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Death: O pináculo da sua discografia

Resenha - Symbolic - Death

Por
Postado em 05 de fevereiro de 2018

Nota: 10 starstarstarstarstarstarstarstarstarstar

Confesso que não sou exatamente um grande conhecedor de bandas de death metal ou metal extremo no geral, mas Death sempre conseguiu me chamar atenção pela sonoridade apresentada nos seus últimos quatro discos, sendo Symbolic o pináculo da sua discografia e que elevou a já complexidade musical dos dois álbuns anteriores a outro patamar, ao mais alto atingido pelo grupo.

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Acho que não existiria nada mais insano que questionar a importância de Chuck Schuldiner para o death metal no final dos anos 80 e começo dos 90. O guitarrista/vocalista sempre teve por trás músicos agressivos que lhe deixavam a vontade pra escrever vários dos riffs mais brutais e impactantes de sempre.

O álbum não carrega apenas uma sonoridade de puro death metal, mas traz consigo também incursões progressivas. Algumas músicas possuem passagens bem colocadas/tranquilas que precedem um riff completamente satisfatório que termina por grudar na cabeça. Passagens de violão acústico também se espalham pelo álbum em grande precisão. Liricamente é bem variável, abordando coisas como meditações intelectuais, profecias distópicas, lutas aparentemente pessoal, enfim, assuntos que fogem dos temas gore habituais como atrocidades, loucuras, horror e terror.

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Symbolic também tem a melhor produção da discografia da banda, sendo poderosa, cristalina e detalhada. Um álbum composto por uma banda que parece usar do lema "trabalhamos com raiva para melhor servirmos".

O disco começa com a faixa título através de um dos melhores riffs de metal que já ouvi. Tudo na música é simplesmente incrível, mudanças de tempos em abundância, bateria inigualável, gritos bem desenvolvidos e baixos cavalares. Certamente que logo de cara Schuldiner sabia que estava produzindo um marco na história do metal extremo.

"Zero Tolerance" é um dos maiores clássicos da banda entre os fãs. O trabalho atonal de guitarra é esplendoroso e mostra perfeitamente o quanto as habilidades de composição de Chuck evoluíram com o passar dos anos. As harmonias são maravilhosas. Uma faixa de sonoridade extremamente furiosa.

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"Empty Words" revela um pouco o lado mais progressivo da banda através da introdução bastante limpa. A sequencia é repetida várias vezes até que depois o clima de tranquilidade é bombardeado pela já conhecida instrumentação caótica, desta vez em uma linha de guitarra bastante melódica. Uma faixa de tirar o fôlego.

"Sacred Serenity" não é uma faixa que tem o mesmo nível das demais até aqui, mas ainda assim não deixa de ser boa. A introdução de baixo e bateria é bastante promissora, mas certa frieza a faz escorregar em relação a expectativa inicial. Porém a linha de guitarra do início, por exemplo, é incrível.

"1,000 Eyes" é uma das faixas da banda que eu mais amo. A performance de Gene Hoglan na bateria é de difícil definição, apenas escute e sinta principalmente os trabalhos de bumbo. Cheia de mudanças de tempo e solos que fazem desta música uma verdadeira joia.

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"Without Judgemen" abre através de um riff estereotipado de metal. Possui um solo de guitarra simples, porém memorável que é mais um dos momentos de grandes destaques no álbum. O riff melódico no meio da música é lindo assim como a destreza com que Chuck faz o trabalho de "fritação", digna de comparação a nomes como Mallmsteen e Petrucci.

"Crystal Mmountain" eu digo ser uma faixa que se posiciona mais ou menos entre "Sacred Serenity" e" Zero Tolerance", por tanto, espere coisa boa vindo aí. Novamente impossível de não mencionar a bateria. Inesquecível, novamente mostra todas as sua habilidades. A ruptura dramática antes da metade da música é outra grata surpresa.

"Misanthrope" tem uma introdução bastante veloz e técnica onde creio ser a parte de maior destaque na música. Mas se eu fosse dizer qual é a música mais "fraca" do álbum, certamente esta seria a escolhida. Ainda assim, possui alguns riffs agradáveis e que a torna uma boa faixa.

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"Perennial Quest" fecha o disco de maneira apoteótica, uma verdadeira obra-prima da música extrema. Todos os músicos parecem estar no seu auge aqui, o tempo é de uma grande eficiência. Certamente o momento mais progressivo do álbum. Talvez os mais fanáticos pelo gênero ache as seções acústicas desnecessárias, mas a real é que tudo aqui está no seu devido lugar do começo ao fim.

Ainda bem que a história não morre com quem a fez, pois se Chuck Schunilder não mais se encontra nesse plano devido a um câncer que lhe tirou a vida aos 34 anos em 2001, sua música e todo o legado será eterno e com certeza sempre lembrado por aqueles que reconhecem a importância de nomes que dividem a história entre antes e depois.

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Sobre Tiago Meneses

Um amante do rock em todas as suas vertentes, mas que desde que conheceu o disco Selling England by the Pound do Genesis, teve no gênero progressivo uma paixão diferente.
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