Saco de Ratos: O Amor É Foda, no primeiro CD
Resenha - O Amor É Foda - Saco de Ratos
Por Rodrigo Contrera
Postado em 20 de fevereiro de 2018
Quando eu frequentava o teatro Cemitério de Automóveis, estranhava que naquele grupo de marmanjões se falasse tanto de amor. Porque eu sentia que ali a regra era mais a da ausência de compromisso, e não a do amor. Claro, via pessoas indo e vindo e sofrendo de amor, aqui e acolá. Mas sentia que havia algo de estranho na presença contínua do tema amor nesse ambiente bastante misógino (o Marião, diretor do grupo de teatro, e vocalista e líder do Saco de Ratos, nega esse qualificativo, e ele tem bastante razão).
Foi preciso me afastar, por motivos pessoais, para aos poucos a ficha cair. Realmente nas peças do Marião, assim como nos livros e nas músicas, muito convida a refletir sobre esse sentimento estranho, o amor. Mas deixando de lado aquilo que ficou batido. Deixando de lado o clichê. Deixando de lado também os pudores.
Esta música, do primeiro CD do Saco de Ratos, banda na época formada também pelo Fábio Brum (guitarra), Marcelo Watanabe (também guitarra), Fábio Pagotto (baixo) e Rick Vecchione (bateria), é uma faixa no mínimo que destoa. Ela não é propriamente cantada. Ela é quase declamada, pelo Marião, como poema. Uma faixa lenta, com letra absolutamente clara, que expressa, em última instância, o título, quase e somente isso. O amor é foda.
Um blues, com baixo marcante e gaita do Flávio Vajman, acompanhado por guitarra e uma batida dura da bateria. Mas algo suingado. Coloco a letra abaixo, para comentar a seguir.
Tem gente que ama muito.
Mas depois quer se livrar do amor.
Pra conseguir um novo amor.
Ou pra conseguir a vida que tinha antes do amor.
Porque o amor muda tudo.
O jeito que você segura o talher.
Ou o jeito que você anda na rua.
O amor incomoda.
O amor é foda.
Gustavo Anunciação Lenza | Roberto Luis Pertsew | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Luis Alberto Braga Rodrigues | Reginaldo Manuel Soares de Faria | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Curioso que aqui tenha eu que lembrar da época em que frequentava o teatro. Isso porque sempre via o Marião olhando ao longe tudo, como se fosse quase um espectador. E porque eu não reparava que tudo aquilo era uma espécie de laboratório.
O Marião é um londrinense nascido em 1962 filho de caminhoneiro, que frequentou um seminário na infância, e que fugiu com 12 anos de idade. Para viver uma vida de penúria, mas solenemente dedicada à escrita e à atuação e direção de teatro. Teve uma penca de namoradas, pelo que conta, casou-se (uma vez) e teve (sem querer) uma filha, a Isabela, hoje já adulta.
Nesse seu período de vida perigosa (conviveu com marginalidade, sem se envolver; morou em cortiços de baixíssima fama; se envolveu em muitas brigas e confusões; e em 2011 mais ou menos foi baleado no bar dos Parlapatões, quase morrendo), o Marião pôde conviver com muitas pessoas e histórias, e reparar naquilo que para elas era importante: o amor. Fã de Cassavettes (o cineasta), e de muitos outros escritores e cineastas (como o Domingos de Oliveira, de quem é amigo), o Marião chegou a um estado de suposta placidez no que diz respeito às paixões - e ao amor.
Esta faixa resume em grande medida o que vemos, ou o que sentimos, quando vemos aqueles marmanjos chegando no bar amando, deixando de amar, sendo largados, ou perdidos - por causa do amor. O meu caso, aliás, foi justamente esse. Eu me envolvi com o teatro em geral e com aquele em particular porque tinha levado um pé na bunda de minha esposa.
Curioso que esse clima blues ao lidar com o amor é bastante coerente com uma espécie de pessimismo com respeito às relações em geral. Mas um pessimismo que no fundo é acomodado. Uma espécie de desastre anunciado. Não à toa muitas das imagens que o Marião usa remetem a catástrofes que é possível evitar mas que a gente não evita. Porque no fundo somos assim.
Terceira faixa do primeiro CD, O amor é foda apenas prenuncia algo que intui apenas, com minha vida, enquanto lido com as carências típicas de quem virou banana por ter perdido o amor (sabe-se lá por quê), e por não saber mais quem é. Como muitos dos perdidos que chegam naquele teatro bar, ficam a noite toda, dormem por lá e continuam sua sina de seres que mal parecem se acomodar nos próprios pés.
CD do Marião no site dele:
http://www.mariobortolotto.com.br
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Aos 79 anos, Brian May (Queen) anuncia aposentadoria das turnês
Bangers Open Air 2027 define data para anúncio do lineup completo
Metallica volta a tocar música que estava fora dos seus shows desde 2008
O clássico absoluto do Metallica cuja introdução foi inspirada em uma música do Venom
Sepultura anuncia "The Last Ceremony", que será realizado no dia 5 de novembro
10 discos de heavy metal lançados de 1970 a 1993 que são essenciais, segundo o CRH
The Dead Daisies anuncia Kelly Hansen, ex-Foreigner, como novo vocalista
Por que Angra não chamou Marco Antunes de volta, segundo Rafael Bittencourt
A banda de rock nacional dos anos 1980 que Lobão comparou com o Palhaço Carequinha
Álbum do Sepultura é citado como um dos melhores discos do thrash metal em lista da Kerrang!
A música de 1968 dos Beatles que é a pior de todos os tempos, segundo Regis Tadeu
Filho de Chino Moreno (Deftones) sobe ao palco com o Soulfly
Os dois clássicos do rock que Ian Anderson do Jethro Tull acha genéricos demais
Charlie Benante fica de fora de mais um show do Anthrax
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide
O melhor baterista dos últimos 10 anos, segundo Lars Ulrich do Metallica
Bryan Adams conta em entrevista como foi compor hit pesado do Kiss
Steven Tyler explica porque recusou ser vocalista do Led Zeppelin
O Julgamento do Metal Clássico: Rock Justice impressiona na estreia com "You've Been Served"
Carach Angren - O horror dentro da caixa em "Dance and Laugh Amongst the Rotten"
Animals (1977) - quando o Pink FLoyd resolveu chamar todo mundo de bicho
Moonspell - A grandiosidade do Heavy Metal e da música erudita em "Opus Diabolicum"
Resenha: "Hard-Fi" - Rosa Tattooada (2026)
Depois da ressurreição, Marilyn Manson declara vingança em novo álbum
O álbum pesado e melancólico do Soilwork que ajudou a salvar a minha vida
Iron Maiden: Grata surpresa e despedida perfeita do gigante
Death: Responsáveis por elevar a música pesada a novo nível
