The Prodigy: O massacre da meiguice
Resenha - No Tourists - Prodigy
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 17 de dezembro de 2018
Funkeiros brasileiros deveriam se apressar para aproveitar a grave linha de teclado e a semelhança com o português do baby talk inicial da faixa Boom Boom Tap: tem hora que parece com "tudo bem", falado bem meiguinho, bem miguxo tchuca-tchuca-miga, parece até homenagem aos momentos Boing Boom Tschak, do Kraftwerk, porque também tem linha de teclado agudo-borbulhante super-referencial. Mas, não é homenagem, é sarcasmo: o balbuciar é cortado por seco e duro FUCK YOU, seguido de célere correnteza jungle.
Lançado no dia de Finados, o sétimo álbum de estúdio do The Prodigy sistematicamente estraçalha qualquer momento de meiguice, com sua agressividade Big Beat. Em mais de uma ocasião durante a dezena de canções, vozinhas finas e momentos que fingem que vão virar pop saltitante são soterrados com sirenes de ataque aéreo e pura artilharia sintética. Títulos como Timebomb Zone e Fight Fire With Fire falam por si, num álbum que não dá trégua ao ouvinte, que, afinal, está numa Londres onde é preciso andar com colete a prova de balas, em certas regiões, de acordo com a nervosa Champions of London.
Poder-se-ia elaborar teia de referências Brexíticas para "explicar" a violência de No Tourists, mas Liam Howlett, MC Maxim e Keith Flint nunca necessitaram de razões pontuais para sua agressividade. O álbum é urgente e rearticula os melhores elementos da carreira do Prodigy num trabalho desinteressado em inovar, mas sem nenhum ponto baixo. À parte os segundos iniciais de Resonate – que trituram elementos de drum’n’bass com dubstep vocoderizado – o resto é Prodigy tradicional, como a cyberpunkice de Give Me a Signal
A faixa-título abre com teclados de fundo que dão a impressão de que o Public Enemy está fazendo trilha para filme de James Bond. Need Some1, a abertura, anuncia o nervo do álbum, com seu teclado lúgubre e baixo/guitarra envolto em pura energia elétrica. Ironicamente, há recorrente sample de Loleatta Holloway gritando "I need someone", superusado em faixas dance alegres.
Em meio a apenas faixas muito boas, (pelo menos) duas são espetaculares, em termos de dançabilidade violenta, pogueada ou como imaginárias trilhas-sonoras para conflitos campais de ruas pós-apocalípticas: Light Up Tje Sky e We Live Forever são estiletadas na espinha.
O defeito de The Day Is My Enemy (link da resenha, ao final desta) – retorno após sete anos sem gravar – foi sua inconsistente duração: faixas boas intercalavam-se com outras nem tanto. Em No Tourists, o Prodigy voltou conciso, sem qualquer adiposidade, todo-poderoso.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A lenda nordestina que é o Van Halen brasileiro, segundo Rafael Bittencourt
De Megadeth a Bruce Springsteen, as 10 músicas mais sombrias da história do rock
A banda idolatrada por Eddie Vedder que nunca tocou no Brasil: "Ele era fanático"
Jim Root entende que novo álbum do Slipknot irá "magoar algumas pessoas"
O álbum de 1970 que vendeu mais que Beatles e Led Zeppelin
Roger Waters e filho criam o Legacy, projeto que celebra a obra do Pink Floyd
O álbum definitivo do Dream Theater, na opinião do vocalista James LaBrie
Como surgiu a ideia de formar o Heaven & Hell, de acordo com Geezer Butler
Por que Lobão foi expulso da Blitz às vésperas do estouro, segundo o próprio
Rudy Sarzo acredita que morte de Randy Rhoads não foi acidente: "Piloto sabia que ia fazer"
O astro do rock que "deu aula" no Rock in Rio 2026, segundo Gastão Moreira
O show de reunião que deixou Mick Jagger impressionado e querendo muito mais
O disco dos anos 70 que David Ellefson considera perfeito
O Julgamento do Metal Clássico: Rock Justice impressiona na estreia com "You've Been Served"
Por que Tony Iommi acha que grandes músicos não conseguiam tocar Black Sabbath direito
Enterro de Raul Seixas fez "Salvador Dalí parecer desenho de Walt Disney", diz Marcelo Nova
Os únicos dois músicos que Humberto Gessinger poupou ao criticar geração do rock nacional
A obscura e "desafiadora" música do Rush que Neil Peart adorava "tanto ouvir quanto tocar"

Carach Angren - O horror dentro da caixa em "Dance and Laugh Amongst the Rotten"
Animals (1977) - quando o Pink FLoyd resolveu chamar todo mundo de bicho
Moonspell - A grandiosidade do Heavy Metal e da música erudita em "Opus Diabolicum"
Resenha: "Hard-Fi" - Rosa Tattooada (2026)
Depois da ressurreição, Marilyn Manson declara vingança em novo álbum
O álbum pesado e melancólico do Soilwork que ajudou a salvar a minha vida
Iron Maiden: Grata surpresa e despedida perfeita do gigante
Death: Responsáveis por elevar a música pesada a novo nível



