Arandu Arakuaa: com mais homogeneidade, banda lança seu melhor álbum

Resenha - Mrã Waze - Arandu Arakuaa

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Victor de Andrade Lopes, Fonte: Sinfonia de Ideias
Enviar correções  |  Ver Acessos

Nota: 8

Foram necessários 15 anos para que uma banda brasileira acertasse a peteca levantada pelo clássico Roots, do Sepultura. Refiro-me à mistura de heavy metal com música indígena, algo que ninguém fez consistentemente até o surgimento do Arandu Arakuaa, grupo brasiliense capitaneado pelo vocalista, guitarrista e violista Zândhio Huku, que cresceu em contato com a cultura xerente. Em 2011, eles subiram ao palco pela primeira vez e, dois anos depois, lançaram sua estreia Kó Yby Oré.

Rock in Rio: Os cachês e exigências dos artistas na edição de 1991Kerrang!: os 100 melhores álbuns de Rock em lista da revista

Passados cinco anos, o quinteto - com uma formação totalmente nova, exceto por Zândhio - lança seu terceiro álbum, Mrã Waze, e não são necessárias muitas audições para concluirmos que é o melhor do grupo até agora.

Como se adentrássemos a Floresta Amazônica e nos aproximássemos de um ritual indígena, "Sy-Guâsu" abre o disco com uma levada ainda totalmente orgânica, sem heavy metal. É em "Guâiupîá" que a viagem musical começa de fato, e muito bem.

Daí em diante, temos 40 minutos do mais típico Arandu Arakuaa, termo que aqui significa "faixas com guitarras de heavy metal contracenando com cânticos e ritmos indígenas brasileiros, vez ou outra intercaladas com peças totalmente acústicas como 'Danhõ're', 'Ko Kri' (instrumental) e 'Gûaînumby'".

Mesmo assim, nota-se uma evolução óbvia com relação aos discos anteriores, talvez capitaneada pela reciclagem quase total dos membros. Mrã Waze leva a mistura inusitada do Arandu Arakuaa a um novo patamar de homogeneidade. Com efeito, nós não temos mais simplesmente uma riffagem de metal enfeitada com chocalhos, violas e cânticos. Temos guitarras que efetivamente incorporam os padrões rítmicos indígenas em seus acordes, o que fica claro na já mencionada "Guâiupîá" e em "Jurupari".

A banda abre mais espaço para o heavy metal tradicional em detrimento do thrash/death que lhe são costumeiros - uma sábia decisão, pois torna o som mais palatável e deixa a mistura de estilos menos heterogênea. Ademais, as mudanças constantes de dinâmicas são suficientes para constatarmos até elementos progressivos no trabalho, vide o encerramento "Rowahtu-Ze".

Provando mais uma vez que o heavy metal não conhece barreiras culturais, o Arandu Arakuaa lança mais do que um álbum: trata-se praticamente de um ato de resistência, numa era em que índios lutam para terem seus direitos reconhecidos e em que aquilo que foge ao óbvio é rapidamente julgado.

Abaixo, o vídeo de "Huku Hêmba":

Track-list:
1. "Sy-Guâsu"
2. "Guâiupîá"
3. "Îasy"
4. "Danhõ're"
5. "Huku Hêmba"
6. "Ko Kri"
7. "Jurupari"
8. "Gûaînumby"
9. "Îaguara Kûara"
10. "Abaré Angaíba"
11. "Rowahtu-Ze"

Fonte: Sinfonia de Ideias
http://bit.ly/aranduarakuaa




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDsTodas as matérias sobre "Arandu Arakuaa"


Rock in Rio: Os cachês e exigências dos artistas na edição de 1991Rock in Rio
Os cachês e exigências dos artistas na edição de 1991

Kerrang!: os 100 melhores álbuns de Rock em lista da revistaKerrang!
Os 100 melhores álbuns de Rock em lista da revista

Thrash Metal: 20 bandas brasileiras de qualidade inquestionávelThrash Metal
20 bandas brasileiras de qualidade inquestionável

Jimi Hendrix: 12 coisas que talvez você não saiba sobre eleJimi Hendrix
12 coisas que talvez você não saiba sobre ele

Mulheres e guitarras: as mais importantes segundo a GibsonMulheres e guitarras
As mais importantes segundo a Gibson

Ultimate Classic Rock: as 25 músicas mais tristes da históriaUltimate Classic Rock
As 25 músicas mais tristes da história

Anthrax: Spitz afirma que Jesus é a razão de ele ainda respirarAnthrax
Spitz afirma que Jesus é a razão de ele ainda respirar


Sobre Victor de Andrade Lopes

Victor de Andrade Lopes é jornalista (Mtb 77507/SP) formado pela PUC-SP com extensões em Introdução à História da Música e Arte Como Interpretação do Brasil, ambas pela FESPSP, e estudante de Sistemas para Internet na FATEC de Carapicuíba, onde mora. É também membro do Grupo de Usuários Wikimedia no Brasil e responsável pelo blog Sinfonia de Ideias. Apaixonado por livros, ciências, cultura pop, games, viagens, ufologia, e, é claro, música: rock, metal, pop, dance, folk, erudito e todos os derivados e misturas. Toca piano e teclado nas horas livres.

Mais matérias de Victor de Andrade Lopes no Whiplash.Net.

adGooILQ