Krull: sem medo de arriscar em Black Coast
Resenha - Black Coast - Krull
Por Marcelo R.
Postado em 27 de agosto de 2018
Nota: 9 ![]()
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Radicada na cidade de Itu, interior de São Paulo, a banda Krull acabou de lançar seu álbum de estreia, The Black Coast. E que grata surpresa.

Embora a proposta musical principal da banda gire em torno de um heavy/power metal pesado e direto, é absolutamente simplista tentar catalogar e rotular o som do Krull em apenas um estilo. Afinal, nesse trabalho inaugural, é claramente perceptível a miríade de influências que se projeta sobre a música executada pelo grupo. E o resultado final alcançado foi bastante singular, maduro e com muita personalidade.
Após recepcionar o ouvinte com uma introdução tétrica e obscura em In The Woods, o álbum começa sem firulas e em grande estilo com The Witch, uma canção rápida, agressiva e direta. Um verdadeiro "tapa na cara" do ouvinte, na melhor acepção do termo.
O petardo que se segue – By Steel – se desenvolve na mesma linha e cativa pelo seu refrão marcante, que alterna entre vocais agudos e graves. Aliás, essa intercalação entre vocais graves e agudos é uma qualidade que permeia todo o álbum, conforme mencionado mais adiante.
O trabalho avança de forma vibrante e empolgante, com riffs originais, baterias rápidas e refrães cativantes e marcantes. Destacam-se, nessa linha, canções como Marching to the Mountains, Immortals, Stand Fight to Kill e a própria faixa-título, só para citar mais algumas.
Gustavo Anunciação Lenza | Roberto Luis Pertsew | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Luis Alberto Braga Rodrigues | Reginaldo Manuel Soares de Faria | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
As composições possuem um nível de energia marcante, que certamente funcionarão muito bem ao vivo e farão a alegria dos fãs de música rápida, pesada e direta.
Neste álbum de estreia sobejam boas influências. O instrumental, muito bem trabalhado e criativo, transita pelo heavy metal tradicional, pelo viking/pagan metal e, em certas passagens (ainda que de forma mais sutil), pelo thrash metal alemão.
A banda arriscou e se desafiou. Não houve espaço para o comodismo, para zonas de conforto ou para repetições enfadonhas de riffs e de fórmulas. As músicas, pulsantes, não ficaram circunscritas a um lugar comum. Em The Black Coast, o Krull não se jungiu a apostar em uma fórmula e a repeti-la. A banda foi além e mais longe e, sem medo de arriscar, promoveu uma junção de estilos, de ideias e de experimentações. E, ao final de tudo isso, além de ter realizado um trabalho singular e genuinamente honesto (longe das valas comuns de estilos saturados), o Krull construiu e solidificou, logo no seu álbum de estreia, a sua identidade musical, com firmeza e personalidade.
E há ainda mais a se dizer sobre o The Black Coast.
Além do ótimo instrumental, o vocal do Luís Domingos Krull é realmente surpreendente. É, sem exageros, de arrancar aplausos de qualquer plateia. E esse ponto merece especial destaque.
Com efeito, Luís Domingos Krull possui timbres graves e agudos bastante marcantes, além de uma forma de cantar especialmente característica, com diversas alternâncias ao longo das canções. O vocalista intercala tons mais graves, na linha de Rock 'n' Rolf (Running Wild), Chris Boltendahl (Grave Digger), Wash Balboa (Rexor) e Taneli Jarva (especialmente no estilo adotado no álbum Amok do Sentenced) com tons mais agudos e rasgados (que lembram bastante o Udo Dirkschneider, ex-Accept). Ademais, em passagens mais agressivas, o timbre do vocalista também remete, discretamente, ao estilo do thrash metal alemão, especialmente do Schmier (Destruction).
Bem se nota, portanto, que, em The Black Coast, não há espaço para "mesmices".
Num trabalho de qualidade tão equilibrada, o maior destaque fica para a canção Valhalla, com a sua introdução transcendental à la Strange World (Iron Maiden) e com o seu desenvolvimento épico, em estilo viking/pagan metal, na linha de clássicos atemporais como o álbum Blood on Ice do Bathory.
Com tantas influências do melhor do heavy metal, o resultado não poderia ser diferente. Está-se diante de um álbum excelente, que merece ser ouvido e, sobretudo, valorizado, tanto pela riqueza musical como pela vasta gama de influências, equilibradas em doses precisas e adequadas.
O Krull evidenciou maturidade e experiência logo no seu trabalho de estreia. E, justamente por isso, merece desfrutar de sucesso à altura do dedicado e esforçado trabalho envidado neste trabalho inaugural.
Vida longa ao Krull
Altamente recomendado.
Track-list:
1 In the Woods - Intro
2 The Witch
3 By Steel
4 Marching to Mountains
5 Valhalla
6 The King and the Sword
7 Immortals
8 Stand Fight to Kill
9 The Black Coast
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