Sepultura: em 1987, o clássico Schizophrenia
Resenha - Schizophrenia - Sepultura
Por Thomas Engel
Postado em 19 de março de 2019
O disco traz uma nova face da banda, onde o guitarrista Jairo Guedez é substituído por Andreas Kisser após a gravação do primeiro disco da banda (Morbid Visions), trazendo um som mais voltado ao Thrash Metal, mas ainda com raízes do Death Metal que a banda tocava no inicio, junto de traços mais melódicos do estilo de Andreas.
A capa de Ibsen Otoni mostra um sujeito usando uma camisa de força e algo de metal na cabeça (que pode ser tanto algo para dar choques elétricos quanto algo para monitorar atividades cerebrais) sendo observado por um grande monstro/demônio nos céus negros (que pode ser fruto de delírios psicológicos), tudo isso envolto por um fundo azul claro que "quebra" para dar espaço à cena.
O disco inicia com uma INTRO de violino e sintetizadores, semelhante a trilhas sonoras de filmes de terror, trazendo toda uma atmosfera tensa, seguida de um grito distorcido de Max Cavalera.
FROM THE PAST COMES THE STORMS inicia com o riff principal isolado, abrindo as portas para a bateria frenética de Igor e frases bem elaboradas da dupla Andreas e Max. A letra fala de sentimentos de raiva, insanidade e vingança, sustentados pelo forte estrondo de um trovão (ao menos essa é a minha interpretação).
TO THE WALL traz uma intro semelhante a anterior, porém não começa frenética logo de cara, temos uma preparação antes da porrada começar de fato, porém não dura a música inteira, que é mais variada ritmicamente, com fortes influencias do Metallica e Slayer quando estas estavam no inicio de suas carreiras. A música é baseada numa história verídica que aconteceu com os membros da banda, por volta de 1985, quando estes foram abordados violentamente por policias, que os ofenderam diversas vezes por conta do visual "metaleiro" que eles usavam. No fim a banda foi presa por não estarem com seus respectivos RGs em mãos.
ESCAPE TO THE VOID traz logo de cara Andreas arregaçando a alavanca da guitarra antes de fazer um solo fritado, que abre alas para o riff principal e os bumbos duplos estourando! Super rápida e agressiva, a letra fala de um mundo no apocalipse (ao que parece, um apocalipse zumbi, como nos versos "My face falls down in pieces full of worms/ I burst my rotten heart with my own hands/ I'm dying and I can't help myself") onde tudo é negro e dominado pelos olhos da morte.
INQUISITION SYMPHONY é uma faixa instrumental que passa os 7 minutos de duração, ja mostrando dotes melódicos (e ouso dizer até progressivos), com passagens de violão aos moldes de The Call Of Ktulu do Metallica (influência mais que clara nessa música).
SCREAMS BEHIND THE SHADOWS inicia ja com um riff cavalgado aos dotes de Megadeth, com ênfase nas viradas de batera monstruosas de Igor Cavalera. A letra mostra uma atmosfera que remete a morte e escuridão, tal como a agonia de alguém prestes a morrer.
SEPTIC SCHIZO inicia com um riff que volta as raízes do death metal oitentista e uma bateria frenética e vocais distorcidos que futuramente seriam influência de Toxic Holocaust. A letra mostra a perspectiva de uma pessoa com esquizofrenia (que da no nome ao disco) e mostra seus pensamentos violentos e profundos.
THE ABYSS é outra instrumental apenas de violão que dura pouco mais de 1min, mas mostra como Andreas Kisser é um puta músico que veio para agregar mais a banda! E também mostrando que nem só de fritação e guitarras distorcidas vive o homem.
O álbum encerra com REST IN PAIN, rápida e melódica ao mesmo tempo, quem sabe a mais frenética do disco. A letra traz o mais puro e genuíno ódio de um jovem headbanger da decada de 80 fan de Slayer e Venom, só o fino do fino.
É um disco que parece soar repetitivo, mas cada música tem seu nível de peso, que torna esse um disco único e sem dúvidas um clássico do metal nacional!
Destaque para To The Wall e Escape To The Void, que (na minha opinião) são as mais clássicas desse disco!
Banda: Sepultura
Album: Schizophrenia
Gênero: Thrash Metal/ Death Metal
Produtor: Jeff Daniels
Gravadora: Cogumelo Records
Capa: Ibsen Otoni
Lineup:
Max Cavalera - Vocal, Guitarra Base
Andreas Kisser - Guitarra Solo, Violão
Paulo Jr. - Baixo
Igor Cavalera - Bateria
Tracklist:
Intro
From the Past Comes the Storms
To the Wall
Escape to the Void
Inquisition Symphony (instrumental)
Screams Behind the Shadows
Septic Schizo
The Abyss (instrumental)
R.I.P. (Rest in Pain)
Outras resenhas de Schizophrenia - Sepultura
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A lenda nordestina que é o Van Halen brasileiro, segundo Rafael Bittencourt
Roger Waters e filho criam o Legacy, projeto que celebra a obra do Pink Floyd
Jim Root entende que novo álbum do Slipknot irá "magoar algumas pessoas"
De Megadeth a Bruce Springsteen, as 10 músicas mais sombrias da história do rock
Como surgiu a ideia de formar o Heaven & Hell, de acordo com Geezer Butler
Por que Tony Iommi acha que grandes músicos não conseguiam tocar Black Sabbath direito
Jim Root admite que último álbum do Slipknot não foi bom
Rudy Sarzo acredita que morte de Randy Rhoads não foi acidente: "Ele já sabia que ia fazer"
A canção onde o Queen reclamou do prato mas continuou comendo do mesmo
A cantora que Ian Gillan considera a maior voz feminina do rock; "ela arrasava!"
Derek Riggs levou três meses para concluir capa de "Somewhere in Time"; "Me deixou maluco"
A banda idolatrada por Eddie Vedder que nunca tocou no Brasil: "Ele era fanático"
Hammerfall anuncia turnê latino-americana 2027 e confirma três sideshows do Bangers Open Air
O astro do rock que "deu aula" no Rock in Rio 2026, segundo Gastão Moreira
Mötley Crüe realiza trollagem com Extreme em último show de tour conjunta

"Faltou o Agostinho Carrara!" - Fãs reagem à nova foto do Sepultura
O que significa a famigerada expressão "viúva dos Cavalera"?
Cogumelo Records: 46 anos no coração do rock pesado de Belo Horizonte
Sepultura, Titãs e Luiz Caldas levam o peso do rock ao Altas Horas deste sábado
Regis Tadeu derruba consenso de décadas sobre "Roots" do Sepultura
A música do Yes que serviu de inspiração para Dream Theater e Sepultura
Regis Tadeu explica por que show final do Sepultura foi para um lugar menor
Iron Maiden: Grata surpresa e despedida perfeita do gigante
Death: Responsáveis por elevar a música pesada a novo nível


