Whitesnake: a parceria com Steve Vai em um grande disco
Resenha - Slip of the Tongue - Whitesnake
Por Ricardo Seelig
Postado em 15 de julho de 2019
Oitavo álbum do Whitesnake, "Slip of the Tongue" possui vários significados na carreira da banda inglesa. O disco marca o fim dos anos dourados do grupo liderado pelo vocalista David Coverdale, fase essa iniciada no final da década de 1970 após o fim do Deep Purple, em 1976, e que durante os primeiros anos executou uma sonoridade que unia elementos de rock, blues e soul e é chamada de "chapéu e bigode" pelos fãs das antigas. A partir do sexto álbum, "Slide It In" (1984), a banda mudou a sua música e se transformou em um gigante do hard rock, caminhando lado a lado com a tendência sonora em voga na época e que levou o hard rock norte-americano a se transformar em um dos gêneros mais vendidos do período.

"Slip of the Tongue", lançado dia 18 de novembro de 1989, foi o último disco do Whitesnake nos anos 1980 e marcou o final deste período de imensa popularidade. A banda implodiria nos anos seguintes, com Coverdade juntando-se a Jimmy Page no Coverdale Page em 1993, gravando álbuns solo e só retornando com o Whitesnake em 1997, com "Restless Heart", que foi seguido de mais um longo hiato até "Good to Be Bad" (2008). "Slip of the Tongue" foi também o único disco do grupo a contar com o guitarrista Steve Vai, que permaneceu no quinteto por apenas dois anos, saindo em 1990. A banda que gravou o álbum conta com Coverdale, Vai, Adrian Vandenberg, Rudy Sarzo e Tommy Aldridge, além da participação de nomes como Glenn Hughes (fazendo backing vocals) e Don Airey nos teclados, que mais tarde substituiria Jon Lord no Deep Purpe.
O disco foi produzido pela dupla Mike Clink (Guns N’ Roses, Megadeth, Mötley Crüe) e Keith Olsen (Fleetwood Mac, Ozzy Osbourne, Journey) e traz um som mais orgânico que o seu antecessor, o multiplatinado "1987". "Slip of the Tongue" conta com dez faixas, sendo nove delas compostas pela dupla Coverdale/Vandenberg e uma regravação para "Fool For Your Loving", cuja versão original abre o terceiro álbum do grupo, "Ready an’ Willing" (1980). A receita já havia sido usada com sucesso em duas faixas de "1987", "Crying in the Rain" e o hit "Here I Go Again", ambas presentes no quinto LP da banda, "Saint & Sinners" (1982). Novamente, David Coverdale pegou uma das jóias de seu repertório e a adequou aos timbres e abordagem do final dos anos 1980, com um resultado muito bom.
Este álbum do Whitesnake, apesar de ofuscado pelo sucesso incrível tanto de "Slide It In" quanto de "1987", possui uma coleção de músicas que fica em pé de igualdade com a dupla anterior. O Whitesnake soa coeso e inspirado em "Slip of the Tongue", que passados trinta anos de seu lançamento segue como um de seus melhores trabalhos. A inclusão de Steve Vai, substituindo o ex-Dio e atual Def Leppard Vivian Campbell, aprimorou ainda mais o nível técnico da banda, que já contava com uma cozinha acima de qualquer suspeita com a dobradinha Sarzo/Aldridge. Vai não foca de maneira ostensiva na técnica como fez, por exemplo, em outro grande álbum de hard da década de 1980 com a sua participação, a ótima estréia solo de David Lee Roth, "Eat ‘Em Smile", que saiu em 1986. A forma como a sua guitarra casou com o Whitesnake é até surpreendente, porque poucas vezes se viu Steve Vai tão integrado a uma banda como o que se escuta em "Slip of the Tongue".
Entre as músicas, os destaques são muitos. De hards tipicamente Whitesnake como a música título e "Now You’re Gone" até a atualização das raízes setentistas da banda em "Cheap An Nasty", passando pela bela regravação de "Fool For Your Loving" e a balada "The Deeper the Love", com direito à épica "Judgment Day" pelo caminho e o encerramento com a incrível "Sailing Ships".
"Slip of the Tongue" é um dos melhores álbuns do Whitesnake e o documento de um período em que a banda contou com um dos maiores guitarristas da história em sua formação. Um disco excelente, e que com o passar dos anos ficou ainda melhor.
Outras resenhas de Slip of the Tongue - Whitesnake
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O disco em que Ritchie Blackmore encontrou o Rainbow que queria fazer
Gigantes do rock: 10 rockstars que beiram os 2 metros de altura
As 5 bandas que Slash detonou, incluindo duas onde ele mesmo tocou
O dia que James Hetfield quis saber mais sobre a guitarra do Nightwish
Twisted Sister faz primeiro show com Sebastian Bach nos vocais
5 riffs do metal nacional que valem mais que disco gringo inteiro dos anos 1980
A melhor cantora de metal de todos os tempos, segundo Emppu Vuorinen
A banda que foi um fiasco abrindo para o Van Halen, mas Eddie achava genial
Os 50 melhores riffs de metal e rock de todos os tempos, segundo a Guitar World
Ex-vocalista do Slipknot revela se considera "Mate. Feed. Kill. Repeat." um disco ou demo
Guitarrista do Accept diz que quem sai da banda "geralmente desaparece"
A música de Neil Young que George Harrison detonou: "Não sou fã, odeio sim, não suporto"
O baterista que Phil Collins considerava "tecnicamente muito superior a mim"
Brent Hinds odiava entrevistas, revistas e fumaça de cigarro
Bruce Dickinson alfineta Trump durante show do Iron Maiden no Canadá
Whitesnake: Em 1989, o sobrenatural álbum com Steve Vai
O clássico do Whitesnake que foi gravado durante um bate boca aos berros no estúdio
Os 10 momentos mais impactantes e fundamentais do metal nacional
Cantora da abertura de Pokémon em português revela que é fã de Journey e Whitesnake
Os 50 anos de "Journey To The Centre of The Earth", de Rick Wakeman
Guns N' Roses: o último grande álbum de rock feito a mão


