B'z: banda se reaproxima do rock 'n' roll com novos membros de apoio
Resenha - New Love - B'z
Por Victor de Andrade Lopes
Postado em 11 de julho de 2019
Nota: 8 ![]()
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Para marcar o início de sua quarta década de carreira, a dupla japonesa de hard rock B'z (formada pelo vocalista e letrista Koshi Inaba e o guitarrista e compositor Tak Matsumoto) decidiu reformular sua banda de apoio, dando adeus a músicos de longa data como o baterista Shane Gaalaas e o baixista Barry Sparks.

A ideia era oferecer um novo tipo de som para o público. Um som que eles talvez não conseguissem fazer com a equipe anterior. Por mais eficientemente que esse time estivesse funcionando, fato é que ele não vinha fazendo álbuns memoráveis já há um bom tempo. O sucesso comercial continuava lá: topo da Oricon, certificações da RIAJ, turnês lotando estádios... Mas pela decisão tomada, parece que nem eles próprios estavam felizes. E às vezes mexer em time que está ganhando é uma decisão sábia - evita o desgosto de ver algo bom ficar ruim.
Mas afinal: trocar a banda valeu a pena? Ah, se valeu... New Love, vigésimo-primeiro registro de estúdio do fenômeno japonês, é simplesmente o melhor registro do B'z nesta década e compete com seus companheiros dos anos 2000 como melhor lançamento deles no século XXI.
A troca dos integrantes foi feita com bastante cuidado e mistura nomes experientes e consagrados com jovens revelações. Como resultado, a maioria das faixas é verdadeiramente empolgante. E é verdadeiramente empolgante porque tem atitude verdadeiramente rock 'n' roll, como há muito não se ouvia (pelo menos não de forma prevalecente) na discografia da dupla.
Dentre os destaques, temos o solo de "Tsuwamono, Hashiru"; os metais em "Wolf"; o trabalho de percussão e dos teclados em "Deus"; o trecho de cordas com aromas árabes da Lime Ladies Orchestra em "Da La Da Da"; a participação de ninguém menos que Joe Perry (guitarrista do Aerosmith) em "Rain & Dream"; o órgão em "Ore yo Karma wo Ikiro"; e o estupendo baixo de "Sick". A única faixa sem graça é "Majestic", uma espécie de balada desprovida de sal. Notem que eu selecionei praticamente metade da obra como "destaque"...
Embora Shane Gaalaas e Barry Sparks ainda tenham dado as caras no álbum (precisamente em "Tsuwamono, Hashiru"), quero falar dos seus sucessores. Nas baquetas, temos o experiente e incontestável Brian Tichy, com quem a banda já havia trabalhado brevemente no início do século (incluindo o supergrupo Tak Matsumoto Group, fundado por Tak). O desconhecido Tamada Tomu e a jovem revelação estadunidense Brittany Maccarello participam, respectivamente, de "Wolf"/"Majestic" e "Rain & Dream"/"Golden Rookie".
Já para as quatro cordas, a dupla foi buscar... duas pessoas. Cinco faixas (incluindo "Sick", que destaquei anteriormente) são tocadas pela jovem indiana Mohini Dey, listada pela edição local da Forbes como uma das 30 pessoas com menos de 30 anos mais influentes do país asiático. Outras cinco são tocadas por ninguém menos que Robert DeLeo, do Stone Temple Pilots. E Seiji Kameda ficou responsável por "Wolf" e "Majestic".
Os teclados são novamente comandados por Jeff Babko (que já havia participado do lançamento anterior, Dinosaur) e a percussão ficou nas mãos do gabaritado Lenny Castro, que coleciona trabalhos no Toto, no Red Hot Chili Peppers e no Wolfmother.
Uma outra interessante mudança que New Love trouxe é a ausência de singles. Pela primeira vez em 30 anos, o B'z decide não selecionar uma faixa específica para divulgar o disco. É engraçado por um lado, afinal, boas opções não faltam. Por outro lado, mostra a maturidade de encarar os novos tempos da indústria musical - e estamos falando de um grupo que não sabe o que é não atingir o topo da parada de singles da Oricon desde 1990.
Abaixo, parte do vídeo de "Tsuwamono, Hashiru":
Track-list:
1. "My New Love"
2. "Tsuwamono, Hashiru"
3. "Wolf"
4. "Deus"
5. "Majestic"
6. "Mr. Armour"
7. "Da La Da Da"
8. "Koi Karasu"
9. "Rain & Dream"
10. "Ore yo Karma wo Ikiro"
11. "Golden Rookie"
12. "Sick"
13. "Towa ni Wakaku"
http://bit.ly/newlovebz
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