Project46: que se reprogramem num próximo lançamento

Resenha - Tr3s - Project46

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Por Marcio Machado
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Vindo da pedrada que é "Que Seja Feita a Vossa Vontade" (2014), o Project46 depois de três anos finalmente coloca seu novo disco nas prateleiras, bem, não literalmente, já que o mesmo só foi lançado em uma plataforma digital por enquanto, o lançamento oficial está previsto para o dia 3 de dezembro com um show com convidados especiais em São Paulo.

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"Tr3s" chega para matar a fome de fãs da banda que cresceu exponencialmente desde seu primeiro lançamento em 2011, passando por grandes festivais como Monster of Rock e Rock in Rio, mas será que o álbum cumpriu as expectativas?

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"Terra de Ninguém" abre o disco, e já traz aquele pique eufórico característico da banda. Trazendo a estreia de Baffo Neto, baixista vindo do Capadócia e do baterista Betto Cardoso, da banda Eyes of Gaya, em um álbum de estúdio, os dois mostram o porquê de terem sido escolhidos, e há de se falar como o visual de Baffo agrega a banda, fui a um show dos caras uns meses atrás e o visual com os dreads do baixista adiciona no palco. Voltando a música, começa com o vocal agressivo e bem versátil, e a quebra do ritmo no meio da faixa mostra que os caras evoluíram muito desde seu início, mas um vocal "rapeado" que surge nessa ponte causa um pouco de estranheza, mas logo passa para um descarrego de guitarras pesadas e pronto para quebrar pescoços.

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Sem tempo parar respirar, "Corre" vem chamando para os mosh, e Caio MacBeserra esbravando a letra a plenos pulmões é um chamariz para rachar a garganta gritando junto, e no final as guitarras ficam lentas e pesadas mais uma vez, uma fritação de pedais duplos, e de novo, sem dar vez para se pensar em algo, "Pânico", faixa que já havia ganhado um vídeo, vem como um chute de dois pés no meio da cara, e traz um trampo de peso, contratempos, quebradas e agressividade, grande mérito do novo batera, e o final, é aquele convite para se quebrar o quarto inteiro ouvindo a música no volume máximo! Uma ótima trinca para se abrir o disco. Mas daqui em diante, as coisas parecem mudar um pouco de forma, indo na direção do metalcore, as coisas ficam um pouco mais "brandas".

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"Rédeas" traz uma pegada mais melódica, lembrando algo de longe do Soilwork, principalmente devido ao seu refrão de vocal limpo, que para quem não está acostumado, pode achar meio estranho num primeiro contato, pois foi algo deixado de lado pela banda há tempos, mas que volta agora. Continuam os bons trabalhos dos músicos, em uma esticada fuziladora da bateria no fim da música e uma letra que fala sobre se ter o controle da própria vida.

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A próxima faixa, "Realidade Urbana", parece algo perdido do disco anterior, vocais extremos, baixo estalando no ouvido, guitarras com bases pesadas e blast-beats com contratempos de bateria, se unindo a um solo contido, mas matador, e mostra como a banda só vem evoluindo a cada ano e tem porque estar como grande promessa, particularmente dizendo, bem superior à uma outra certa banda, e inclusive, quem temporariamente assumiu as baquetas é o ex-baterista do próprio Project, surgiu anos atrás com holofotes da mídia especializada sobre eles, mas na verdade não passava de produto pronto e bem abaixo da pompa toda!

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Letra falando novamente sobre situações sociais, e lembrando algo lá do primeiro disco, "Marginal" traz novamente um refrão de vocal limpo, mas dessa vez as coisas não colaram muito bem, soa bastante estranho e não casa muito bem na proposta do resto da música, poderia ter passado sem essa parte, o que faz valer ainda é a parte instrumental que continua dando show com dobras de guitarras.

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Vindo como um crescendo e invocando de longe um Sepultura da fase Roots, um baixo bem pesado, "Pode Pá" traz uma letra bem interessante sobre como o mundo pode ser complicado as vezes e como lutar contra isso. Mais uma vez, a ponte da música faz uma referência enorme à Soilwork, e um refrão bastante melódico, diferente até da proposta à que estamos acostumados de algo deles.

Agora indo diretamente a veia metalcore mais raiz, trazendo a mente All That Remains, "Anônimo", traz bateria rápidas e guitarras dobradas em harmonias típicas do estilo, rápida, bumbos quebrados e vocais limpos que muito bem poderiam ser do próprio Phil Labonte. Uma faixa interessante, mas que não me agradou muito, mesmo em se tratando de diversidade e exploração dos músicos de alta qualidade que são, não é exatamente o que espero deles.

"Um Passo à Frente" começa com um dedilhado muito bonito, outra novidade pra banda, que logo dá espaço pra outra faixa no mesmo estilo da anterior, e aquela fúria que aparece nas três primeiras músicas, parece ter ficado de lado nas três finais. Continua meio apático à meus ouvidos e sem muito o que falar sobre.

Fechando o álbum, a faixa título chega para mostrar que talvez a banda num futuro descambe mesmo por esse viés, e soe mais parecida como alguns de seus parceiros nacionais, o que não me agrada exatamente e torço para que voltem ao que estava no disco anterior.

Então, respondendo à questão do início desse texto, o álbum cumpre as expectativas? Em partes sim, pois mostra evolução e músicos que não se acomodam e podem vagar por vários caminhos, mas, provavelmente contrariando a maioria dos ouvintes do mesmo, não é algo que me agradou a proposta encabeçada aqui, e ao longo do disco, as coisas parecem ir se perdendo até cair numa coisa mais "americanizada" e que vemos muito por aí, perdeu-se um pouco do que realmente era a banda em seus outros dois lançamentos. Não se trata de algo ruim, muito longe disso, mas não atendeu ao tempo de espera e trouxe uma proposta não tão convincente. Mas que continue por um longo tempo e se reprogramem num próximo lançamento.

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Sobre Marcio Machado

Estudante de história, apaixonado por cinema e o bom rock, fã de Korn, Dream Theater e Alice in Chains. Metido a escritor e crítico.

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