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The Sea Within: uma ótima mescla de prog com art

Resenha - Sea Within - Sea Within

Por Victor de Andrade Lopes
Postado em 01 de agosto de 2018

Nota: 8

Mais um supergrupo progressivo? Mais um supergrupo progressivo. Ainda por cima, um que foi sugerido pela gravadora, em vez de ser uma iniciativa espontânea dos integrantes. Mas antes de você revirar os olhos, permita-se ler algumas palavras sobre o The Sea Within. Ele certamente merece sua atenção, não apenas pela qualidade musical em si, mas pela relativa originalidade do som.

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O estilo do grupo é, basicamente, rock progressivo mesmo. Mas há uma forte incorporação de art rock e música erudita, deixando o som deveras diferenciado, distante de lugares-comuns. E, apesar das intenções comerciais por trás de sua concepção, o resultado acabou sendo uma das melhores fusões já criadas do progressivo com o art, juntando a sofisticação e a destreza técnica do primeiro com a contemplatividade e leveza do segundo. Sem falar na evidente dedicação dos músicos envolvidos.

Ao longo das oito faixas da estreia autointitulada, além de quatro bônus da edição de luxo, a banda passeará entre momentos pesados, leves, rápidos e lentos. Somando isso às participações especiais de convidados, temos um disco que se torna ainda mais interessante pelas surpresas que traz a todo momento.

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Talvez por isso não seja um álbum de fácil digestão. A única conclusão sobre ele que você pode tirar após apenas uma escutada é que não dá pra tirar qualquer conclusão sobre ele após apenas uma escutada.

A abertura relativamente tensa "Ashes of Dawn", por exemplo, é menos longa do que parece e já traz um convidado: o saxofonista Rob Townsend, que já deixou sua marca em trabalhos do lendário guitarrista Steve Hackett e aparece aqui para um bem-vindo solo.

Por outro lado, "They Know My Name" e "The Void" desaceleram as coisas e entregam algo um pouco mais acessível do ponto de vista comercial, tirando mais proveito do piano e do violão. O solo de teclado em "The Void" é, inclusive, um bom exemplo da pegada mais tranquila do The Sea Within. Muitos tecladistas aproveitariam o momento pra dedilhar até sair sangue, mas Tom Brislin apenas navega suavemente por seu instrumento, no melhor estilo Mark Kelly e Tomas Bodin.

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A ótima "An Eye for an Eye for an Eye" vem para mostrar mais uma faceta da banda: seu lado jazz, que se manifesta escancaradamente numa deliciosa passagem instrumental de cerca de dois minutos, na qual Tom improvisa ao piano enquanto o baterista Marco Minnemann e o baixista Jonas Reingold fazem uma modesta fritada ao fundo para acompanhá-lo.

Em "Goodbye", chega a vez de outro convidado: Casey McPherson. Esta informação só é útil para quem não conhece nem Alpha Rev, nem Flying Colors, pois sua inconfundível e melódica voz é a primeira coisa que chama a atenção nesta faixa, ao mesmo tempo em que Roine Stolt apresenta riffs e licks com fortes influências de Carlos Santana.

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Depois de um breve interlúdio instrumental, convenientemente intitulado "Sea Without", chegamos à épica "Broken Cord". Dinâmica, ela começa com jogadas de Beatles com Queen. Depois a música vai "progredindo" e já ganha contornos mais intrincados, com solos, duelos, relativas fritações, etc, mas voltando ocasionalmente a um estágio mais sereno. Casey reaparece para dar seu toque único, enquanto que Jon Anderson, do Yes, faz uma tímida contribuição que só um público muito atento chegará a notar.

O encerramento "The Hiding of the Truth" tem clima de alívio e traz a última participação de Casey. Além dele, quem também dá as caras aqui é o lendário tecladista Jordan Rudess, do Dream Theater, mas de um jeito bem diferente: em vez de solar como um extraterrestre no teclado ou no Haken Continuum, o estadunidense cria um pano de fundo musical com seu piano, uma faceta sua não tão conhecida, mas da qual o Dream Theater tira bastante proveito em "Fatal Tragedy" ou "On the Backs of Angels", por exemplo.

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E então o The Sea Within faz a mesma coisa que o Spock's Beard fez em outro grande lançamento progressivo do ano, Noise Floor (resenhado aqui): deixou quatro faixas de qualidade equivalente às principais relegadas à condição de faixas bônus.

Elas incluem a relativamente pesada "The Roaring Silence"; a simpática "Where Are You Going", com toques de Beatles e um solo de cravo que praticamente parodia o solo de piano de George Martin que os Fab Four aceleraram artificialmente para encaixar no andamento de "In My Life"; a leve "Time"; e a emotiva "Denise".

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Não custa reforçar que se trata de um álbum de digestão difícil, principalmente para quem não é fã deste tipo de música. Por isso, ele merece não uma, mas várias chances. Ao mesmo tempo, não é preciso muito esforço para perceber que ele com certeza constará nas listas de melhores do ano do gênero progressivo.

Independentemente disso, The Sea Within é uma estreia sólida e firme de um grupo que curiosamente reluta em se considerar "super" e conquista nossos ouvidos ao produzir um som fora do comum por meio da incorporação de elementos art.

Abaixo, o vídeo de "Ashes of Dawn":

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Track-list:
1. "Ashes of Dawn"
2. "They Know My Name"
3. "The Void"
4. "An Eye for an Eye for an Eye"
5. "Goodbye"
6. "Sea Without"
7. "Broken Cord"
8. "The Hiding of the Truth"

Faixas bônus da edição de luxo:
1. "The Roaring Silence"
2. "Where Are You Going?"
3. "Time"
4. "Denise"

Fonte: Sinfonia de Ideias
http://bit.ly/theseawithin

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Sobre Victor de Andrade Lopes

Victor de Andrade Lopes é jornalista (Mtb 77507/SP) formado pela PUC-SP com extensões em Introdução à História da Música e Arte Como Interpretação do Brasil, ambas pela FESPSP, e estudante de Sistemas para Internet na FATEC de Carapicuíba, onde mora. É também membro do Grupo de Usuários Wikimedia no Brasil e responsável pelo blog Sinfonia de Ideias. Apaixonado por livros, ciências, cultura pop, games, viagens, ufologia, e, é claro, música: rock, metal, pop, dance, folk, erudito e todos os derivados e misturas. Toca piano e teclado nas horas livres.
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