Dream Theater: Awake é um dos melhores trabalhos dos anos 90
Resenha - Awake - Dream Theater
Por Marcio Machado
Postado em 22 de agosto de 2018
Nota: 10 ![]()
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Ah como é gostoso ouvir uma banda se afirmando num cenário com fortes convicções e galgando seu lugar ao sol nesse mar de bandas, principalmente na cena tão rica dos anos 90. E foi ali nessa década, que uma banda de prog marcava seu nome e teria um grande futuro pela frente, as pressões do segundo disco (com LaBrie) e a expectativa do resultado, e foi assim que o Dream Theater lançou "Awake", considerado por muitos como seu melhor trabalho até hoje.
Depressão, angústia, o choque do despertar da velhice, são temas abordados nessa grande obra e um dos melhores álbuns do ano de 94. Aqui temos uma sonoridade mais crua e pesada que no álbum anterior, um vocalista trazendo um novo estilo, com mais drives mesclados à seus agudos e uma banda extremamente afiada.
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A bateria de Mike Portnoy abre o disco na introdução de "6:00", Petrucci, Myung e Moore chegam acomoanhando seu amigo de banda com bastante peso numa música toda quebrada e LaBrie mostra que adotaria outro tipo em sua voz, mais crua, rasgada e que casa perfeitamente com a proposta aqui. Há um solo de teclado divino na faixa. Só um aquecimento para o que viria.
"Caught in a Web" começa bem cheia de groove, com um teclado criando um fundo bastante viajado para logo em seguida haver uma quebra no ritmo e de novo LaBrie entrar se sobrepondo e impondo presença. Portnoy cria linhas até simples, porém, é uma das melhores linhas de batera do gênio, o andamento soa perfeito e pesado na medida certa. O timbre que Petrucci usa aqui também é demais. E eis nessa faixa um dos melhores refrões que a banda já criou.
Trabalhando um lado mais melódico e sereno, "Innocence Faded" aparece dando seguimento, e aqui temos o LaBrie do "Imagem and Words", cantando em sussurros e mais agudo. Que harmonia belíssima temos aqui e que refrão, cantada em conjunto por James, Mike e Petrucci. A música tem um crescendo em sua segunda parte e fica ainda mais linda! Se tornou clássico da banda.
"Erotomania" é a "parque de diversões" dos caras, faixa instrumental da vez que continuaria dando as caras pelos próximos lançamentos. Aqui vemos cada membro mostrar sua habilidade em quebras de tempos, peso, melodia e muita fritação, claro. A mudança para uma linha mais melódica em sua metade é grandiosa e soa com uma naturalidade que nos assusta e ao mesmo tempo como é bom se deliciar nesses momentos em que o DT se solta. Petrucci é gênial aqui, com solos absurdos e como é absurdo a forma que a guitarra dele e os pedais de Portnoy casam perfeitamente em vários momentos.
"Voices" começa de forma mais calma, explode numa introdução pesada e descompassado. Em seguida temos um momento de calma em versos mais serenos acompanhado pelo teclado de Moore. Mais uma vez temos um grande refrão aqui. Em sua segunda parte LaBrie explora ao máximo sua voz em tom altíssimo num andamento mais rápido, para então cair numa parte bastante melódica que é linda e cheia de feeling.
Em seguida temos uma linda balada, "Silent Man" é inteira entoada só por violão e voz, e é uma das coisas mais belas que a banda já criou no decorrer de sua história. Tem uma letra bastante forte e um tom melancólico. E como é gostosa de se ouvir, tem um solo lindo e um refrão que nos contagia. A faixa ganhou um clipe muito belo também, com fotografia em preto e branco que ilustra bem tudo o que se quer passar. Linda linda!
Agora voltamos ao peso, e que peso! "The Mirror" começa seca e com afinação baixa num andamento simples, porém carregando o peso de um guindaste passando por cima de tudo. Quando Moore cria toda a atmosfera com seus teclados tudo fica mais viajado ainda, e a fritação de pedais duplos nos leva ao bate cabeça, aliás, a faixa toda leva. Um refrão cantado de forma rasgada e com ritmo quebrado. Termina com uma leva mais calma com o baixo de Myung ditando o ritmo, Petrucci mandando arpejos por todos os lados e sem tempo para respirar, "Lie" chega com os pés na porta e traz de novo cadência e groove, mesclado à um vocal hora calmo, hora agressivo ao extremo. Após o solo fudido que se tem aqui, há uma passagem cheia de peso e velocidade ensandecida que nos leva de novo a melodia da faixa anterior. Termina com Petrucci fritando as cordas. Do caralho!
O japonês sisudo abre a introdução de "Lifting Shadows Off a Dream" com bastante presença e acompanhado pelos teclados. LaBrie é perfeito aqui em sua voz, como ele passa sentimento ao cantar cada palavra. Que faixa é essa, linda demais, me recordo do show dos caras em São Paulo em 2014, ano que se passavam 20 anos do lançamento do disco e tocaram a canção, os olhos de muitos marmanjos marejaram por ali, inclusive deste que aqui escreve.
"Scared" começa lenta e vai se tendo um crescendo para cair numa parte cheia de peso e quebras de tempos. Moore mais uma vez se destaca em um climão com seus teclados, do nada somos jogados em o que parece ser outra faixa tamanha mudança de ritmo. Temos aqui um solo cheio de feeling e muito entrosamento da banda num todo. Ótima.
"Space-Dye Vest" é uma das mais viajadas que a banda fez, mas isso não tira o brilho da faixa, que é linda e cheia de melancolia. Ah esse teclado do início, que coisa mais bela. E como foi gratificante ver isso ao vivo no mesmo show de 2014, que inclusive foi uma das poucas vezes que a banda executou essa canção ao vivo. Ouvir essa música de olhos fechados é uma melhores sensações do mundo, só deixar o som rolar e viajar em seu andamento. É um encerramento gigante para um belo trabalho!
"Awake" é um dos melhores trabalhos dos anos 90, um dos melhores discos do Dream Theater, que prova que é muito além de uma banda cheia de notas como muitos falam. É um trabalho lindo, carregado de sentimentos e amor a música. Um verdadeiro presente para os ouvintes!
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