Sepultura: o fruto da mudança do Death para o Thrash
Resenha - Schizophrenia - Sepultura
Por Bruno Mariano
Postado em 03 de dezembro de 2012
Nota: 10 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
O ano de 1987 foi um ano importante para a carreira do SEPULTURA. Naquele ano, o grupo mineiro foi desfalcado com a saída do guitarrista Jairo Guedez, quem deixara a banda com intuito de tocar músicas mais comerciais – conforme comentários feitos por Max Cavalera na época. Contudo, em pouco tempo, os mineiros preencheram o espaço aberto por Jairo. A vaga de guitarrista foi ocupada por Andreas Kisser, um paulista que os caras do SEPULTURA conheceram durante um Show em Santa Isabel (São Paulo).
É interessante notar que, enquanto os irmãos Cavalera ouviam Black e Death Metal no último volume e, àquela altura, começavam a se interessar por música punk, Andreas preferia as bandas com pegada mais virtuosa. Essas diferentes influências, que cada integrante possuía, foram crucias para que o SEPULTURA deixasse para trás o Death Metal cavernoso e entrasse na era do Thrash Metal rápido, vigoroso e mais técnico. E o fruto dessas mudanças está presente no indiscutivelmente clássico "Schizophrenia", disco sobre o qual falarei com prazer nesta resenha.
De acordo com o livro "Sepultura – Toda a História", de André Barcinski e Silvio Gomes, o álbum "Schizophrenia" foi o "marco zero da profissionalização do Heavy Metal brasileiro". Afirmação que não considero exagerada se compararmos a qualidade deste disco à dos registros anteriores da banda ou, até mesmo, se o compararmos a discos lançados naquele período por outros grupos brasileiros de Metal. O livro também dá detalhes curiosos de como o álbum nasceu. Conta-se que o título "Schizophrenia" foi copiado da banda punk finlandesa Riistetyt e que a capa teria sido inspirada na capa do álbum "Blackout" do Scorpions (realmente há algumas semelhanças!).
Com "Schizophrenia", o SEPULTURA não abandonou só o visual carregado e o Death Metal sujo, eles abandonaram também a temática satanista. Foi nessa época que os caras passaram a falar de coisas como guerra e loucura, escolhas que refletiam o amadurecimento do grupo. Além disso, a repercussão do disco foi tão grande que houve casos na Europa de venda de versões piratas dos álbuns da banda.
Agora que eu já falei do contexto em que esse clássico nasceu, quero falar sobre as músicas que o compõem. Mas antes preciso deixar claro que evitarei as descrições estafantes e repetitivas que boa parte das resenhas apresenta. Isso porque acredito que, com esse texto, aquele que ainda não teve a sorte de escutar "Schizophrenia", procurará escutá-lo e entenderá por si mesmo a qualidade mencionada; já aquele que o escutou entenderá um pouco mais a importância do álbum. E nada substitui o momento em que colocamos o disco para rodar e começamos o "headbanging" enquanto todos os átomos do nosso corpo vibram ensandecidos.
O disco tem início com uma "Intro" que faz clara referência ao famoso tema musical do filme Psicose de Alfred Hitchcock. Mas a pancadaria só começa mesmo quando os primeiro riffs da antológica "From the Past Comes the Storms" começam a soar. Nessa faixa, o SEPULTURA esbanja peso e criatividade. Somos hipnotizados riff após riff. O álbum segue com a excelente "To the Wall" e a fuderosa "Escape to the Void". Só pelo início cheio de solos enlouquecedores de "Escape..." sentimos que estamos diante de uma grande faixa. É quase impossível não gritar "Escape...To the void!".
Na faixa que se segue, o bicho começa pegar mais ainda. A instrumental "Inquisition Symphony" é o melhor exemplo do aprimoramento técnico adquirido pelo grupo após a entrada de Andreas. É estranho dizer, mas "Inquisition...", que não tem a presença dos vocais infernais do Max, é uma das composições do SEPULTURA de que mais gosto.
A sexta faixa, "Screams Behind the Shadows", tem um começo endiabrado. É uma verdadeira porrada! E a velocidade do disco é mantida com enérgica "Septic Schizo". Os caras incluíram mais uma instrumental no álbum: "The Abyss". Nela, Andreas revela seu gosto pela música erudita. E, embora o estilo de "The Abyss" seja bem diferente das demais faixas, a música se encaixa bem no full-length. A tranquilidade dessa penúltima feixa faz com sejamos pegos de surpresa pela faixa que encerra "Schizophrenia". A rápida "R.I.P. (Rest in Pain)" foi a melhor escolha possível para fechar o disco. "Rest in Pain" é o tipo de música que não pode faltar num playlist de Thrash Metal.
Por fim, é importante dizer que aprecio bastante os últimos álbuns feitos com Max e respeito o atual direcionamento musical do SEPULTURA. Mas, quando alguém fala dos caras, é sempre desse SEPULTURA – consagrado pelo disco "Schizophrenia" – que lembro.
Schizophrenia – Sepultura
(1987 – Cogumelo Records – Nacional)
Formação:
Max Cavalera - vocal, guitarra
Andreas Kisser - guitarra
Paulo Jr. - baixo
Igor Cavalera - bateria
Track List:
1. "Intro"
2. "From the Past Comes the Storms"
3. "To The Wall"
4. "Escape to the Void"
5. "Inquisition Symphony"
6. "Screams Behind The Shadows"
7. "Septic Schizo"
8. "The Abyss"
9. "R.I.P." (Rest In Pain)
Outras resenhas de Schizophrenia - Sepultura
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Amy Lee relembra a luta para retomar o controle do Evanescence; "Fui tratada como criança"
A frase que Ritchie Blackmore ouviu de Eddie Van Halen que mostra como ele era humilde
A banda que era boa e virou careta, repetitiva e burocrática, segundo Sérgio Martins
70 shows internacionais de rock e metal para ver no Brasil em maio
Dado Villa-Lobos lança single inspirado nos netos, anuncia álbum e celebra 40 anos de "Dois"
Solito e Casagrande, ex-jogadores do Corinthians, assistem show do Megadeth em São Paulo
O cover gravado pelo Metallica que superou meio bilhão de plays no Spotify
5 músicas do Dream Theater que merecem sua atenção
Márcio Canuto prestigia show do Megadeth em São Paulo
Megadeth toca "The Conjuring" em show de São Paulo; confira o setlist
5 bandas de heavy metal que seguem na ativa e lançaram o primeiro disco há mais de 40 anos
6 solos de guitarra tão fabulosos que nem precisariam da canção onde estão
A canção do AC/DC que veio de Bon, foi gravada por Brian e ainda arrepia Angus
O nome do blues que continua atravessando gerações e influenciando o rock
Derrick Green prepara nova banda para o pós-Sepultura e promete mistura de peso e melodia
Primeiro disco do Soulfly traz doses de "desespero", segundo Max Cavalera
A música do Soulfly que "flerta" com o Tool, segundo Max Cavalera
Ricardo Confessori cobra coerência do Sepultura e alerta para erro na turnê de despedida
O clássico do Sepultura que traz a mesma nota repetida inúmeras vezes
O riff simples que tirou Max Cavalera do sério e o fez quebrar guitarra
Andreas Kisser afirma que turnê de despedida talvez seja a melhor da história do Sepultura
Greyson Nekrutman posta performance ao vivo de "Territory", clássico do Sepultura
Baixista original do Slipknot era membro do fã-clube do Sepultura
Iron Maiden: Somewhere In Time é um álbum injustiçado?


