Oceans Of Slumber: transformando problemas externos em música
Resenha - Banished Heart - Oceans Of Slumber
Por Fábio Laurandi
Postado em 30 de abril de 2018
A inspiração artística é realmente algo interessante. Cada vez chego mais fortemente à conclusão de que poucos são os que conseguem realizar excelentes obras de arte estando com a sua vida e mente estabilizadas. É preciso ter problemas. É preciso passar por dificuldades, sejam elas amorosas, familiares, financeiras ou de qualquer outro modo. Com a OCEANS OF SLUMBER – banda sediada em Houston, no Texas – não foi diferente disso. Não que a gente deva torcer para que os caras enfrentem adversidades. Mas já que todos nós nos deparamos com elas ao longo da vida, que sejam bem aproveitadas e transformadas em obras como The Banished Heart. O terceiro disco da banda, que saiu em março deste ano, é um petardo pra lá de problemático, só que num ótimo sentido!
Tendo a tarefa de suceder a Winter, disco de 2016 muito elogiado pela crítica, o álbum volta a trabalhar com as referências prog, doom e góticas da banda, mas acrescenta elementos do metal tradicional de maneira muito mais consistente do que fazia antes. O disco é um clamor desesperançoso e um grito pela autoafirmação ao mesmo tempo. Suas letras versam sobre a possibilidade de construir seu próprio caminho mesmo tendo saudade do que ainda está em algum lugar te aguardando. Versam sobre a solidão e a desilusão de maneira positiva e construtiva. Trabalham a ideia do banimento como algo que pode fazer alguém crescer em meio a tantas adversidades. Em suma, é uma banda que não se forçou a amadurecer. Isso aconteceu naturalmente devido às circunstâncias pessoais.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
O primeiro grande destaque fica por conta da vocalista Cammie Gilbert, que está maravilhosa no disco inteiro. Que versatilidade impressionante tem a voz dela. Agressiva e doce, parecendo uma punhalada seca que só começa a doer quando se retira a faca e o sangue esquenta. Não que eu já tenha tomado uma punhalada – nem quero –, mas o efeito das letras misturadas ao estilo vocal de Gilbert me remeteram diretamente a isto. Já o segundo destaque aparece com o trabalho da bateria de Dobber Beverly. Precisa, marcada, cadenciada quando necessária e extremamente rápida quando a música acelera. Esse cara está tocando demais!
A faixa de abertura, "The Decay Of Disregard", é um hino a quase todos os temas que aparecerão no restante do álbum e uma baita composição que inicia o disco em grande estilo. Outras faixas me chamaram bastante atenção até agora. "At Dawn", que fala sobre a construção da sua própria solidão e alterna momentos muito pesados com outros bem leves e cadenciados é uma delas. "A Path To Broken Stars" é demais também! Aqui os dois destaques musicais – vocal e batera – aparecem fortemente misturados a uma produção que deu mais peso às guitarras da banda nesse álbum. É porrada na moleira com momentos reflexivos. "No Color, No Light" é outra grande composição que aparece ao final do disco com – pasmei – um aspecto até comercial, lembrando um pouco o que senti quando ouvi "Suffer The Last Bridge" do Winter, que é talvez a música mais radiofônica da banda. Guardadas todas as diferenças entre as duas, a música apresenta vocais limpos e a participação de Tom Englund do EVERGREY. Mas não se assuste. Quando eu digo aspecto comercial, é pela própria estrutura da música ao apresentar refrão muito bem marcado e passagens grudentas ao longo. Arrastadona do jeito que é, não vejo a canção tocando em rádio.
The Banished Heart é fruto de desavenças pessoais, litígios em relacionamentos, desestruturações familiares. Nada disso afeta a banda no que diz sentido à sua coesão e relação interna, mas afeta fortemente as composições que a OCEANS OF SLUMBER nos apresenta nesse álbum. Sombrio, arrastado, instigante, é o tipo de disco que talvez você ouça e nem saiba se gostou ou não – juro, aconteceu comigo –, mas vai querer ouvir de novo para trabalhar cada vez mais as ideias que o álbum te apresenta.
Tracklist:
01. The Decay Of Disregard
02. Fleeting Vigilance
03. At Dawn
04. The Banished Heart
05. The Watcher
06. Etiolation
07. A Path To Broken Stars
08. Howl Of The Rougarou
09. Her In The Distance
10. No Color, No Light
11. Wayfaring Stranger
Fonte: earside.com
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