Jack the Joker: Engenhosidade, versatilidade e sensibilidade

Resenha - Mors Volta - Jack the Joker

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Por Ricardo Cunha
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10

A BANDA

Fundada na cidade de Fortaleza/BRA em meados de 2012, a banda faz uma música moderna, vibrante e elaborada. Depois de lançar dois álbuns completos, a banda chamou a atenção em todo o mundo ao figurar em playlists do Spotify, que tem sido bastante tocada em países da América do Norte, Europa e América do Sul. Destacando-se em sua terra natal, a banda fez vários shows importantes como open-act para Nightwish, Soufly, Noturnall, André Matos e muitos outros. Também se apresentou em festivais como Garage Sounds e Forcaos. Em 2018, após o lançamento de Mors Volta, a banda passou por uma mudança de formação e agora conta com o baixista Ray Ângelo. A banda está na ativa e continua trabalhando com vistas a expandir seu alcance para o máximo de lugares possíveis.

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O ÁLBUM

Quando se ouve uma banda – principalmente quando ela é da sua cidade – tende-se a compará-la com as similares no topo. E não há mal em comparar! Porém, há grande risco de comparar coisas que estão em planos diferentes e forçar uma situação que não serve a propósito algum. Nossa proposta, no entanto, é justamente a de enaltecer o esforço da banda neste disco. Dentre as similares, os nomes que mais apareceram noutras resenhas foram Dream Theater, Symphony X, e até Mastodon. Particularmente, citaria Circus Máximus e, talvez, Meshuggah, mas isso não vem ao caso já que, em todo caso, entendemos que a música aqui presente tem méritos para ser ouvida e reconhecida no mundo todo. Para este que vos escreve os músicos aprenderam com suas influências e transformaram esse conhecimento em algo – não diria novo, mas – com cara própria. Eles fizeram algo simplesmente surpreendente em relação as demais bandas nacionais. E isso fica claro durante a audição de Mors Volta: 1) a faixa de abertura, Volte Face, define o clima presente em todo o álbum: as guitarras são dinâmicas, a bateria lembra passagens marcantes de artistas famosos cujos nomes podem variar de acordo com a experiência de cada um. Os vocais também se destacam; 2) Black Karma Rider já tem um toque de heavy metal mais clássico, só que é moderna e pesada; 3) Brutal Behavior tem muitos elementos de groove e jazz. Ela é seguramente um dos destaques do disco; 4) Lady of Dunes lembra muito a Circus Maximus e Dream Theater, que devem ser influências difíceis de se desvencilhar, mas a música é tão boa que mais parece um plus em relação àquela feita pelos ídolos; 5) Venus & Mars é a última música do álbum e tem quase 25 minutos de duração. Com esta composição a banda se põe em pé de igualdade com os grandes. Complexa e melódica, com passagens acústicas e arranjos elaborados com flautas, clarinetes e piano. Os vocais só aparecem aos 4:50, contribuindo para a grandiosidade da canção. Nenhum instrumento parece deslocado, tudo se mistura e faz sentido. É uma viagem insólita que se constrói a cada momento da audição. O álbum em sua totalidade é prova incontestável do talento dos músicos.

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Por fim, a formação que gravou o álbum conta com Lucas Arruda (baixo), Vicente Ferreira (bateria), Felipe Facó (guitarra), Lucas Colares (guitarra) e Rafael Joer (vocal).

O QUE TEM DE BOM

1) A produção de Adair Daufembach pode ser situada como algo entre o ótimo e o excelente; 2) As composições são matematicamente perfeitas; e 3) Há vida pulsando em todas as canções.

O QUE PODERIA SER MELHOR

A única coisa que, na minha vasta ignorância poderia mencionar seriam os excessos do estilo. No entanto, sendo estes, a tônica do mesmo, 1) não vejo como poderia ser melhor!

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Sobre Ricardo Cunha

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