John Lennon: O grande primeiro registro solo
Resenha - Plastic Ono Band - John Lennon
Por André Luiz Paiz
Fonte: 80 Minutos
Postado em 24 de janeiro de 2018
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Em 1970, após o dramático e conturbado término dos Beatles, John Lennon viria a lançar uma de suas melhores obras: "John Lennon/Plastic Ono Band", seu primeiro trabalho solo de estúdio após alguns lançamentos experimentais.
A dissolução dos Beatles causou traumas por todos os lados, gerando desgastes psicológicos, causando afastamento dos membros e um tremendo abalo nas amizades dos integrantes, principalmente entre John Lennon e Paul McCartney. O único aparentemente a ficar em campo neutro seria Ringo - que inclusive participa de algumas canções deste álbum e também do primeiro álbum solo de George. Logo após o término dos Fab Four, John e Yoko fizeram sessões de terapia com o famoso terapeuta Arthur Janov durante alguns meses. Nas sessões, Lennon precisou lidar com problemas relacionados à sua infância, adolescência e problemas familiares. Assim, muita da temática que circula o conteúdo do álbum está relacionada com estas experiências vividas no período.
"John Lennon/Plastic Ono Band" é considerado por muitos o melhor trabalho solo de John. Na minha opinião, está sim no topo da lista, mas possui a companhia de outros trabalhos que também me encantaram por igual, como "Imagine" e "Mind Games". Para os aventureiros de primeira viagem, "John Lennon/Plastic Ono Band" é definitivamente um ótimo começo.
O trabalho começa com a famosa e marcante balada "Mother", em que Lennon implora lamentando de início e aos berros em seguida, que sua mãe não se vá e que seu pai volte para casa. Uma faixa tocante.
"Hold On" é uma canção com pouco menos de dois minutos. Para mim, uma das melhores. Uma faixa tão simples e ao mesmo tempo encantadora, com mensagens motivacionais entre John e Yoko.
A primeira faixa mais rock é "I Found Out", em que John mostra certa desilusão com a propagação mal-intencionada de algumas religiões com base em outros interesses. Uma ótima faixa.
Dentre as melhores do disco está: "Working Class Hero". Uma balada acústica meio folk e que desperta uma curiosidade: como teria sido sua execução ao vivo com somente Lennon e a platéia? Arrepia de imaginar. Excelente faixa, que trata da diferença entre as classes sociais.
De volta ao rock, "Remember" soa densa e traz lembranças de Lennon do período em que fez terapia.
A balada "Love" também é figura fácil nas coletâneas de Lennon. Uma linda faixa, que fala simplesmente o que é o amor sob a visão de Lennon.
"Well Well Well" traz o rock de volta. Uma faixa um pouco polêmica devido ao conteúdo das letras, que tratam basicamente sobre o dia a dia de Lennon e Yoko, que participavam de diversos movimentos políticos e sociais naquele período.
"Look at Me" é mais uma balada acústica que nos faz lembrar "Julia", do "White Album" dos Beatles. Curiosamente, descobri recentemente que a composição é remanescente das faixas criadas por Lennon naquele período. Realmente está abaixo das contribuições de John para o álbum lançado em 1968 pelos Beatles, mas a canção ainda sim é interessante.
Preparados para um dos maiores clássicos de John Lennon? "God" é um desabafo magnífico de John, em que ele questiona a existência de alguns ídolos no início da canção e, por fim, questiona a existência dos Beatles, dizendo não acreditar em nenhum deles. Mais próximo do final, deixa a famosa mensagem "The Dream Is Over" soar de maneira triste. É facilmente notável que John se emocionou durante as gravações.
Outro detalhe interessante, ainda sobre "God", é que ela conta com a participação do saudoso e fantástico cantor/tecladista/pianista Billy Preston.
Encerrando o álbum, há ainda a faixa "My Mummy's Dead", uma gravação curtinha e com sonoridade caseira, provavelmente proposital, em que Lennon fala novamente sobre sua mãe.
Um álbum intimista e introspectivo, em que Lennon compartilha os seus conflitos e dúvidas. Um grande início de uma carreira solo extremamente interessante, porém infelizmente curta.
Texto retirado da página 80 Minutos. Um site para quem gosta de ler e fazer avaliações de álbuns. Conheça!
Fonte:
https://80minutos.com.br
Tracklist:
Mother 5:36
Hold On 1:53
I Found Out 3:37
Working Class Hero 3:50
Isolation 2:53
Remember 4:36
Love 3:24
Well Well Well 5:59
Look At Me 2:54
God 4:10
My Mummy's Dead 0:49
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Iron Maiden anuncia reta final da "Run for Your Lives" e confirma que não fará shows em 2027
Mikael Åkerfeldt (Opeth) não conseguiria nem ser amigo de quem gosta de Offspring
Download Festival anuncia novas atrações e divisão de dias para a edição 2026
Sepultura lança "The Place", primeira balada da carreira, com presença de vocal limpo
Nicko McBrain celebra indicação do Iron Maiden ao Rock and Roll Hall of Fame
Bruce Dickinson, do Iron Maiden, já desceu a mamona do Rock and Roll Hall of Fame
A maior dificuldade de Edu Ardanuy ao tocar Angra e Shaman na homenagem a Andre Matos
João Gordo explica o trabalho do Solidariedade Vegan: "Fazemos o que os cristãos deveriam fazer"
Rock and Roll Hall of Fame anuncia indicados para edição 2026
Indireta? Fabio Lione fala em "ninho de cobras" e "banda de palhaços" após show do AC/DC
AC/DC - um show para os fãs que nunca tiveram chance
Por que Joe Perry quase perdeu a amizade com Slash, segundo o próprio
A música do Metallica que James Hetfield achou fraca demais; "Tá maluco? Que porra é essa?"
"Burning Ambition", a música que dá título ao documentário de 50 anos do Iron Maiden
Loudwire lista 45 nomes que mereciam uma vaga no Rock and Roll Hall of Fame



O cantor que John Lennon achava fraco, mas conquistou o Brasil no Rock in Rio
A melhor música que Paul McCartney escreveu em todos os tempos, segundo John Lennon
A canção dos Beatles que foi inspirada pela música negra dos EUA, segundo John Lennon
John Lennon criou a primeira linha de baixo heavy metal da história?
As 6 melhores músicas de rock presentes nas trilhas das novelas do saudoso Manoel Carlos
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal


