Alice Cooper: Despretensioso e energético em Breadcrumbs
Resenha - Breadcrumbs - Alice Cooper
Por Neimar Secco
Postado em 17 de setembro de 2019
O crepúsculo de uma carreira pode ser mais longo ou mais curto. Pode vir e passar como uma chuva de verão, ou pode perdurar por alguns anos. Tudo depende de quanta energia e tesão pelo que se faz ainda exista dentro de você.
Se, como canta Cazuza em um dos seus clássicos, o tempo não para, Alice Cooper desafia e vence esse mesmo tempo. Talvez um verso de outro clássico, esse universal, "Time Is On My Side", dos super longevos Rolling Stones seja mais preciso para também definir Alice Cooper.
Falando especificamente do recém lançado EP Breadcrumbs, ele é, ao mesmo tempo, despretensioso e energético. Despretensioso porque o simples fato de ser um EP, contendo um número reduzido de músicas, o torna mais "direto ao ponto" e sem firulas. Energético, porque, vejam bem, estamos falando de um senhor de 71 anos, já entrando na sexta (sexta!) década de sua carreira sob o nome de Alice Cooper. Uma carreira que tem "berço" Detroit. Afinal, Alice Cooper nasceu na Rock City: Detroit, sim senhor! Ok, as primeiras formações da banda denominada inicialmente, The Earwigs, depois, The Spiders, e ainda, The Nazz, antes do nome definitivo e inconfundível, consagrado mundialmente, Alice Cooper, ocorreram no também despretensioso Estado americano do Arizona, mais precisamente em Phoenix.
Mas foi, de novo em sua cidade natal, Detroit, que Alice e sua banda deram os primeiros passos de uma carreira consagrada mundialmente. Ao lado de MC5, Iggy Pop e outros ícones do que pode ser chamada a primeira geração pré-punk e (por que não?) pré grunge, que Alice, Michael Bruce, Glen Buxton (R.I.P.), Dennis Dunaway e Neal Smith deram início à lendária Alice Cooper band.
Breadcrumbs dá sequencia a algo que Alice já vem fazendo em escala crescente desde 2003, com o álbum The Eyes Of Alice Cooper: revivendo o som de "garage band", tão presente no álbum citado acima, bem como no que o sucedeu: Dirty Diamonds (2005). Se Along Came A Spider (2008) foi uma pausa nesse "revival", Alice retomou esse espírito saudosista em Welcome 2 My Nightmare (2011), com a participação dos membros sobreviventes de sua banda original (exceção feita, logicamente ao falecido Glen Buxton). Não podemos esquecer também o retorno de Bob Ezrin, que desde Brutal Planet (2000) vem atuando como produtor ou coprodutor (ou mesmo consultor) em todos os álbuns de Alice Cooper.
Bom, mas você quer mesmo ler sobre Breadcrumbs, não é mesmo?
O EP abre com "Detroit City 2020", a mesma música, lançada em The Eyes of Alice Cooper de 2003, mas com alterações na letra, notadamente no refrão. A ressalva aqui é que o refrão da versão original é bem mais "poderoso" que o atual, o que não diminui essa releitura. A segunda faixa, "Go Man Go" soa como uma sequencia de "Dynamite Road", de Paranormal.
O que temos de agora em diante é uma seleção de covers no melhor estilo "Detroit sound", ou a sonoridade "perdida" da cidade natal de Alice Cooper, que ele vem procurando reencontrar ou reproduzir. É preciso ressaltar que Alice procurou (e conseguiu) ser bem fiel às versões originais. A primeira cover é "East Side Story" do também filho de Detroit, Bob Seger. Em seguida, uma grata surpresa: Suzi Quatro, contemporânea e conterrânea de Alice, que com sua banda, fez shows de abertura para Alice Cooper em 1973, na tour de Billion Dollar Babies, recebe uma homenagem bacana, já que, como de costume, Alice não pinçou uma música óbvia, como seria, por exemplo, "48 Crash, mas "cavou" mais fundo e resgatou "Your Mama Won't Like Me" de 1975. A seguir vem a dobradinha "Devil With a Blue Dress On" / "Chains Of Love", músicas de Mitch Ryder And The Detroit Wheels e JJ Barnes respectivamente. Fechando o álbum temos Sister Anne, do MC5. Detroit, os fãs de Alice Cooper (e os da Rock City) bem como os de puro rock "na veia" agradecem.
Músicos:
Alice Cooper - Lead Vocals, Backing Vocals
Johnny "Bee" Badanjek - Drums
Mark Farmer (Grand Funk Railroad) - Guitars, Backing Vocals
Wayne Kramer (MC5) - Guitars, Backing Vocals
Garrett Bielaniec - Guitars
Paul Randolph - Bass, Backing Vocals
Bobby Emmett - Keyboards
Bob Ezrin - Keyboards, Percussion, Backing Vocals
Nolan Young - Saxophone
Allen Dennard - Trumpet
Long Shorty - Backing Vocals
Mick Collins - Backing Vocals
Sleeve Notes:
Produced by Bob Ezrin.
Recorded by Al Sutton & Justin Cortelyou
Mixed by Justin Cortelyou & Bob Ezrin
Mastered by Jim Kissling
Recorded at Rust Belt Studios, Royal Oak, MI
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



10 clássicos do rock que soam ótimos, até você prestar atenção na letra
Aos 94, "Capitão Kirk" anuncia álbum de metal com Zakk Wylde e Ritchie Blackmore
A maior canção de amor já escrita em todos os tempos, segundo Noel Gallagher
Três "verdades absolutas" do heavy metal que não fazem muito sentido
A banda que Kurt Cobain viu ao vivo mais de 100 vezes
O que já mudou no Arch Enemy com a entrada de Lauren Hart, segundo Angela Gossow
Slash aponta as músicas que fizeram o Guns N' Roses "rachar" em sua fase áurea
Regis Tadeu atualiza situação de Dave Murray: "Tenho fonte próxima do Iron Maiden"
Journey convidou Steve Perry para a turnê de despedida
O programa com a maior audiência da MTV Brasil de todos os tempos, segundo ex-diretor
At the Gates presta homenagem a Tomas Lindberg em seu novo clipe
Michael Amott diz que nova vocalista do Arch Enemy marca um passo importante
Os 3 álbuns que são obras-primas do southern rock, segundo Regis Tadeu e Sérgio Martins
Regis Tadeu revela por que Sepultura decidiu lançar trabalho de estúdio antes de encerrar
Como foi a rápida conversa entre Kerry King e Jeff Hanneman que originou o Slayer
A épica canção do Queen que Brian May lamenta ter sido ofuscada por "Bohemian Rhapsody"
Steve Harris lista os cinco fenomenais baixistas que foram suas influências
Matt Sorum explica recusa a convite para tocar com o Guns N' Roses


Os quatro encontros musicais que Regis Tadeu promoveria se fosse curador do Palco Sunset
A música do Megadeth que remete a Alice Cooper, na opinião de Gastão Moreira
Os 3 veteranos do rock que lançaram álbuns que humilham os atuais, segundo Regis Tadeu
As 50 melhores músicas de 2025, segundo a Classic Rock
A banda que Joe Perry quase escolheu no lugar do Aerosmith; a proposta parecia fazer sentido
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal



