa o espírito voar. Frankenstein faz parte da temática de Horrendous Creation. Mas a imagem que me veio à cabeça foram palhetas e mais palhetas sendo quebradas no seu peso e dinâmica. Realmente, o Madness merece ser ouvido.
Em Kolossoi, com referências vodu, não deixa faltar alfinetadas de técnica e criatividade. Rats Impaled é minha canção favorita do álbum. Trabalharam com dois tipos de vozes, mas ao invés do tradicional, vocal gutural / vocal limpo, o Madness usou o vocal monstruoso e o vocal satânico.
The Adversary and 7 Wins, não por acaso a sétima faixa do álbum, mantém tudo em êxtase, e indica o quanto a banda se preocupa com todos os detalhes do trabalho.
O baterista Daniel Fuzaro mostra sua melhor performance em Necro-Codex, espancando os tambores com técnica e fúria, como se usassem pele humana, assim como a capa do livro descrito na letra.
Gostaria de ver a empolgante State Lycanthropy ao vivo. Impossível ouví-la sem bangear, curtindo suas variações. Que belo trampo.
Dynasty Mummified encerra o álbum com primor, e traz o melhor momento do guitarrista Mario Carvalho, indo além da precisão e das palhetas precisas, num solo de personalidade e bom gosto.
Explicit Horror traz um ótimo trabalho gráfico, com a capa criada pela baixista Rô Moreira. No interior do encarte, toda faixa apresenta uma gravura de fundo das letras, remetendo ao tema abordado. Esse segundo trabalho do Madness é um lançamento da gravadora e selo independente Extreme Sound, que há 3 anos atua como loja on line com de mil títulos cadastrados, e com lançamentos nacionais e internacionais, oferecendo apoio e suporte à bandas de metal extremo, com um trabalho que merece destaque.
O Madness apresenta um trabalho sólido e extremamente competente. Explicit Horror é um grande momento dessa banda. Adquira já o seu.
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