Twilight Force: qualidade e surpresas salvam álbum cheio de clichês

Resenha - Dawn of the Dragonstar - Twilight Force

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Por Victor de Andrade Lopes
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Nota: 7

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Ao escrever esta resenha, eu tive a impressão de estar resenhando um trabalho do Rhapsody pela terceira vez este ano. Pudera, estamos falando do Twilight Force - uma banda sueca do power metal fantasioso/medieval mais clichê possível que vem sendo inexplicavelmente incensada pela imprensa especializada apesar de não oferecer nada de novo - muito embora sejam bons, não dá para negar.

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Outro fator que contribui para a comparação é que o novo vocalista do sexteto, Alessandro Conti, ou "Allyon" (sim, eles chegam ao ponto de criarem pseudônimos épicos para eles mesmos), já se envolveu com o Rhapsody - no caso, na versão batizada de "Luca Turilli's Rhapsody", que rendeu dois álbuns e algumas turnês. Ele é conhecido também pelas contribuições à frente de sua principal banda, o Trick or Treat, além de uma recente colaboração com Fabio Lione.

O vocalista anterior, Christian Eriksson, foi dispensado sob a afirmação de que "suas contribuições musicais e composicionais para o Twilight Force sempre foram inexistentes". Não sei até que ponto Alessandro foi diferente do seu antecessor e, portanto, até onde ele tem dedo nisso que afirmarei a seguir, mas... Dawn of the Dragonstar é o melhor trabalho dos suecos até agora.

Por mais clichê que ele seja, não podemos chamá-lo de previsível - adjetivo que se aplica à grande maioria dos discos de power metal, independentemente da qualidade. A abertura autointitulada não corrobora de forma alguma essa afirmação, mas a sequência "Thundersword" já incorpora elementos orquestrais bastante cinematográficos, divergindo um tanto das roupagens mais medievais adotadas normalmente pelas bandas do gênero.

E como se não bastasse, ouvimos ainda uma rabeca e um banjo aleatórios em alguns momentos. São aromas inesperados que a tornam muito divertida, mas o fato destes instrumentos só aparecerem timidamente deixa o ouvinte sem entender o sentido deles.

"Long Live the King" volta aos padrões, mas é sucedida pela ótima "With the Light of a Thousand Suns", com toques árabes e mediterrâneos em certos momentos. Uma das faixas bônus, diga-se de passagem, é uma versão orquestral dela.

"Winds of Wisdom", "Queen of Eternity" "Valley of the Vale", "Hydra" e "Night of Winterlight" fazem um meio de campo clichê até a chegada do encerramento épico "Blade of Immortal Steel", com doze minutos e meio de power metal dinâmico, sinfônico e com alguns dos toques especiais que marcaram a primeira metade do disco.

Além da já mencionada versão orquestral de "With the Light of a Thousand Suns", Dawn of the Dragonstar traz como faixas bônus também uma versão ao piano de "The Power of the Ancient Force" com a voz da cantora pop sueca Hanna Turi e as versões demo de "Enchanted Dragon of Wisdom" e "Forest of Destiny"; as três foram originalmente lançadas na estreia deles, Tales of Ancient Prophecies (2014).

No fim, os temperos diferentes que diminuem a previsibilidade do trabalho são apenas isso: temperos. O que ajuda a destacar a obra é, em primeiro lugar, a qualidade ímpar de sua execução e produção.

Tem papel importante também o fato da banda abraçar com todas as forças os clichês do gênero, a ponto de transformar os tradicionais vídeos de comentários faixa-a-faixa em uma cômica apresentação cheia de teatralidade e recheada de todos os adjetivos épicos possíveis. Eles levam a brincadeira tão a sério que fica difícil achá-los ruins. E este álbum, com certeza, não é.

Abaixo, o vídeo de "Dawn of the Dragonstar":

Track-list:
1. "Dawn of the Dragonstar"
2. "Thundersword"
3. "Long Live the King"
4. "With the Light of a Thousand Suns"
5. "Winds of Wisdom"
6. "Queen of Eternity"
7. "Valley of the Vale"
8. "Hydra"
9. "Night of Winterlight"
10. "Blade of Immortal Steel"
11. "The Power of the Ancient Force" (versão com Hanna Turi) (faixa bônus das edições digibook e vinil duplo)
12. "With the Light of a Thousand Suns" (versão orquestral) (faixa bônus das edições digibook e vinil duplo)
13. "Enchanted Dragon of Wisdom" (versão demo 2007) (faixa bônus das edições digibook e vinil duplo)
14. "Forest of Destiny" (versão demo 2007) (faixa bônus das edições digibook e vinil duplo)

Fonte: Sinfonia de Ideias
http://bit.ly/twilightforce




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Sobre Victor de Andrade Lopes

Victor de Andrade Lopes é jornalista (Mtb 77507/SP) formado pela PUC-SP com extensões em Introdução à História da Música e Arte Como Interpretação do Brasil, ambas pela FESPSP, e estudante de Sistemas para Internet na FATEC de Carapicuíba, onde mora. É também membro do Grupo de Usuários Wikimedia no Brasil e responsável pelo blog Sinfonia de Ideias. Apaixonado por livros, ciências, cultura pop, games, viagens, ufologia, e, é claro, música: rock, metal, pop, dance, folk, erudito e todos os derivados e misturas. Toca piano e teclado nas horas livres.

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